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26 de junho de 2007

Duas Medidas


Dois dos sites médicos americanos mais visitados tratando sobre o mesmo assunto: cólicas. Aquele choro intenso dos bebês nos primeiros meses de vida.
Num deles, o WebMD, aprende-se que a cólica pode (deve?) ter relação com alimentos ingeridos pela mãe que amamenta, que a cólica é na maioria das vezes provocada por dores no abdome do bebê que chora e etc. Nota-se um pequeno e “discreto” comercial no centro do texto: Mylicon, tanto lá quanto aqui um remédio (inútil, diga-se de passagem) para as cólicas do lactente*.
No outro site, o da Associação Americana dos Médicos de Família, diz lá a causa do problema: não se sabe (assim mesmo, curto e grosso!). Pelo menos não “chuta”, nem tenta enganar ninguém. Tratamento medicamentoso? “Não há remédio que seja efetivo para cólica”. Nota-se também - e principalmente - a ausência do patrocínio da indústria farmacêutica.
Ah, então, tá...
Patrocinado, é uma coisa.
Sem patrocínio, deve ser outra coisa totalmente diferente.
Pois então!
*O curioso é que neste próprio site há várias outras páginas explicando que cólica não tem a ver com dor, que não há nada de errado com bebês que choram muito, etc, etc.

(há quase 20 anos que eu estou falando isso, acho que tô começando a ficar chato – é que eu ainda sou minoria!)


Tão de Brincadeira

A brincadeirinha da eleição das 7 maravilhas do mundo moderno só pode ser isso mesmo: uma interessante brincadeira (do mesmo tipo que elegeu, por exemplo, o Maradona como melhor jogador de futebol de todos os tempos, à frente de Pelé – Ah, então tá!...).
Em primeiro lugar, como dar o voto quando só se conhece um dos “candidatos” (a maioria dos votantes não deve conhecer nenhum)? Agradeço enormemente à ONG responsável pela eleição o envio das passagens para todos os lugares, para que possamos votar de forma consciente.
Além disso, quem vai votar mais nas suas próprias maravilhas: os petrificados habitantes da Ilha de Páscoa ou os australianos ou os ingleses?
E mais: embora tenha vivido várias vezes a inenarrável experiência da vista do nosso Cristo Redentor, desculpe, mas a estatuazinha – que é nossa real candidata - até que é meio mixuruca (claro, perto das outras concorrentes!). Acho que só não perde para aquele amontoado de pedras toscas do Stonehenge (se era pra incluir a Grã-Bretanha, porque não mandaram o logo o Big Ben?).
Agora me diga: dá pra, ao se deparar com um castelo como o Neuschwanstein (mais fácil de falar do que Schwarzenegger) ou com o Templo de Taj Mahal, honestamente cravar o voto no nosso candidato? Fala sério...

12 de setembro de 2014

Lucy Versus Lúpus


Desenho de criança só perde pra sonho, na sua fantasticidade.
No dia que eu completei 50 (anos, mas sei que parecem meses) andava um pouco pra baixo, pelo significado cabalístico (cabalístico de cabal: pleno, completo, terminado) da data.
Poucos dias após fui tentar finalmente resolver o enigma da canção Lucy in the Sky with Diamonds, dos Beatles (que eu, particularmente, como quase tudo, prefiro na voz do Elton John, e que foi revigorada na abertura da novela Império da Globo, versãozinha mixirica, mixuruca, mas passável) na internet:
Não, não é apologia ao LSD mesmo (mas parece inacreditável, pois a letra chega quase a "dar barato")!
E a Lucy em questão é morta, em 2009. Aos 46 anos, muito nova (aí o meu susto, muito nova para os padrões atuais, eu já estou com 50, mas fale baixo!). De complicações. Não ligada às drogas. Não pelo uso de LSD. Complicações ligadas a uma doença não tão conhecida assim: o lúpus.
Lúpus está (meio de gaiata) na classificação das doenças reumatológicas. É parte das doenças em que nossos anticorpos e células de defesa a partir de um certo momento começam a jogar contra a gente, criando inflamação e com ela, destruição, de pele, cartilagem, coração, pulmão, rins. doença autoimune, assim chamada.
Remédios mais eficazes têm aparecido. Mas não é brincadeira.
E foi esse malvado do lúpus que tirou Lucy (Lucy O'Donnel, a linda companheirinha de escolinha de Julian Lennon, quando ele trouxe um desenho da escola onde ela estava no céu, retratada ao lado não de estrelas, mas de diamantes, como possivelmente está agora, vai saber!) tão cedo de circulação.
Uma tristeza. Que embeleza ainda mais a poesia dos eternos Beatles. E nos dá algum triste consolo. Pobre Lucy (mas não vou dizer: "ainda bem que não fui eu"...).


Também eu, muito menos famoso (que um pé de abacate na beira da estrada) tive meus encantamentos com desenhos infantis. 

