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28 de novembro de 2014

Presente de Grego


Não adianta:
As batalhas contra a indústria já começam perdidas. Quando você pensa que o inimigo está batendo em retirada com um tacape, lá vem ele com um tremendo canhão.
É o caso dos derivados lácteos. Brigamos, brigamos (brigamos significa: brigo eu e mais uns poucos abnegados antipáticos!) contra essa praga na alimentação da criança chamada Danoninho e, quando começamos a ter alguma esperança, o que acontece?
Claro! As indústrias inventaram um "Danonão", um Danoninho para adultos - mas que as mamães já correram dar para os pequenos, claro: o tal iogurte grego (chique, não?).
O iogurte grego caiu no gosto da galera (no mundo inteiro), pois é mais consistente, mais "rico em proteínas" (grande coisa!) e "mais saboroso".
O não dito: cheio de gordura saturada (num processo de fabricação muito parecido com o do Danoninho, resultando numa quantidade de gordura total e saturada inclusive maior que a do Danoninho), adoçado de montão e, consequentemente, hipercalórico e relativamente pouco saudável, principalmente para crianças pequenas ou para crianças obesas ou com propensão à obesidade.
Na comparação com o "velho" leite?
O triplo da quantidade de carboidratos. O dobro da quantidade de calorias por porção.

Não é que essas novidades devam ser proibidas. Ninguém explode comendo um iogurte grego (pelo menos não no curto prazo)! A questão é a incorporação dessas coisas no dia a dia (em alguns casos no hora a hora). Não será nada bom.

25 de novembro de 2014

Encruzilhada


Remédio tem dessas coisas:
Se a gente alerta o paciente "um tantinho a mais" sobre reações adversas (perigos) de um determinado medicamento - mesmo que seja algo que aconteça, por exemplo, em menos de 5% dos pacientes tratados - já vai percebendo no olhar do paciente (no nosso caso, dos pais) aquele "Ih, então acho que não vou usar!...).
Calássemos (uma postura ao meu ver desonesta), possivelmente não haveria problemas (a não ser, claro, se a reação adversa não mencionada aparecesse, o que, convenhamos, é muito pior para ambos, médico e paciente).
Tem, além disso, o uso inapropriado (muito comum) do medicamento prescrito (para aquela situação ou para uma situação anterior, ou mesmo para uma outra pessoa, como um vizinho ou conhecido), Ainda assim, busca-se quase sempre um "culpado" para a reação adversa, quando ela ocorre. Principais "suspeitos": médico (mesmo que há muito tempo prescrito, e mesmo que "para outra coisa"), o medicamento (transforma-se logo num medicamento "que faz mal") ou, muito mais raramente, o vizinho ou conhecido (lógico, quem mandou confiar nele(a)?).
Assim, muita medicação boa foi pegando má fama (até porque remédio que é remédio tem, por definição, efeitos colaterais, diferente das medicações inócuas ou de efeito apenas placebo).
Aprendi (só) há pouco tempo (como médico, mas também como potencial paciente) como lidar com os medicamentos.
Devemos, a cada encrenca - grande ou pequena - nos perguntar:
O que é que temos disponível até o momento para tratar isso?
E aí:
É esta a melhor opção para mim?
Vale a pena (custo, efeitos colaterais, etc)?
Se a resposta for "sim", pague-se o preço (em termos de custo, efeitos colaterais, etc.).

Mas se a resposta for "não", também sabemos que pode haver um preço pela nossa escolha.

