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22 de julho de 2014

Meio Centímetro


Que importância teria para você ter tido meio centímetro a menos de altura?
Essa "terrível" possibilidade - pelo menos pros baixinhos - é o motivo alegado por um estudo ou outro (dois saíram esta semana) para recomendar muito cuidado para quem usa os corticoesteróides inalados (as "bombinhas" de corticóide).
Fico meio irritado com essa história, pois:
Quando se olha de perto os dados (e não somente as manchetes que estes estudos geram), vê-se que nem mesmo este meio centímetro é bem assim. Os estudos não vão longe no acompanhamento das crianças, e muitas crianças crescem justamente o que têm pra crescer, seja um futuro Michael Jordan ou um diminuto jóquei.
A maioria das medicações disponíveis para qualquer doença tem efeitos colaterais muito mais sérios que o "meio centímetro" (principalmente se usados na mesma frequência que os corticosteróides inalados). Efeitos estes que são muito menos propagados (lembro agora de uma dezena de medicamentos dos quais prefiro os sintomas da doença do que seus efeitos colaterais).
No Brasil (sabe-se lá por que, diria que por falta de conhecimento) já há uma grande dificuldade de se convencer os familiares par o uso destas medicações que - arrisco dizer - mudaram o panorama das crianças asmáticas (ou com "bronquite"). Esse tipo de notícia só põe lenha na fogueira do medo das "bombinhas"*.
* Só lembrando que as "bombinhas" mais temidas (mas que entram no mesmo balaio) são as de broncodilatadores, pois estes possuem efeitos colaterais imediatos mais perceptíveis pelo paciente - como a taquicardia (também, quando no uso correto, "inofensiva").

18 de julho de 2014

Tá na Constituição!


Notícia dos jornais desta semana:
Se você tinha dermatite atópica, pode ficar tranquilo, agora não tem mais.
O que você tem agora é um eczema constitucional.
Nada a ver com leis (constituição). Mudaram o nome para deixar mais claro de que a irritação (vermelho, coceira) não depende de alergia propriamente (atopia), mas de fatores irritantes (roupas com fios sintéticos, produtos químicos, sabonetes, frio excessivo, etc.) numa pele constitucionalmente (ou seja, hereditariamente) sensível. E disso ninguém é culpado - principalmente os alérgenos alimentares, que às vezes sentam inocentemente no banco dos réus.
Muda pouco, claro. Mas tem a intenção de dar um fim em investigações desnecessárias com exames laboratoriais (investigações essas muitas vezes geradas pela pressão dos pais para cima dos médicos).

15 de julho de 2014

"O Mistério dos Pés de David"


(Esse David não, esse - como se pode ver - tem os pés alinhados!)

Chega de Copa (talvez pra sempre pra nós, brasileiros)!
Mas ainda quero dar uma última palhinha, pegando o gancho do "craque que virou pó", o zagueiro David Luiz, que começou a Copa aparentemente arrebentando e terminou arrebentado.
David Luiz fez um gol de falta maravilhoso, "de chapa", como se diz (com o lado interno do pé).
Esse tipo de chute (quem joga sabe) tem muito mais chance de dar a direção correta na bola, mas perde em potência. Por isso, o zagueiro teve quase que dar um salto, para dar potência.
Nas entrevistas, explicou que chutou daquele jeito porque tem os pés "dez pras duas" (uma pisada com as partes anteriores dos pés abertos).
E não disse o resto (pelo menos não ouvi): que não consegue chutar de outro jeito (com o lado externo do pé, mais comum, ou mesmo de "bico", um chute mais feio, mas muito forte).
A toda hora vemos crianças com pés "dez pras duas" em consultórios, e os pais se preocupam, inclusive com a questão estética.
A maioria destas crianças são como o David Luiz: não têm um real problema (a não ser, talvez, o estético). Como explica este blog de um ortopedista, são dois os casos mais frequentes: a rotação externa do fêmur (o osso da coxa), que parece ser o caso do jogador brasileiro*, ou a mesma rotação externa, mas da tíbia (o osso da perna). Nos dois casos, na maioria das vezes, não há necessidade de tratamento (até porque não se "rodam" os membros inferiores facilmente com os métodos de tratamento ortopédicos tradicionais).
O interessante pra mim é que em anos e anos (décadas) de janela futebolística, não lembro de nenhum jogador profissional (muito menos de seleção) com pés "dez pras duas"!
As crianças com essa leve deformidade devem, claro, ter capacidade de brincar, de andar de bicicleta, e até de jogar bola. Mas em alto nível... Só conheço o próprio (e agora tô desconfiando muito de que não dá mesmo certo)!

* Por favor, não me perguntem do "outro fenômeno" da seleção brasileira, o tão falado (pelo público feminino) "bumbum" do Hulk!
(mas já respondo - gente, isso é um blog sério! : Hulk claramente tem uma acentuada lordose, outro "defeito" ortopédico comum - também benigno - responsável, pelo menos em parte, pelo seu sex appeal. Argh! > observação pessoal, desculpem).
Que seleçãozinha fonte de estudos ortopédicos, hein!



