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26 de maio de 2017

Remed


Vamos imaginar que você marcou uma super-consulta com um super-médico, e que ele levou uma hora dedicando à você toda a atenção. 
Soube muita coisa sobre suas queixas, seus problemas, suas dificuldades.
O examinou com muito cuidado. Pediu exames e analisou o que você já trouxe de outro(s) médico(s).
Discutiu, perguntou, sugeriu, perguntou de novo.
E você sentiu muita confiança. E se abriu, e confiou. 
Ainda assim - nessa suposta super-consulta - o que esse médico realmente sabe sobre você?
Sabe sobre sua preferência musical (ópera ou sertanejo)? Sabe sobre sua relação com quem você vive e trabalha? Sabe sobre sua alimentação nos pormenores? Perguntou sobre o seu sono? Sabe, ainda, se você é alguém que não gosta de tomar remédio? Se você está bem no plano financeiro? Tem idéia de seus maiores medos, angústias, etc?
Provavelmente não. Nada ou quase nada dos acima. Até porque a consulta levaria horas. E seria no mínimo muito cansativa. E faria de você o paciente único do dia. Quanto vale isso, em termos de custo de tal consulta?
Então: esse suposto super-médico sabe ainda muito pouco sobre você. E essa ignorância dele poderá (deverá) interferir na capacidade dele de tratá-lo, ou mesmo de diagnosticar corretamente sua condição, seus problemas. 
Admitindo que raramente temos acesso (ou capacidade econômica, ou mesmo tempo)  à essa super-consulta, o que temos é menos (na maioria das vezes muito menos). E com menos, dá pra fazer... menos por você. 
É por isso que tratamentos médicos podem ser tão frustrantes nos seus resultados. Não há mágica. Não se pode tratar (efetivamente) o que se desconhece. Por melhor que seja o médico. Por menores que sejam seus problemas. 


Ou ele cria uma maior intimidade com você (anos conhecendo você, disposição dele, acesso à ele, confiança sua, etc.) ou o que você terá não será um tratamento médico de verdade. Será um remendo. 

23 de maio de 2017

Quem É Que Manda


Chega um momento na vida de qualquer pai e mãe - ou de pelo menos um dos dois - que vão ter que mostrar ao(s) filho(s) "quem é que manda". 
É vital. É necessário para que qualquer lar funcione. E, como já escrevemos aqui, não será a criança esse "quem", sob pena de uma total desintegração nas relações domésticas.
O que tem sido difícil para os pais atuais - a geração mais "banana" da história das famílias - perceberem é que quanto mais eles demoram para atuar o poder (ou seja, mandar efetivamente, dar as ordens, definir o que pode, o que não pode, e o que vai ter negociação), mais difícil será para "virar o jogo" (ou seja, começar realmente a mandar, a se fazer obedecer) no futuro.
"O momento é já" parece slogan de campanha política. Mas é algo no qual insistimos com os pais desde que seus filhos ainda cabem no berço. 

19 de maio de 2017

Coli-Cids (Ou Algo Parecido)


Continuando o assunto da última postagem:

Você que comprou o Coli Cids (ou algo parecido) para a "cólica" (Ah, essa cólica!) do seu pequeno rebento notou o que diz na caixa - e também na bula? Ou já foi dando assim, sem mais nem menos, como banana na serra (com todo respeito à senhora)?
Está escrito em algum lugar: "remédio para a cólica" (do recém-nascido, ou de quem quer que seja)? 
Não, está escrito algo como "ajuda a regularizar a flora blá, blá, blá"...
Por que?
Porque a indústria - aquela fabriquinha de esquina chamada Aché - não tem "envergadura moral" para se comprometer (de novo, nem com você, nem com seu bebê, mas principalmente nem com os advogados de associações profissionais como as Sociedades de Pediatria - pelo menos até que "molhem a mão" das pessoas certas dos lugares certos). 
E por que?
Porque, claro, não funciona. Quer dizer, às vezes até funciona. Porque às vezes quase tudo funciona para alguma coisa. Essa é a base conhecida para o uso de outros placebos.
E por que é caro?
Dentre outros motivos, porque a indústria sabe que o caro é mais efetivo como placebo do que o barato. 
E por que, mesmo, que não funciona?
Além dos motivos "bacteriológicos" básicos como os mencionados na postagem anterior, porque ao dar "remédio para a cólica" você precisa primeiro reconhecer o que é exatamente uma "cólica" do recém-nascido (algo mais mal entendido do que brasileiro em Nova Iorque). Não se tratando em 99,9% dos casos de "dor que a criança tem quando chora", não vai resolver mesmo (a não ser nos casos em que resolve "placebamente").
(Só mais dois detalhes "bacteriológicos":