14 de dezembro de 2018

"A Segurada"


Quem aparece aqui com frequência não aguenta mais ler sobre o assunto "cólica" (o "problema" - somente para os pais, na verdade - do que chamo de "bebê bocudo", aquele bebê que algumas vezes faz os pais desejarem voltar ao passado, significando antes da fecundação desse serzinho querido!).
Mais postagens certamente virão...
Mas hoje quero recomendar um vídeo singelo do Youtube, sobre um pediatra com mais de 30 anos de carreira (como o que vos escreve, apenas que menos em forma do que eu - brincadeira!). Nele (está em inglês sem legendas, mas nem precisa delas), esse pediatra da Califórnia orienta sobre um método chamado por ele de "the hold" ("a segurada"), método que, segundo ele, faz a maioria dos bebês chorões pararem de chorar, quase imediatamente.


Nada de novo. Fazemos isso sempre. Meu " método" (menos regrado que o do colega, possivelmente porque não sou americano!) é por mim apelidado de "asa delta" (porque imagino que a sensação para a criatura segurada seja algo semelhante à um vôo, apenas que mais seguro). 
Tudo vale para mostrar aos pais que não existe a tão propalada "dor" no bebê que chora (antiga e comum noção que sempre faz a alegria da indústria farmacêutica, que hoje inventa "remédios" além de tudo caros na tentativa de se obter um sossego).
Braços à obra! Segurar essa moçada de uma maneira surpreendente pra eles, e que provavelmente os faz esquecerem dos motivos pelos quais estavam chorando.
Nada mais primitivo. Nada mais primata. 

6 de fevereiro de 2015

Troco


O corpo é o sustento da alma (anima). É pra isso que vísceras, músculos, células existem: para criar um meio idealmente ideal para que a mente divague, foque, crie, pense - e até mesmo esqueça.
Políticas públicas de saúde focam no bem-estar físico como única necessidade do homem. Trate  o corpo, que a alma dá um jeito. Políticas baseadas na cabeça masculina, que historicamente negligencia a sua própria cabeça e a dos outros - exceção à parte de fora.
Psicólogos são tão pouco valorizados quanto professores (não por acaso, ambos cuidam da mente). Ao aceitar empregos públicos (principalmente em prefeituras) submetem-se a um salário-miséria, que mal paga seu deslocamento ao trabalho. 
E, ao sentar na cadeira (sofá, um luxo; divãs, "cê tá de brincadeira"?), expõem-se a um circo (no sentido trágico da palavra) de mazelas, medos, misérias, conflitos, carências, angústias, urgências, com influência absolutamente direta na (falta de) saúde do corpo. 
Duram pouco. Demitem-se. Ou se fecham, no que se convenciona chamar de "insensibilidade". 
A psicologia é a filha caçula da filosofia. Filosofia que é a base para nos entendermos (com o risco de nos perdermos de vez), para nos humanizarmos, para que aceitemos ou questionemos o que a vida nos traz de bom, mas principalmente de ruim. Psicólogos poderiam ser definidos como "filósofos com atuação clínica" (ainda que a sua formação venha sendo rapidamente vilipendiada pelos baixos salários, pela qualidade da formação, pela vulgarização, e até mesmo pela Internet, estimuladora de "mentes supérfluas").


Mas claro que isso tudo não vale mais do que um troco.




28 de setembro de 2010

No Olho do Vulcão


O livro Freakonomics é uma interessante análise original mais social do que econômica, tanto é que a continuação já foi lançada.
Sobre a influência da televisão no nível educacional das crianças, cita um dado interessante:

“Na Finlândia, um dos países com melhor nível educacional, a maioria das crianças não vai pra escola antes dos 7 anos de idade, mas eles freqüentemente aprendem a ler assistindo aos programas de televisão americanos legendados em finlandês.”

Como no caso da brincadeira com armas, a questão é onde essa criança está inserida.
Na maioria dos lares brasileiros, é televisão de montão e depois... nada mais (diferente da Finlândia*)!
Quem sabe deveríamos ter mais programas legendados?

O que me faz lembrar que mesmo entre universitários brasileiros a maioria dos alunos nas salas de aulas exige que, ao se exibir algum filme com finalidades didáticas, o professor escolha a opção “dublado” (por pura preguiça mental de ler legenda)!
Chegará o dia em que os alunos dirão: “Mestre, manda o original, sem legenda?”

* Finlândia é aquele país que exporta fumaça de vulcão pro mundo. São tão letrados que o próprio nome do vulcão é uma aula de ortografia: Eyjafjallajoekull !