21 de novembro de 2014

Eternos Nunca Mais


Num dado momento, achamos que o mundo não teria fim.
Também até algum tempo, achamos que a expectativa de vida só faria subir, e seríamos, quem sabe, eternos.
No abuso do planeta só vamos pensando em nos mexer quando a água bate no joelho - ou quando a falta dela nos deixa de joelhos.
No nosso estilo de vida atual, talvez só iremos perceber que muito do que fazemos (ou deixamos de fazer) irá impactar na idade do fim quando seja tarde para possibilitar a reversão.
O fato é que, embora tenhamos na média muito mais lenha pra queimar que nossos bisavós, não parece provável que só caminharemos para frente no quesito longevidade.
Doenças metabólicas que nos põem ansiosos com o único resultado de nos fazer comer mais e pior, transtornos psicológicos de todo tipo e o consequente abuso de medicamentos que criam um ciclo vicioso doença-tratamento-mais doença, desagregação familiar ampliada pelo exagero tecnológico, poluição, violência gerada pela desigualdade, pelo consumismo, pela pressão midiática do sucesso medido pela possessão, sedentarismo forçado por fatores até recentemente inexistentes como o medo da violência e do trânsito, substâncias de abuso de efeitos nefastos e vício quase imediato afetando faixas etárias com um pé na inocência e a própria escassez de muitos dos recursos planetários serão alguns dos grandes obstáculos que as novas gerações terão que enfrentar (e logo!) se não quiserem desaprender o que significa um "velho gagá".

18 de novembro de 2014

Poop Art*


Fazer cocô é uma arte (ou quase).
Precisa ambiente, concentração, esforço. 
Para alguns, naturalmente dotados, a obra sai sem grande esforço.
Mas para a maioria, é a dedicação diária o que leva à perfeição.
Na criança pequena constipada (com intestino preso), os pais devem perceber que situações favorecem essa "obra": se é sozinha, acompanhada, longe de todos, sem barulho, com barulho, musiquinha, embaixo da mesa da sala, no jardim, etc. (estranho? já vimos estas duas situações ocorrerem...). Principalmente se já estiverem há algum tempo com o problema ou traumatizadas com evacuações difíceis.
Depois de corrigido o problema - o que pode levar meses ou até mais de ano, e na maioria das vezes com o auxílio de algum medicamento - é que se negociam situações mais "normais" ou "sociais" de evacuação.
Cuidado, no entanto, para não exagerar. Há "criançonas" que de forma meio inconsciente não resolvem a constipação, para continuarem tendo as mordomias citadas acima, além de outros mimos.



* Existe de tudo nesse mundo de meu Deus. Quando pensei no título da postagem, me veio "Arte de Cocô" (Poop Art, em inglês, um chiste à "Pop Art", arte popular). E não é que já havia? Figuras como esta acima são exemplos (acabados, pode se dizer assim) da mais pura Poop Art. Nada mais "popular" que um belo cocô...

14 de novembro de 2014

O Clube do Prato Limpo


Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Cornell mostrou que pelo mundo inteiro aquilo que você põe no prato é quase exatamente igual àquilo que você irá comer, ou seja, o estômago costuma ter mesmo o tamanho dos olhos, exceto - e aí o motivo para chamar a    atenção dos papais ansiosos - na faixa etária pediátrica (seja porque não sabem medir o volume necessário para a saciedade, seja porque não têm certeza se gostarão do que puseram no prato, seja por simplesmente não terem aprendido a "limpar o prato" ou se recusarem a fazê-lo por "birra").
Em épocas de vacas (e crianças) gordas devemos valorizar - e ensinar - a perceber dois avisos fundamentais:
Fome: muito se come "por falta de coisa melhor para fazer", principalmente em crianças engaioladas dentro de casa (ou com poucos amigos, ou longe dos pais por boa parte do dia). Na presença da fartura calórica, até mesmo adultos têm dificuldade de saber se irão comer por fome (como diz o guru da boa alimentação Michael Pollan: "Se você achar que está com fome, pergunte-se se é fome suficiente para comer... uma maçã! Se a resposta é negativa, possivelmente não é fome de verdade. E no caso da resposta ser positiva, coma... uma maçã!").
Saciedade: talvez mais difícil ainda de perceber, é o aviso do organismo de que "chega", você já comeu o bastante. Como há um pequeno "delay" (demora) entre o preenchimento das necessidades e o aviso (parte do reconhecimento se dá não ao nível do estômago, e sim a nível intestinal e mesmo cerebral após alguma absorção dos nutrientes), o melhor mesmo é ter uma noção pelas experiências anteriores ("costumo comer X, então X será a quantidade colocada no prato").