Procure por assunto (ex.: vacinas, febre, etc.) no ícone da "lupinha" no canto superior esquerdo

22 de abril de 2014

Máquina


Quanto um pequeno bebê raciocina?
Mais do que costumamos imaginar.
Menos do que gostaríamos, às vezes.
Tanto quanto um animal doméstico esperto.
Mais ou menos como o input (recebimento de dados) de um bom computador, mas com pouco output (resultado do tratamento dos dados).
Mais a cada dia - ou minuto.

18 de abril de 2014

Decepcionante


Quase todo dia a pergunta:
"Se tem febre é porque tem infecção, não é?"
Quase sempre é.
A partir daí, os necessários - imprescindíveis, ainda que meio cansativos - esclarecimentos:
O que é que você entende por "infecção"?
Se você, como a grande maioria, considera infecção a necessidade de antibióticos, está redondamente enganado(a).
Vírus não dão bola para antibióticos. Essa conversa de amoxicilinas e etc. não é com eles. Ainda que as complicações das doenças provocadas por vírus melhorem, aí sim, com seu uso, mas... valem os riscos?
Em crianças, principalmente as pequenas, os vírus são de longe os agentes mais comumente causadores de doenças febris. Portanto, nada de antibiótico!
As infecções por vírus, ainda que muito mais frequentes, não têm grande "ibope" com os pacientes ou seus pais.
E por que?
Dentre outros motivos, penso que porque tenhamos a tendência de achar um culpado para o banco dos réus a qualquer preço. É muito mais elegante comentarmos no trabalho que estamos com uma traqueobronquite ou uma sinusite (identificando um local que está doente), principalmente se tiver complemento (crônica, estridulosa, maxilar, etc.) do que uma "gripe" (em inglês, mais decepcionante ainda: flu!)
Mais ou menos como quando perguntam seu nome:
Muito melhor: Ernestino de Almeida Van Reistchkof do que "João", ponto!
Não tem status, percebe?
Mas não adianta: 
Crianças têm mesmo a toda hora é: resfriado. Gripe. Quer mais bonito? Faringite viral (uma simples e autolimitada inflamaçãozinha na garganta de origem viral)! No máximo: estomatite (Adivinha? Viral!). 
Na grande maioria coisa que faz o pediatra economizar papel (da receita).
Decepcionante! 

15 de abril de 2014

Um Nada Incômodo


"Bola que sobe e desce na garganta", falta de ar sem causa evidente, dores abdominais, náusea...
Há muitos sintomas que apenas pelas características descritas pelo paciente e por alguma conversa, já se pode perceber que não são devidos a causas físicas, orgânicas. Não são propriamente doença.
Mas estão lá! Incomodando, muito presentes para quem os sente.
Não se trata, então, de desfazê-los, de menosprezá-los, de se dizer (como os próprios parentes o fazem): "Então não é nada!".
Precisam de atenção sem focar em exames excessivos, com mais seguimento, observação do que medicamento, na maioria dos casos.
Ocorre é que nem todo mundo compreende ou "é feito" para este tipo de conduta. Some-se a isso o modismo dos exames para tudo, até que se descubra a "real" causa...
Também na medicina o real pode ser ilusório. E assim como no direito, um inocente (causa aparente) pode pagar pelo que não fez (sintoma, ou "doença"). Isso quando não é apedrejado em praça pública.

11 de abril de 2014

Strago


Muita atenção tem sido dada nos últimos anos aos telômeros.
Telômeros são as extremidades dos nossos cromossomos que vão se desgastando a cada divisão das células, até que parem de funcionar - que é quando a célula morre (e seus donos vão embora junto, credo!).
(A comparação mais apropriada é com a ponta dos cadarços. Depois que aquela parte afilada estraga, fica difícil conseguir inserir o cadarço nos sapatos).
No início, se achava que era só a idade que desgastava os telômeros.
Mas estudos como o desta semana na revista Nature estão mostrando que situações crônicas de stress (como as vivenciadas por crianças em orfanatos, por exemplo) também os encurtam. Com a provável consequência de fazê-las envelhecer (ou mesmo adoecer) mais cedo que as demais.
É o estrago causado ao organismo por fatores externos demonstrado ao nível molecular.
E, ainda que um tanto assustador, só corrobora o que vemos nas diferenças sociais desde que o mundo é mundo. 

8 de abril de 2014

Transparência na Seringa


Antitérmico, antiemético, corticóide, antialérgico e até mesmo antibiótico.
São muitos os candidatos a serem administrados pela via muscular (injeção) em situações de emergência para as crianças.
Por isso, quando o paciente é liberado para ir para casa, os pais devem - e têm o direito - de solicitar aos médicos (ou mesmo aos enfermeiros) que tipo de medicação foi feita (e, se não vão lembrar, até mesmo por escrito).
Por vários motivos:
1) pode interferir com a sequência do tratamento nos dias seguintes - principalmente se o médico da criança for outro
2) vai que "dá uma zebra", mesmo que alguns dias após (lembrando que uma medicação como a Benzetacil pode ter efeito por mais de  quinze dias): efeitos adversos, erro de dosagem ou de indicação, etc.
3) conhecer o efeito que determinada medicação tem naquela criança: utilidade posterior
Sugestão: com educação (pois o médico plantonista costuma estar "na ponta dos cascos", e muitas vezes com alguma razão, senão pelo cansaço), sem aquele estilo "xeretice" ou "detetive". A justificativa oficial (e plausível) é: ..."que eu quero informar ao médico dele(a)".