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Olho Pimpolho

UM OLHAR (DESPROVIDO DE SISUDEZ) SOBRE O UNIVERSO DA CRIANÇA E DA SAÚDE PEDIÁTRICA. _____________________________________________ PARA ACHAR ASSUNTOS ESPECÍFICOS, DIGITE A(S) PALAVRA(S) NO ESPAÇO "PESQUISAR BLOG" ACIMA. ______________ (* O conteúdo deste blog serve à informação e/ou entretenimento e não é destinado a ser um substituto da consulta médica com profissional qualificado)

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Nome: Oscar Pacheco
Local: Rio Negro/Mafra, Paraná/Santa Catarina, Brazil

Há muito tempo eu desejava juntar a fome (minhas opinões reflexivas - ou reflexões opinativas?) com a vontade de comer (você). Espera! Quem falou em "comer você"? Isto não é um blog antropofágico! É um espaço que tem a complicada intenção de tratar de assuntos "sérios" - o universo da criança e da saúde pediátrica - com leveza (a mesma leveza que caracteriza as relações com as crianças), por dois principais motivos: 1)a veia histriônica do autor às vezes assume proporções varicosas (somente "nos escritos", dizem os antipatizantes) 2)para discussões aprofundadas existem uma infinidade de sites institucionais, que o próprio autor freqüenta. (Oscar Pacheco é médico pediatra formado em 1987 pela UFPR e pós-graduado em obesidade).

Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Menino ou Menina?


Não sei se você sabe, mas como mostrou reportagem recente no canal CNN (só achei a mais antiga, de 2002, para linkar), escolhas do sexo do futuro pimpolho já estão sendo feitas por aí.
A técnica, chamada de PGD (sigla inglesa para Preimplantation Genetic Diagnosis, ou Diagnóstico Genético Pré-Implante) consiste em se retirar uma fração do embrião (bem no início da divisão celular que resultará posteriormente num feto) para análise dos cromossomas (os tais XX ou XY, lembra?). A partir daí, baseado no resultado – futuro menino ou menina - escolhe-se se será re-implantado ou não para o prosseguimento da gravidez.
O desenvolvimento da técnica teve (e ainda tem, se acreditarmos nas boas intenções dos cientistas) origem mais nobre do que a escolha do enxoval azul ou cor-de-rosa.
Serve para a escolha de embriões saudáveis de casais com história de problemas genéticos importantes (como a fibrose cística, anemias de causa genética, distrofia muscular, etc.).
Está sendo, porém, como muita coisa na Ciência Moderna, desvirtuado para um uso mais “bacaninha” (“Já temos três meninas, mas queremos taanto um menino!...”).
Caríssimo (mas se a coisa pega vai barateando), sujeito a falhas (ainda que poucas no caso da escolha do gênero, menos de 1%) e principalmente sujeito a intensas discussões éticas.

Sexta-feira, Novembro 27, 2009

Diga-me Com Quem Andas


Uma descoberta relativamente recente no campo da Neurociência ajuda a nos explicar muitos dos fenômenos que vemos no dia-a-dia:
● Por que as crianças desde que nascem já querem aprender o que os adultos fazem (e realmente aprendem sem fazer tanta força!)
● Por que, mesmo que não queiramos, nos emocionamos com certos filmes, novelas e até mesmo desenhos animados!
● Por que gostamos tanto de assistir a eventos esportivos
● Por que é tão difícil conviver com pessoas com depressão ou doença
● Por que ao assistirmos alguém chupando um limão salivamos e fazemos careta
● Por que, em suma, somos seres sociais
A explicação está num conjunto de neurônios espalhados pelo sistema nervoso chamado de neurônios-espelhos.
Experimentos feitos inicialmente com macacos mostraram que quando estes observavam humanos praticando os mesmos atos que eles já haviam praticado, áreas do córtex cerebral apresentavam exatamente a mesma resposta. Ou seja, basta observar a ação para que se sinta o que o outro sente, sem a necessidade de se vivê-la.
Pode parecer simples (e é), óbvio (e é), mas estes fenômenos agora estão sendo medidos, analisados para que se possa usá-los em certos tratamentos (apenas como um exemplo, na melhor compreensão de pessoas autistas, nos quais parece haver uma “falha” nestas regiões).

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Qual A Medida?


Quase verão no Brasil, você já preparando os maiôs, a prancha de surf, o baldinho... Já parou definitivamente de se preocupar com a gripe suína, não é mesmo?
Faz bem.
Mas na parte norte do planeta, a polêmica – ao contrário do clima – só faz esquentar.
Vacina? Não vacina? Quem vacina? Quem deve ser vacinado? Onde se faz a vacina? É segura, não é segura?
As perguntas estão aí (ou mais exatamente ).
As respostas não.
Principalmente porque no mundo atual (onde quase ninguém é exatamente bonzinho – alguma vez já se foi?) a vacinação envolve interesses comerciais enormes.
A vacina veio rapidamente como resposta ao clamor (e medo) mundial da epidemia (que nem se confirmou essa epidemia toda, em termos de mortalidade, ainda que tenha sido inegavelmente importante).
Mas... e os testes? Há alguém que possa afirmar (sem interesses escusos) sua eficácia, sua segurança?

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Trate ou Não Trate


Poucas coisas dão mais prazer ao médico do que “resolver” algum problema (afinal, em última instância, “é pra isso que ele é pago”!).
A questão é que muitos e muitos dos problemas pelos quais você (ou seu plano de saúde, ou o governo) paga são resolvíveis espontaneamente.
Só assim de cabeça, vou tentar lembrar alguns:
$ dores de uma forma geral (e, mais especificamente dores de cabeça, dores nas costas, muitos tipos de dor abdominal, etc.), dores ditas funcionais
$ alguns (senão muitos) tipos de arritmia cardíaca
$ refluxo gastro-esofágico
$ fimose
$ diarréia
$ verruga
$ gagueira
$ gripe
$ hepatite A
$ sinéquia vulvar
$ neurite vestibular
$ hordéolo
$ torcicolo
$ carotenemia
$ linfadenite
$ molusco contagioso
$ urticária
$ ciática
E por aí vai...

Como dizia Benjamin Franklin:
“Deus cura, o médico cobra honorário$”

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Mú!


Vegetarianismo radical.
A princípio, tudo que é radical, não deve ser muito bom.
Alguns pais, motivados por uma busca de vida mais saudável, transferem o seu radicalismo no evitar as carnes para seus filhos.
E, normalmente, nem querem ouvir argumentos contrários.
O consumo de carnes em excesso (típico da alimentação chamada ocidental) tem os seus problemas. E até sérios, eu diria. Como a participação em alguns tipos de câncer, notadamente do aparelho digestivo, e a provável associação com afecções cardiovasculares.
Mas um pouco de carne só deve fazer bem. Excelente fonte protéica, de ferro (carne vermelha é de longe a melhor fonte de ferro alimentar, pois é altamente absorvível), além de outros benefícios secundários como a preservação da função mastigatória (biscoitos quase não necessitam de dentes).
Façamos então como Thomas Jefferson que, embora fosse chegadinho num vinho pouco mais do que devia, viveu até os 83 anos numa época de poucos recursos médicos: considere as carnes mais como um tempero do que um alimento e seja feliz!