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18 de maio de 2018

"Vingança"


É possível que avós, tendo cometido certos erros na educação dos seus filhos, os induzam a cometer os mesmos erros com seus netos?
Sim, e é mais comum do que se possa pensar.
Não é normalmente um ato consciente, mas serve um pouco para "aliviar a culpa" dos avós, como se dissessem: "Viu? Não fomos só nós!".
Por isso, pais devem estar atentos a este tipo de "boicote", realizado com uma grande aparência de boas intenções.
Por isso, pais devem ter uma certa maturidade (mas muitas vezes não têm, até porque podem depender economicamente e como ajuda na criação) para "peitar" decisões dos avós, principalmente naquelas que estão servindo de forma evidente para "estragar" os netos!
Nós, como pediatras, de vez em quando "boicotamos os boicotadores" alertando os pais. Mas são situações complicadas, que precisam de muita diplomacia, para não piorar ainda mais uma convivência que já nem sempre é fácil.

15 de maio de 2018

Deformação


Vendo tanto programa sobre saúde e doença por aí (na rádio, na TV regional, na TV nacional, no Youtube) fico sempre pensando se a gente precisa se informar tanto assim sobre coisas que, na sua grande maioria, não nos diz nem vai nos dizer respeito.
É quase que um interesse mórbido (e aí mais uma patologia para se estudar: o interesse mórbido por doenças que provavelmente nunca veremos, se Deus quiser!).
Isso é devido, obviamente, ao excesso de canais para pouco conteúdo de real interesse. Acontece também na área jurídica, na área da economia, na área da gastronomia...
Acontece, porém, que nessas outras áreas todas o mal deve ser menor ao nos "ilustrarmos": quem vai ficar se apalpando com medo de morrer ao aprender sobre o que é um spread bancário ou o tempo que leva para assar um pato?
Informação é bom (se não acreditasse nisso, não estaria escrevendo num blog a tanto tempo!), mas precisa sempre cair em audiências certas, ser corretamente interpretada, para não atrapalhar mais do que ajudar.



11 de maio de 2018

Sistema Único, o da Saúde


Médicos costumam dizer:
"A pressão arterial alta (ou qualquer outra enfermidade) pode matar. Por isso, isso e aquilo" (que não cabe agora detalhar).
"E isso", dizem, "tem remédio".
E normalmente param por aí. 
E sai você acreditando que o remédio, se tomado corretamente, evitará (pois "remédio") que você morra (ou mesmo tenha alguma das complicações menos sérias que morte).
O que não contam - mas deveriam, e um dia acho que vão se dedicar a contar - é que, tomando você os remédios, suas chances tanto de morrer quanto de ter as complicações menores que a morte são apenas levemente reduzidas!
E o que é pior: com a maioria dos tratamentos medicamentosos vêm: custos, efeitos adversos, aparecimento de outras doenças e, além do mais (um efeito muito nocivo mas pouco falado), sua natural tendência a se descuidar mais, pois "em medicação" (como se ela fosse sua natural "salvadora").
Não é que devemos jogar todas as medicações no lixo: há muitas medicações que nos salvam! Mas (principalmente com as medicações de uso contínuo) deveríamos ser ensinados com clareza onde estamos pisando! E a verdade é que poucos sabem. E os que sabem parecem ficar "meio sem jeito" de contar a verdade verdadeira.
Preferem se iludir. E iludir pacientes. E parentes. E pertencer ao sistema.


(Você possivelmente deve estar me odiando por escrever essas coisas. Isso não é necessariamente uma mensagem negativa. Mas é: "Acredite menos nos efeitos poderosos dos remédios. Se informe - em boas fontes! Questione!")

8 de maio de 2018

Francamente!...


