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16 de setembro de 2014

Geração "Da Hora"


Se tem uma coisa que os pais de hoje têm sabido ensinar aos seus filhos é a procura da solução mágica para problemas que os afligem.
Estou sendo irônico, caso não tenham percebido.
Exemplo? 
Tenho uma pequena dor de cabeça: remédio. Não consigo dormir: quem sabe um remédio. Estou numa fila muito demorada: fala com a moça lá da frente que o nosso caso é mais sério. Estou muito cansado: energético. Triste: antidepressivo. Fome: "bugiganga", que ainda falta meia hora pra refeição. 
E assim vão se nutrindo os monstrinhos. Nada de frustração. Nada de espera. Nada de aprendizado pelo sofrimento da hora, nenhuma recompensa a posteriori, que isso demora muito.
Há um click para tudo. E se não há, é porque compramos o aparelho errado.
História longa? Lê lá o final! Cachorrinho? Eu brinco, "alguém" limpa o cocô! Realidade dura? Tô fora!
Nada a ver com o crescente uso de drogas na pré-adolescência. Nada a ver com a violência doméstica. Nenhuma relação com o abuso medicamentoso. Falência dos serviços de saúde? Intolerância? Delinquência? Nada a ver!

( irônico novamente, só para deixar claro...) 

"Simpáticos professores do fácil está cheio, duro é achar o antipático mestre do difícil"

12 de setembro de 2014

Lucy Versus Lúpus


Desenho de criança só perde pra sonho, na sua fantasticidade.
No dia que eu completei 50 (anos, mas sei que parecem meses) andava um pouco pra baixo, pelo significado cabalístico (cabalístico de cabal: pleno, completo, terminado) da data.
Poucos dias após fui tentar finalmente resolver o enigma da canção Lucy in the Sky with Diamonds, dos Beatles (que eu, particularmente, como quase tudo, prefiro na voz do Elton John, e que foi revigorada na abertura da novela Império da Globo, versãozinha mixirica, mixuruca, mas passável) na internet:
Não, não é apologia ao LSD mesmo (mas parece inacreditável, pois a letra chega quase a "dar barato")!
E a Lucy em questão é morta, em 2009. Aos 46 anos, muito nova (aí o meu susto, muito nova para os padrões atuais, eu já estou com 50, mas fale baixo!). De complicações. Não ligada às drogas. Não pelo uso de LSD. Complicações ligadas a uma doença não tão conhecida assim: o lúpus.
Lúpus está (meio de gaiata) na classificação das doenças reumatológicas. É parte das doenças em que nossos anticorpos e células de defesa a partir de um certo momento começam a jogar contra a gente, criando inflamação e com ela, destruição, de pele, cartilagem, coração, pulmão, rins. doença autoimune, assim chamada.
Remédios mais eficazes têm aparecido. Mas não é brincadeira.
E foi esse malvado do lúpus que tirou Lucy (Lucy O'Donnel, a linda companheirinha de escolinha de Julian Lennon, quando ele trouxe um desenho da escola onde ela estava no céu, retratada ao lado não de estrelas, mas de diamantes, como possivelmente está agora, vai saber!) tão cedo de circulação.
Uma tristeza. Que embeleza ainda mais a poesia dos eternos Beatles. E nos dá algum triste consolo. Pobre Lucy (mas não vou dizer: "ainda bem que não fui eu"...).


Também eu, muito menos famoso (que um pé de abacate na beira da estrada) tive meus encantamentos com desenhos infantis. 

9 de setembro de 2014

Um Tic, Dois Tac


Quando o homem pisou na lua (ainda que muita gente boa ainda duvide) fincou sua bandeira lá e depois pensou o que iria fazer com aquilo.
O mesmo acontece com os marcos do desenvolvimento da criança. Deu os primeiros 2-3 passos, ok: chegou lá! Falou "gaba" ("goiaba" em bebês, o idioma dos próprios*), tá falado! Não precisa repetir nas próximas semanas, já provou que pode.
Os pais, no entanto, insistem. Querem que seu pequeno gênio repita os feitos a toda hora. Ou que pelo menos não recuem. "Vai engatinhar de novo, ô moleque?".
Deixem o rapaz desenvolver em paz, pais!


*Não confundir com bebunês, o idioma dos bebuns...

5 de setembro de 2014

Tristidade


Uma especialista em terrorismo entrevistada no programa Sem Fronteiras do canal Globo News, ao ser perguntada sobre os motivos de jovens "aparentemente normais" abraçarem causas que a princípio nada tem a ver com eles (causas islâmicas no caso dos jovens ingleses, por exemplo) explicou que, na maioria dos casos, estes jovens têm como motivações as mesmas que quaisquer outros jovens, ou seja, o desejo de pertencer a grupos, o gosto pela ação, o aborrecimento, a revolta com a sociedade que os cerca.
Causas absolutamente banais (na visão de quem não pertence à este grupo etário) levadas ao extremo. Nada - ou muito pouco - de realmente ideológico, ou mesmo religioso.
É claro que é sempre difícil separar verdadeiros ideais do desejo de, por exemplo, vestir uma capinha da mais pura seda (preta por fora e forrada de vermelho por dentro) e empunhar uma espada fálica-reluzente.
O problema é que essa turma mata, morre, fere. E leva junto muita gente inocente, seguindo os verdadeiros líderes fanáticos ou doentes.
Por isso eu defendo o futebol (ou qualquer outro esporte). Gritado, xingado, com direito a um chute ou outro - proposital, claro - na canela do adversário. Vale até um olho roxo. Em algum lugar mais "saudável" a moçada tem que descarregar sua carga de testosterona/adrenalina.

Ah, se a vida fosse assim tão fácil... Quanta cabeça poupada! 

2 de setembro de 2014

Por Que Eu? (Hipertensão)


Normalmente quando se pensa em hipertensão arterial, pensa-se assim: o pai ou a mãe tem, o filho pode ou deve ter, etc. Uma herança simples, por assim dizer.
Nada mais errado.
Ao se pensar em herança de pressão alta, a melhor imagem a se invocar é o de um imenso quebra-cabeças, daqueles que você leva um ano montando - ou mais provavelmente desiste de montar.
Tal é o enrosco que o projeto genoma humano tem demonstrado sobre a questão.
São numerosos os alelos (os locais dos gens responsáveis por uma determinada característica) já implicados, e o que complica muito são as formas pelas quais esses gens se expressam (mais num determinado sexo para alguns alelos, muito modificáveis pelo ambiente em outros, interagindo entre si em outros ainda, isso sem falar na variação de idade e raça em que cada um deles irá se expressar).
Isso dá uma bela mostra também da diferença verificada na efetividade do tratamento medicamentoso de um sujeito para outro.
Não é à toa que tantas classes de medicamentos aparecem e nenhuma delas vence a briga.

Não é à toa também a revolta (e a incompreensão, e a revolta pela incompreensão) dos pacientes que se descobrem hipertensos quando não esperavam - ou quando estavam "fazendo tudo certinho" em termos de cuidados de saúde.