11 de julho de 2014

Excesso de Nada


Não dá raiva?
Quando você aprende um conceito na área da saúde e vai acreditando em tudo aquilo, até que novas pesquisas provam justamente o contrário?
Não é revoltante?
Quando tudo o que você vinha fazendo conforme as regras do bem viver, do viver saudável, é desmentido?
Não é de ficar ... ?
Quando você percebe que isso acontece mais vezes do que não?
Então...
A novidade do momento é sobre aquela história toda dos radicais livres e dos antioxidantes...
Sempre (esse sempre é meio recente, mas tudo bem!) nos disseram que as células ao serem submetidas a qualquer tipo de stress (stress celular, cujo principal representante é o câncer) produziam maior quantidade de radicais livres (ou espécies reativas de oxigênio, ROS, na sigla em inglês), e que esses radicais livres deveriam ser combatidos pelos antioxidantes, produzidos pelo organismo mas também presentes em muitos dos alimentos saudáveis, como frutas, legumes e verduras (além de certos compostos vitamínicos) para que o equilíbrio se restabelecesse. E que por isso, mesmo para se prevenir o câncer, deveríamos nos alimentar com estes alimentos em profusão.
Meia verdade. Ou até: ledo engano!
Pesquisadores americanos publicaram estudo mostrando que no câncer (ou mesmo até na prevenção dele) alimentos ou medicamentos propalados como antioxidantes - e, portanto, benéficos - talvez façam mais mal do que bem!
E por que?
Porque as próprias células cancerosas (indesejadas) produzem quantidades tão elevadas de antioxidantes quanto dos próprios radicais livres para que o equilíbrio se estabeleça, e elas possam assim continuar se reproduzindo desordenadamente. Um "gás a mais" de antioxidantes rompe esse equilíbrio a favor da maior multiplicação celular - com o resultante desenvolvimento do tumor!
E de fato - explicam os pesquisadores - as terapias que funcionam para o câncer aumentam a oxidação celular, não a diminuem. As drogas quimioterápicas matam as células tumorais através da oxidação. O problema é que essa "oxidação excessiva" produzida pelas medicações judiam das células do restante do organismo.
O que fazer?
Ainda existe a busca das medicações que tenham como alvo oxidante (de destruição, portanto) apenas as células de cada tipo de tumor, poupando o chamado "balanço redox" intacto no restante do organismo.
E até lá: excesso de nada, mesmo de "coisas" que pareçam muito saudáveis (o que não quer dizer comer coisas poucos saudáveis, ô espertinho!). 

8 de julho de 2014

Pés de Barro



"Desgraçado o país que precisa de heróis"
Bernard Shaw


Era uma vez um paisinho.
Gigante - pela própria natureza - mas com idade mental de uma criança desmamada.
Otimista, muito otimista (otimismo esse que às vezes ajuda. Não como única arma. Não especialmente se "baseado em nada").
Rezavam muito. Rezavam quando ganhavam, rezavam quando perdiam. Rezavam para pedir. Pedir até mesmo a desgraça do adversário.
Os habitantes desse país (zinho), habitantes sofridos, na maioria iletrados, tinham poucas alegrias, pouca coisa pra comemorar. Talvez por isso tenham sido levados a criar falsos heróis, heróis de (ironia!) pés de barro
Heróis que nunca fizeram grande coisa a mais do que ... correr atrás de bolas! (cães correm atrás de bolas! geralmente com mais velocidade, talvez com menos habilidade, mas não são idolatrados por isso, nem mesmo por outros cães!).
Viveu esse pais (zinho) numa ilusão de grandeza. Que em outras áreas não se justificava. Que importava? Eram os maiores, naquela coisa (boba, alegre, boba alegre!) de correr atrás da bola!
(E não que não fossem bons mesmo. A sorte, a reza, talvez até mesmo o otimismo fizeram com que alguns poucos gênios da raça aparecessem no decorrer de um século. Gênios estes que, carregando nas costas uma legião de medíocres, transformaram também estes medíocres em heróis).
Precisava este país (zinho, nunca esqueçamos) sofrer uma grande derrota. Uma derrota inesquecível, indelével, dolorida por qualquer ângulo que se olhasse para que - após juntar os cacos - acordasse. 
Passasse então a olhar pra onde estavam os verdadeiros exemplos, os verdadeiros heróis. Aqueles que até então eram menosprezados, os que muitas vezes fugiam da mídia, não os que a abraçavam, os que faziam de um tudo para aparecer nela (a própria mídia cruel, co-responsável, criadora, mantenedora e parasita dos seus falsos mitos).

Nããã, gente, isso é ficção! Não vai acontecer!


Esportivamente, essa seleção merece uma lápide na frente do Mineirão. Com os nomes de cada atleta devidamente registrados, capitão, comandante, e tudo. A presidência pode ficar de fora. Mas na vitória estaria lá...

(como amante do futebol, não resisti em extravasar minhas frustrações com esta Copa neste espaço "nada a ver"...)