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28 de julho de 2015

Mudando de Mãos


A historinha (verdadeira):
Um ratinho (estilo Jerry) que sempre se cuidou, sempre evitou passar por perto ou confiar no gato (estilo Tom), a partir de um certo momento, começa não só a dar bobeira, mas até a procurar o gato, a provocá-lo. E aí, com a diferença em relação ao famoso desenho: vira espeto.
Essa história com final infeliz tem acontecido no laboratório com ratos intencionalmente infectados pelo Toxoplasma gondii, um parasita que infecta perto da metade da população (humana) mundial: ficam "doidões", alteram seus comportamentos de forma anormal e muitas vezes definitiva.
A hipótese recente é de que o mesmo possa acontecer ao ser humano e que, assim como com outros germes imputados em alterações psiquiátricas (como as bactérias da sífilis, o estreptococo, o citomegalovírus, etc.), no futuro essas doenças sejam mais da alçada do infectologista do que do psiquiatra.


É esperar pra ver.

24 de julho de 2015

A Panacéia Nunca Sai de Moda


A velha tendência de se dar remédio para os pequenos problemas das crianças está voltando com tudo nessa temporada.
Aquela dorzinha de barriga reflexo de uma digestão um pouco mais difícil, a dor de cabeça após horas de bagunça, um vômito e até mesmo uma coriza da criança pequena não precisam passar sem serem medicadas, não é mesmo?
Para que ter ensinar uma criança a dormir na hora certa, se dispomos de ótimos analgésicos no mercado farmacêutico, com pouquíssimos efeitos colaterais?
Uns espirros, gente, quer coisa mais feia, nojenta até? Descongestionante neles!
Um choro de bebê. Nossos ouvidos não foram feitos para ouvir isso (foram feitos para ouvir a Beyoncé)! Remédio!
Ardência na garganta? Remédio! Palpitação? Remédio! Medo de avião? Remédio! Qualquer medo? Remédio! Medo de ter medo? Remédio, claro! Efeitos colaterais dos remédios?... Mais... remédios! Ou alguém tem alguma outra sugestão?
Não fosse por isso, pela nossa vida estar sendo muito mais completa pelo uso frequente e coerente dos medicamentos, por que estaríamos vendo o aparecimento de três farmácias por quadra nos centros das cidades? Elas estão ali por nós, para nós, graças ao bom Deus dos remédios!
Pra que livrarias? Parques? Ciclovia? Piscina? Museu? Quadras? Teatro? Cinemas? 
Farmácias, queremos farmácias!

21 de julho de 2015

Meu Dodói


A dor - dependendo da dor - fica gravada na memória.
Uma tremenda dor de dente, por exemplo, é inesquecível.
A criança que vivencia as dores - mesmo as mais "bobinhas"   (as dores, não as crianças) - quando estas passam, passa a temer seu novo aparecimento.
É esse um mecanismo provável da dor recorrente: o ficar checando, temeroso, se o sofrimento não vai retornar. O próprio estado de alerta em relação às dores cria uma "via preferencial" para ela. Dores que iriam embora naturalmente voltam - ou, pelo menos, se amplificam.
Diria que nos últimos tempos, com pais e filhos cada vez mais ansiosos (exatamente pelo estilo de vida ansiogênico), esse criar, "dar corda à dor" vai se tornando algo importante - e ainda pouco reconhecido. Algo que os pais deviam saber para não entrar no ciclo vicioso que seus filhos podem estar criando.
(o mesmo vale para "as dores da alma", fenômeno já vastamente explicado pela psicologia)

17 de julho de 2015

Pódio


Nos últimos tempos quando se prescreve o paracetamol, em pelo menos metade dos casos, lá vêm os pais perguntando:
"Mas não faz mal?"
Ou, mais especificamente:
"Não faz mal pro fígado?"
Virou o grande medo. 
Válido. Como com qualquer medicamento.
O problema é que ainda é a mais segura medicação para a febre e dor da criança.
"E o fígado, e o fígado?"
Como explicaram médicos britânicos num recentíssimo editorial no Archives of Disease in Childhood, a frequência da complicação (insuficiência hepática, a temida falência do fígado) é absurdamente baixa em relação à frequência do uso. Somado a isso, em "muitos dos poucos" casos registrados, ou os pais utilizaram doses superiores às recomendadas ou as próprias crianças se intoxicaram (ou ainda: outras medicações foram associadas, ou ainda: a possibilidade da medicação ter sido falsificada, fato comum em regiões mais pobres do mundo).
Nenhuma necessidade de defender o paracetamol (os autores do artigo, por exemplo, não têm relação com a indústria farmacêutica, nemmeno io). A questão é colocá-lo no ranking devido.

14 de julho de 2015

Vivo A Vida


Você é da turma que acha que uma propaganda é só uma propaganda?
Sério?
Pensa bem. Não estamos sendo movidos por elas, pelo que elas nos dizem pra vestirmos, usarmos, comermos, aspirarmos como estilo de vida?
Há pouca gente (quase ninguém) imune.
E as crianças, com certeza, não estão.
E o que é pior, os pais não se tocam muito da tremenda influência. E se se tocam, pouco ou nada fazem para contrabalançar esses efeitos. Até porque eles estão "sem moral", consumindo e fazendo tudo o que a mídia manda.
Um único exemplo da surdez publicitária ao mundo real (numa propaganda, supostamente, para adultos - muito bonita, por sinal, porque ilusória):
A menina (criança) pega na mão de um menino e sai correndo pela vida afora. Cenários continuamente mostrados: festa, viagem, piscina, viagem, parque de diversão, casamento (festa), passeio, viagem, festa. Faltou algo? Ah! Mais viagem!
Nenhum obstáculo pra puxar o companheiro pela mão. Nada de sala de estudo, nenhum quarto de hospital, fila de banco ou lotérica, engarrafamento de trânsito, etc. Só alegria!
E a menina (que é quem começa a corrida em direção à felicidade) vai sendo enganada. A vida será sempre assim. Qualquer coisa que não seja isso, está fora do script. Do comercial e da vida.
Ah, que é isso? É só uma propaganda!
Claro (ou Vivo)! Porque depois vem outra...


(a coincidência é que quando fui buscar o link no Youtube, "caí" na postagem do Porta dos Fundos mais ou menos sobre o mesmo tema)