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24 de março de 2017

A Temida Pergunta


Tem vovó que faz a gente perder a paciência.
Tudo que bem que o "momento-vovó" ("momento-vovô" também, os homens não estão absolutamente excluídos, muito pelo contrário) é momento de curtir, de relaxar, de deixar escapar questões menos sérias.
Mas elas (es) abusam!
A gente tenta criar - mais precisamente reforçar - noções de alimentação correta, necessidade de horários algo mais rígidos, percepção da autoridade familiar, etc. e tudo parece funcionar direitinho, quando fazemos a temida pergunta:
E (as) os avós, concordam, agem de acordo?
Aí vem o sorriso sem jeito, o olhar acusador do pai para a mãe (ou vice-versa), a expressão de desânimo:
"Olha, ali tá complicado!" Ou: "Nem adianta!".


Seria o caso (mas quase nunca é) de os próprios vovós levarem os netos para consulta. Mas, interessante, quando são eles que levam é porque costumam já atuar mais como pais do que como avós propriamente. E aí não são propriamente "problema". São os dos "bastidores" que sabotam os nossos planos no andamento da educação da criança.

21 de março de 2017

A Peixe e Ovo


O "escândalo da carne" brasileira é só mais um exemplo dos tempos em que vivemos.
Fatos mais ou menos banais (como o "passar por cima" de inspeções obrigatórias ou a adulteração aqui e ali de um produto industrial na vivaldice do lucro mais fácil) se transformam na conversa obrigatória dos jornais (conspiração para esquecermos da reforma da Previdência? mais um ponto do anti-Lulismo midiático?), geram repercussões muito maiores do que seria necessário, influenciam mercados, alastram o medo no consumidor.
Assim é com doenças. Elas existem. Elas muitas vezes matam. E não poucas vezes renderiam (ou rendem) "escândalos", seja por uma incidência inaceitável, pela negligência governamental, ou até pelo desvio grosseiro de recursos que de outro modo serviriam para tratá-las. 
Mas não são a "bola da vez". Hoje (e talvez ainda amanhã) é dia de falar das carnes. É o que está rendendo para alguns. Espaço nas mídias. Dividendos políticos. Brincadeiras no Whatsapp
E a gente passa a achar que está tudo errado. Que se deve fechar as churrascarias. Que daqui pra frente é só peixe e ovo.
Mas... espera! Parece que ali na esquina alguém achou metade de uma barata dentro de um chocolate.
Imprensa! Autoridades! Polícia! Políticos! Socorro! Estamos todos perdidos! Novamente...

17 de março de 2017

Santa Ignorância


Cansamos de ver pais angustiados com duas coisas (às vezes somadas): a história familiar de diabete dos seus filhos e seus estilos de vida pouco saudáveis. Tornar-se-ão (desculpa a mesóclise, deve ser culpa do Temer) eles diabéticos, talvez num futuro próximo?
Há pesquisas muito recentes que indicam que um exame de fácil execução (a hemoglobina glicosilada, abreviada como HbA1c) poderia prever com algumas décadas de antecedência a instalação da diabete no "futuro adulto".
Aí vem a pergunta de sempre:
Vale a pena (decifrarmos o futuro)?
Por esse motivo (por se prever a presença da doença) os pais (e principalmente avós) cuidarão melhor da alimentação da criança? Se engajarão em atividades físicas de maneira mais disciplinada? Em suma, farão com que a criança tenha uma vida mais saudável, atrasando (ou mesmo evitando) o aparecimento do problema?
Tendo a achar que infelizmente não.
Muito mais fácil algum pensamento mágico do tipo: "quando chegar lá já deverá existir algum novo remédio, que talvez até cure a diabete!".
E, inversamente, também o resultado normal do exame poderá servir de "passe livre" para se relaxar no estilo de vida. Isso sim, muito mais fácil de acontecer.
Para refletir.

14 de março de 2017

Antes Tarde do que Cedo


Às vezes as mães vêm achando que seus filhos devem ser hiperativos... com menos de 1 ano de idade!
Menos, né? (não menos idade, menos pressa!)
Na maioria das vezes é algo dito meio de brincadeira, mas muitas vezes querendo sugerir à gente, tipo: "Será que não pode mesmo ser?".
Crianças novas já são diferentes nos seus níveis de atividade - ou de hiper atividade - mas não a ponto de permitirem uma rotulagem diagnóstica. Ainda mais porque quando se rotula alguém, esse alguém tende a se comportar ainda mais caracteristicamente da forma como foi rotulada (é aquela coisa da mãe falar perto do menino: "Esse menino não para!", e ele parar menos ainda). 
Cerebrozinhos se desenvolvem com o tempo. Os freios dos movimentos impulsivos, do "agito", da "mexilança" também vão tendendo a melhorar (claro que com as correções de rota da educação, do convívio, da autoridade, do feedback das experiências negativas, etc.).

Os pais têm, então, um papel importante na correção dos comportamentos (antes dos professores). E o tempo também vai cumprir o seu papel. A partir de um certo momento (normalmente a partir dos 5 anos), quando a coisa ainda se mantém complicada, é hora aí sim, de se cogitar o diagnóstico (não se esquecendo que a diminuição do uso de aparelhos, a correção de dietas, etc. podem e devem ser tentadas pelo menos como auxílio no tratamento dos muito animadinhos).

10 de março de 2017

Boiando


Eu realmente tenho alguma vergonha de perguntar - até porque acho que a resposta me frustraria - mas, ainda que insistindo na importância do pediatra educar mais do que medicar, imagino que a maior parte dos pais que acompanham comigo os gráficos de crescimento dos seus filhos ficam realmente "boiando" no seu significado (ou, mais ainda, na sua interpretação).
Não são raros os casos em que, após longas (e provavelmente tediosas, para a maioria!) explicações mostrando os pontinhos assinalados nos últimos meses na carteira de saúde, pais terminem a explicação com a seguinte pergunta:
"Mas, e o peso, está normal?"
(Pausa para imaginar o pediatra em alguns microsegundos com cara de bocó, se perguntando interiormente: "Mas sobre o que eu estava falando até agora?", enquanto vê à sua frente olhos inocentemente - e não jocosa ou ironicamente - indagadores, associado a um ruido de grilos no fundo)
A solução?
Ir para o básico, claro.
"Está normal, sim!"
Dava pra fazer mais. E foi tentado. E discussões interessantíssimas (acadêmicas?) sairiam dali.
É o que se poderia chamar de uma consulta não proveitosa.
Os remedinhos ainda têm mais ibope. E são obviamente mais rápidos. Mas isso um dia há de mudar!...

"Próximo!!"