10 de julho de 2007

Me Fez, Então Me Nina


Não é - como querem alguns - somente uma desculpa.
Mas também não precisa ser uma sentença.
Uma pesquisa citada no artigo do New York Times desta semana pôs números no que os pais costumam constatar: que um novo filhote em casa, além de preciosas horas de sono, também rouba tempo de atividade física dos pais.
O problema – mostrou a pesquisa – é maior entre os homens: dos que dispunham de cerca de oito horas semanais para se manterem em forma, a média despencou para magras quatro horas e meia.
Provavelmente a perda só foi menor entre as mulheres pesquisadas porque muitas delas já desfrutavam de apenas quatro horas semanais antes do nascimento dos seus bebês (a disponibilidade caiu, em média, para noventa minutos semanais a menos).
O próprio casamento costuma afetar o tempo médio de atividade física, porém de forma muito menos intensa.
Além da necessidade de atenção da prole, dificuldades financeiras (fraldas ou academia?) e logísticas (quem cuida na hora da malhação?) são apontadas como causas da diminuição na atividade dos pais.
Uma das saídas apontadas no artigo – além da às vezes difícil negociação entre as partes - é a realização de atividades físicas não-formais como jardinagem, passeios, utilização das escadas, lavação do carro, etc.
Uma medalha olímpica no peito ou um abdome tanquinho, então, passam a ser um sonho meio distante. Mas se um filho não serviu para ganhar maturidade para se dar menor valor a isso, pouca coisa vai servir.

Não falei?

Mais uma vez, o Olho Pimpolho
avisou... (Tão de Brincadeira)

5 de agosto de 2016

Olimpíada? Ou Carnaval?


Não sei se é brincadeira, ou excesso de preocupação. Ou os dois.
Imagino que seja um pouco dos dois, mesmo.
A belíssima goleira Hope Solo, da seleção americana de futebol feminino, postou suas precauções para vir ao Brasil, com medo da zika. Ou de uma guerra nuclear, a se julgar pelos apetrechos todos que a moça reuniu.
É assim com países desenvolvidos. Imaginam que vão encontrar tudo de ruim nos países chamados "em desenvolvimento". Mosquitos enormes, macacos, crianças famintas na beira de valetas, doenças...
Parte dessas mazelas existem, mesmo. E as estamos dividindo bem com o resto do mundo - se não mazelas nativas, mazelas importadas, como no caso dos imigrantes chegando à Europa aos milhares.
E não é nada demais se precaver com um país tão violento, ainda cheio de doença vergonhosa, e etc.
O que pega, o que chega a ser engraçado é o exagero quando se trata de prevenção de qualquer coisa. 
Paga mico. Como já pagamos nós alguns anos atrás, nas ruas vazias com medo da gripe. 
Ou no caso das mães (pobres mães), que põem trocentas camadas de roupa no filho quando caem uns pingos de chuva. Ou quando querem fazer exames de sangue nos próprios "para saber se está tudo bem".


Não riamos tanto assim da moça, então. Ela é ridícula (mas linda) como todos nós.

16 de dezembro de 2016

GPS


Acho o tema "orientação sexual" interessante porque afeta o dia a dia da sociedade como um todo, mas afeta o sistema de saúde pública muito mais do que se possa imaginar.
É interessante porque com toda cara de liberalidade com a qual levamos nossas vidas, ainda vemos enormes, terríveis preconceitos.
Ao mesmo tempo assusta um pouco (e temos que falar isso com muito cuidado para não termos nossas janelas quebradas) o recente "proselitismo gay", essa coisa das novas gerações de que a homossexualidade deva quase que ser obrigatoriamente experimentada para que se possa dizer que não se gosta, como se a relação sexual com alguém do mesmo sexo fosse um sashimi esotérico ou um pedaço de brócoli. 
Boa parte da mídia é gay. Ótimo. Ajudou muito a quebrar barreiras, a derrubar tabus. Artistas, cantores, publicitários e mesmo donos de indústria também são homossexuais. Sem qualquer problema. Com a exceção de que têm exercido um crescente papel na educação das crianças, no vácuo da presença dos pais (e especialmente da figura masculina educadora). Isso não é conversa de machista-conservador-enrustido. Não. 
Meninos "vocacionados" ao comportamento hetero não precisam se sentir incomodados, tanto quanto não deveriam sentir um choque quando encostados por alguém do mesmo sexo. Sexualidade é identidade. Deve ser sempre - e cada vez mais - respeitada. Mas a balança não deveria pender para um lado ou outro ao sabor dos modismos, da mídia, ou mesmo da pressão social. 
Isso sempre tem feito pessoas (e seus parentes) infelizes, doentes, fisica e psiquicamente.
Se você é gay, sugiro que se assuma. É o melhor que tem a fazer. Por mais sofrimentos que cause no curto prazo, sua vida será mais "leve" no futuro (ainda que não exatamente "fácil" como esperamos que seja num futuro ainda longinquo).
Se você tem convicções hetero, seja firme na sua heterosexualidade. Se ainda por um outro lado sente-se "curioso", se sente aquele "choque" que me referi acima, talvez deva mesmo repensar sua orientação, tarefa que demanda algo de coragem e sinceridade.
A brincadeira da música do Adnet de que "todo mundo é gay" não deve ser verdade. Mas ela interessa para fazer as pessoas repensarem suas posições. Interessa também para que cheguemos mais próximos dos "números reais" do comportamento sexual. Fará bem a todos, imagino.


(Só lembrando que o próprio conceito do limite entre a homo e a heterosexualidade está tendendo a ser borrado hoje em dia. É possível que todos os "alfarrábios" sejam jogados fora em questão de poucos anos e eu precise pedir desculpas por essa postagem tão démodé)