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5 de fevereiro de 2016

Portas Fechadas


Médicos cubanos já estão quase todos indo embora (antes da Dilma) e os pacientes ainda reclamam de que "não conseguem se comunicar" com eles.
Culpa em parte deles próprios que, pelo visto, não estão fazendo grandes esforços para aprender nosso complicado idioma. 
Mas culpa também da nossa ignorância e da nossa má vontade de nos entender com o resto da América Latina.
Há outro grande entrave, que não se restringe aos monoglotas: o terrível jargão, presente no vocabulário de padeiros a porteiros de edifício.
Naquilo que seria o intervalo compreensível do castelhano para o simplório paciente brasileiro, cai um jargão, tornando o diálogo um verdadeiro telefone sem fio. Isso, claro, quando tentou-se estabelecer um diálogo.
Melhor mandar a turma de volta?
Sei lá. Dizem que os próximos serão alemães.
Mein Gott des himmels!

2 de fevereiro de 2016

Snif Sem Lactose

Detesto ficar metendo o pau em multinacionais, até porque elas mandam nas nossas vidas (vai que elas me mandam embora desse mundo, sem direito a comida, remédio e sapato?).
Mas é que às vezes elas me fazem chorar. E rir, e chorar de novo, sintoma claro de estão me levando à  loucura (à vocês não? pensem bem!).
A penúltima (porque a última deve estar acontecendo nesse exato momento) foi a campanha publicitária do "novo" leitinho da Nestlé sem lactose (ainda bem que ninguém lê esse blog, senão estaria fazendo propaganda gratuita!):


Mães chorando! Isso mesmo: chorando, porque seus queridos filhinhos têm... Intolerância à lactoseSó de pensar, tive que limpar o teclado agora mesmo das lágrimas salgadas.
Pobres crianças! Até hoje sofrendo terrivelmente com gases (puns!), cocôs moles, barrigas distendidas e o que mais? Letras tortas? Chulé? Espirros? E o que mais puder se imputar a uma "quase normal incapacidade de tolerar uns mililitrinhos a mais de leite de vaca". Mas que o mundo (corporativo, mas nós todos vamos atrás, como vacas de presépio que somos) todo resolveu transformar em doença. Com direito a chororô. De mães, que não mandam mais seus filhos atravessarem a rua (quanto mais à guerra!), que têm que suportar seus filhos barrigudos. E das atrizes, que realmente nos comovem.


Olha eu aqui, limpando o teclado de novo!...

29 de janeiro de 2016

Furinho


Não gosto de falar nesse espaço de patologias muito específicas, mas vou lembrar de um detalhe do exame de bebês meio comum:
As fossetas coccígeas (popularmente podem ser chamadas de "covinhas do bumbum") não são exatamente "patologias".
Acontecem em cerca de 4-5 % dos bebês, e são pequenos buraquinhos situados no limite entre "o final das costas e o início do bumbum".
Ali, nesta região, era suposto existir apenas um "buraco", maiorzinho, o ânus, e mais abaixo.
No caso das fossetas, se são únicas, pouco profundas, não apresentam secreção (o que estaria indicando comunicação com a medula, com riscos de infecção ou defeitos associados) ou lesões de pele - como manchas ou nevos - no mesmo local (o que também pode indicar defeitos neurológicos associados), nada a fazer. São "buraquinhos de brinde", costumo dizer. Vão tendendo a ficar menos aparentes, com a fofura trazida por mais idade (mas nem sempre).
São pequenos "defeitos de fábrica". Marquinhas de identidade.

26 de janeiro de 2016

Garganta Esperança


No Pronto Atendimento:

- Doutor, chegou uma garganta (uma criança) aí pro senhor atender...

Chega o médico:

- Doutor, o meu gargantinha (o meu filhinho) aqui está com...
- Infecção!
- Mas... O senhor não vai examinar?
- E precisa? Seu garganta (filho) só pode ter uma coisa: infecção! Estou prescrevendo este antibiótico aqui...
- Então tá, doutor... Obrigado.

(pensa o médico: "Afinal, me tornei médico de gargantas (crianças) pra que? Pra tratar suas infecções! 
Não é só o que têm? Os antibióticos variarão - agora mais "fortes", contra estes germes "poderosos" - mas os diagnósticos, não. Gargantinhas (criancinhas) e gargantões (criançonas) só podem ter... Infecção!)

- Próximo!!

Enquanto isso, gargantinhas (criancinhas, não precisa mais dizer!), algumas nos colos das suas mães, outras brincando no corredor, aguardando para terem seus antibióticos prescritos...

22 de janeiro de 2016

Hora do Rash


Como última postagem relacionada a essas confusões provocadas pelo Aedes, achei bom lembrar de um sintoma que os médicos costumam não traduzir quando se trata da dengue (ou mesmo de muitas outras condições médicas):
É o tal do "rash".
É um saquinho explicar o que é o rash. Começa que o termo tem sido ridiculamente aportuguesado. É como "site". Ou é "sáite" ou tem que se traduzir por sítio (ou "página", substituto mais usado). 
O termo correto é "réch", mas é com a famosa linguinha dobrada do inglês. "Rach" (mais usado) fica muito esquisito!
E o que é?
Preguiçosamente explicando, é quase que qualquer lesão de pele em que se busca uma causa. Não toda lesão de pele, claro. Uma verruga não é um rash. Costumam ser lesões planas, que alteram a cor da pele, sua textura ou, de forma generalizada, a aparência.
Então: falei que era um saquinho!
O termo "erupção" também tem sido usado, mas não resolve. O paciente já vai logo pensando que tem um vulcão na pele (boa associação com um furúnculo, por exemplo, mas para as lesões representativas do rash, não).
O que causa?
Além da dengue, um montão de outras coisas! Sarampo tem rash. Lúpus tem rash. Reação à medicamentos tem rash. Queimadura solar tem rash. E a lista segue: sífilis, urticária, escarlatina... Até emoção causa rash!
Poxa! Mas aí não adianta! Como é que vai se fazer um diagnóstico?
Aí é que está! Forma parte importante do diagnóstico de muita coisa, mas também pode confundir, levar a diagnósticos errados, coisa que a gente vê toda hora (só para dar um exemplo, a confusão de exantema viral comum com o quase extinto sarampo).
Então é aquela coisa:
- O que é isso que eu tenho na pele, doutor?
- Um rash.
- Que é?...


(Ai, meu saquinho!...)