Uma coisa é o lactobacilo "fabricado na sua própria barriguinha" - flora autóctone. Outra coisa é um lactobacilo vindo "de não se sabe onde". Funcionam de forma bem diferente. E aí, o segundo detalhe: você sabe como é "fabricado" o lactobacilo do Coli Cids, ou algo parecido? Não? Então não vou nem te contar, senão seu bebê vai perder o apetite! Só uma dica: estamos falando de bactéria do intestino, não é? Pense você...)

16 de maio de 2017

Koli Kids (Ou Algo Parecido)


Tenho vontade de chorar (mas me seguro) quando ouço falar de "medicamentos" como o recente Koli Kids (ou algo parecido).
A evolução do conhecimento sobre a flora intestinal nos últimos anos mostrou algo surpreendente: os lactobacilos são uma "minoria esmagada" (em contraste com a maioria esmagadora de outras espécies de bactérias). Significa que, independente da ingestão ou não de leites e derivados, acham-se não somente em quantidade ínfima no intestino como também em algumas áreas restritas dele. 
Não que não tenham função. Têm. Inclusive alguma importância (não se sabe quanta!) imunitária. Ou seja, sua presença como "bactéria do bem" também deve ajudar a desenvolver o sistema imunológico (mas é uma ajuda, não toda uma diferença como sempre se quis - e ainda se quer - crer).
Daí pra frente, é tudo (em 2017, que é quando vos escrevo) especulação.
Dentre outras barbaridades não levadas em conta quando "se toma" lactobacilo na forma de "remédio" é que ele se esvai pelo trato digestivo como seu dinheiro pelo ralo quando compra remédios sem efeito comprovado pela ciência. Essas bactérias não "fazem casinha" ali. São rapidamente eliminadas pelo cocô. A flora autóctone (ou seja, as bactérias que habitam sempre o intestino, de maneira mais ou menos constante) são, além de uma "assinatura individual" do organismo, relativamente insensíveis a mudanças no prazo longo (insensíveis à ingestão, não ao uso de antibióticos, radiação, imunossupressão, etc.).


Voltaremos ao assunto na próxima postagem (isso, claro, se a Aché não me achar até lá!).

12 de maio de 2017

Defenda-se das Defesas


Friozinho chegando, e a gente se defendendo como pode.
Sempre é prudente lembrar, no entanto, uma regra de ouro na saúde:
Toda mudança filogenética (ou, seja, mudança feita na história recente da humanidade) tem implicações desconhecidas na nossa saúde. 
Explicando de maneira prática: 
Se o homem das cavernas (em qualquer era na qual se queira comparar) comia carne de animais crua (ou, mais recentemente, "churrasqueada") é provável que o nosso organismo de homem moderno lide bem com a capacidade de digerir carne dessa forma, pois os milênios de "prática digestiva" prepararam a raça humana para isso.
Inversamente, no frio, seguimos duas práticas às quais nosso organismo não se preparou para que acontecessem (e por isso, temos poucas defesas criadas nesse pouco tempo de humanidade para lidar com isso):
A primeira é a do banho quente (ou mais propriamente "pelando"!). Nossas peles  são agredidas no processo. E lesam. Acrescida à lesão provocada pelo próprio frio, temos no inverno os problemas característicos de dermatites rebeldes.
A segunda é a da ingestão de líquidos quentes (ou, de novo, "pelando"). Nenhum homem pré-histórico tomou líquidos mais do que "morninhos". Provavelmente nosso aparelho digestivo não está adaptado para lidar com temperaturas muito altas, o que teoricamente poderia acontecer somente daqui a alguns milênios mais. Consequência: sintomas digestivos vários, mas principalmente o câncer, em pessoas suscetíveis.
O recado, com sempre, é a moderação no uso disso tudo.