Sou, como todo brasileiro acima da linha da miséria, um interessado direto em planos de saúde, mais como usuário do que como empregado.
E sempre percebi (aí mais como "empregado") que a chamada "co-participação" ou a "franquia" estava até demorando para chegar a todos.
Porque a saúde vem sendo cada vez mais tratada como um comércio. E aí também, estou me referindo a médicos, pacientes e, claro, os próprios planos de saúde.
O "uso racional" da saúde (médicos, exames, tratamentos) deixou de existir há algumas décadas. Nossa carência como sociedade vai para além das curtidas em redes sociais. Se estende também às modernidades que "somente a última palavra em termos de assistência médica pode oferecer"! Mas há uma conta a ser paga por isso. E não sairia do bolso dos prestadores, ou você achava ingenuamente que sim?
Co-participação, franquia, partilhamento, chame como quiser. Aliás, se se conseguir extinguir com um nome, ela virá com outro, mais fugidio. Mas que virá, virá! 

Códigos de consumidor, associação de classes, pacientes, CNBB... Infelizmente,  não adianta espernear!

4 de maio de 2018

Seu Google


Sabe, seu Google, eu sei que o senhor (não sei se posso chamá-lo por "você") só tem um interesse em mente, que é vender.
Por isso, quando o senhor me enxerga através desse seu lado, me enxerga como um consumidor, alguém que tem interesse nisso ou naquilo para comprar, consumir, procurar por mais, comprar de novo, consumir mais e mais e... pronto! É disso que somos feitos para o senhor, de valores não outros que monetários, mercantilistas, ou o que quer que seja que gere mais lucros para os outros, mas principalmente para o senhor!
Desculpa aí, seu Google, a franqueza, mas embora muita gente não perceba (ou por incapacidade, ou por desinteresse das consequências) eu, sim, percebo, o que o senhor faz com a gente. Não o tempo todo, porque também tenho minhas fraquezas (e o senhor bem sabe disso, pois as explora com muita competência), mas boa parte do tempo.
Sabe, seu Google, o motivo de eu buscar um assunto ou um artigo aí nos seus domínios nem sempre é para comprar. Às vezes é só para sonhar mesmo, muitas vezes porque nem posso pensar em comprar. Outras vezes recorro ao senhor com um interesse passageiro, quase como em um sonho. Mas aí o senhor já me põe na lista dos "eternos interessados em...". Tudo bem, pode pôr, fazer o que, se é esse seu modo de pensar? Tudo está a venda, tudo pode ser comprado, ou transformado em mercadoria... Mas se engana, o senhor, seu Google, não é assim que o mundo real funciona, e talvez um dia o senhor reconheça isto. Pessoas são feitas antes de tudo por sentimentos, e sentimento não é algo que possa ser sempre colocado em algoritmos, como dados bancários, apenas para uso comercial.
Desculpa estar tomando seu tempo, seu Google, sei que o senhor tem muito mais o que fazer do que ficar me escutando ("tempo é dinheiro", como dizem os seus!). É que não sabia para quem dizer isso tudo, sabe, até porque ninguém nesse seu mundo, voltado para o consumo incessante, quer mais ouvir a gente. Estão todos tomados pelo feitiço que o senhor (junto com o seu Apple, seu Facebook, seu Tweeter e os demais) ajudou a construir. 
Tenho até medo de dizer isso para o senhor, mas espero que um dia mais pessoas acordem. Não digo que não usem as facilidades que os senhores nos propõem. Não, esperar isso seria ingenuidade demais da minha parte, ainda que saiba que seu negócio se baseia essencialmente nas pessoas ingênuas. Mas que façam um pouco como eu. Que de propósito desfaçam, atordoem seus mecanismos. Que busquem coisas em latim ou em aramaico, que usem e abusem dos filtros, que vejam coisas pelas quais não tenham o menor interesse, só para bagunçar um pouco a sua vida. Tentando mostrar quem é que manda, ou que deveria mandar. 
É quase que o máximo que nós podemos fazer, e é pouco, bem sei. É meio quixotesco, paranóico, mas prefiro pensar que agindo assim ainda causo ao senhor algum desconforto, algum desentendimento, lhe dou algo para pensar. Não quero que reine confortável nos manipulando, achando que vê nossos pensamentos até mesmo antes que saiam das nossas cabeças. 
Boa noite, seu Google. 

Amanhã eu volto, tá bom?