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6 de maio de 2016

Cliente Satisfeito


Estou eu a andar pelas fileiras de um determinado supermercado (o qual não frequento costumeiramente), quando de repente dou de cara com um setor (para mim) inusitado: panifício (pães, bolos, biscoitos, etc.) sem lactose!
Faz todo sentido existir um setor desses num supermercado. Assim como faria existir um panifício para portadores de hérnia inguinal. Ou um setor de higiene para viúvas, por exemplo (mas não vou ficar dando idéias aqui de graça).
A premissa de um setor desses é a de que alguém que seja intolerante à lactose vai comer um pão (ou um bolo, ou um biscoito, ou um etc.) e vai "passar mal" (seja lá também o que isso signifique). Pelo seu teor "normal" de lactose. Enquanto que nos pães, bolos, biscoitos e etc. daquele esperto (ou ignorante, ou ambos) supermercado, pelo seus baixos teores, não irá sentir nada a mais do que um "gostosinho na pança".
Confunde também essa rede de supermercado alhos com bugalhos (também aí a distinção deve estar feita por setor). Como já escrevi aqui, ninguém vai "ter um treco" ao se alimentar com lactose sendo intolerante. Pode, no máximo, se sentir incomodado com sintomas como excesso de gases, alguma leve dor abdominal, etc. Mas isso vai se fazer essencialmente com lactose do leite (e essencialmente do leite in natura). Não em traços ou em lactose transformada ao se confeitar. Menos!
A confusão se faz com a alergia, que não é à lactose, e sim às proteínas (lembrando que a lactose não é uma proteína, mas um açúcar do leite, e raramente alergênico, ou seja, causador de alergia) do leite de vaca (e essas sim, mesmo em pequenas quantidades poderiam induzir à sintomas até mesmo graves).
Como hoje em dia muita gente se descobre intolerante (e há mesmo muita gente com graus variáveis de intolerância, nada demais), percebe-se um novo filão. 
O filão da ignorância. Mais uma vez.

3 de maio de 2016

Crise nas Gerações


É interessante notar como mesmo em países mais ou menos modelos de assistência social como a França (ainda é) os mais jovens estão em posição de grande desvantagem.
Com seu habitual bate-e-volta no mercado de trabalho, estados têm recusado entrar com mais do que sempre entrou em ajudas sociais a esses jovens (auxílios-desemprego, saúde, bolsas de estudo, etc.).
Já os idosos ainda contam com benesses (auxílio-saúde a 100%, aposentadorias ainda polpudas, auxílio-medicamentos, etc.).
Duas razões são citadas:
A primeira e talvez mais importante, o fato de os idosos ainda terem maior poder de voto (lá, nesses países).
A segunda, relacionada à primeira, o fato de (nesses países) os idosos serem mais numerosos (e, portanto, com maior poder de voto) do que os jovens, o contrário do que acontece (ainda) nos países em desenvolvimento.
Ou seja, tanto lá como cá, os jovens andam em maus lençóis. E estão tendo que "pedir penico" para os mais velhos para manter seus custos elevados. A diferença é que em países como o Brasil, idosos já estão há muito tempo na corda bamba.



29 de abril de 2016

Poucas e Boas


Acho que não é novidade pra ninguém que o atendimento de pacientes em consultórios tem se tornado mais complexo com o passar do tempo.
No caso da Pediatria, não por algum motivo médico propriamente.
Por causa do volume de informações e pela maior (muito maior) demanda dos pacientes.
Por isso, não há - e tem pouca chance de haver - uma "crise profissional" na área médica.
Novos médicos - venham de onde vierem, desde que capacitados - serão sempre necessários, aparentemente.
É a coisa da "medicina individual", um conceito que nem sei se existe, mas que tem sido (aparentemente, de novo) desejado pelos pacientes.
Há algumas questões não resolvidas aí. A que custo, por exemplo, isso vai se fazer. Um médico não pode se dedicar a poucos pacientes por um honorário irrisório (a não ser em regimes autoritários que o obrigue a fazer isso, como em Cuba até recentemente). Assim como pacientes não devem esperar por um atendimento "de primeiro mundo" em Pronto Atendimentos abarrotados.
Pacientes informados são desejáveis na medida em que adiantam os tratamentos, mas atravancam o bom andamento com solicitações inconvenientes ou mal interpretadas.


A era da informação criou esse "monstro", e teremos que conviver com ele, não há volta. É como pedir pra jogarmos fora nossos smartphones. 

26 de abril de 2016

Expert


Engraçada a mãe expert.
Mais ou menos assim:

"Seu filho cresceu mais nestes últimos 2 meses".
"Foi por causa do leite que eu dei pra ele".
"Não, o leite tem pouco a ver com isso. Isso é uma característica genética. Quem tinha que crescer, vai naturalmente crescer".
"Não, doutor. Foi esse leite. Deu pra ver. E agora essa febre, por causa dos dentes que estão nascendo..."
"Essas febres são devidas a algumas doenças virais comuns nessa fase da criança, nada a ver com os dentes".
"Não, doutor, essas febres são, sim, por causa dos dentes. Já aconteceram duas vezes nesse último mês. E na última, com diarréia".
"Diarréia por causa dos dentes?".
"É".
E do jeito que a conversa vai, é o pediatra que vai aprendendo com a mãe.
"Por que você acha que ele ainda não está andando?"
"Na minha maneira de ver, é por conta dessa curvatura do pezinho".
"Pedimos exames? Algum especialista, quem sabe?"
"Não, doutor. Ainda vou esperar até completar 1 ano e dois meses. Há alguns casos na família. Se até lá não andar, levo a um ortopedista e recomendo a ele uma fisioterapia".

Então tá.

19 de abril de 2016

Sangue na Meleca




Uma bizarra estátua de um médico coletando fezes de uma criança (Filipinas)


A presença de sangue no cocô das crianças traz junto alguns dilemas.
As causas vão das mais simples (leve fissura anal, por exemplo) até as mais sérias (úlceras secundárias a causas mais graves, como alguns tipos de cânceres, só para dar um exemplo), e variam muito de acordo com a faixa etária, como acontece com muita coisa em pediatria.
Como uma regra geral muitas vezes aceita pelas famílias, sangramentos leves raros ou de curta duração podem ser só observados, se o paciente encontra-se de resto bem.
Convém sempre uma boa investigação da história pessoal e familiar.
Fotos do cocô com sangue (de um simples celular, por exemplo) também podem ser muito úteis.
O chato é quando não se pode protelar a investigação, pois dois dos exames mais recomendados (o raio X contrastado e a endoscopia baixa) apresentam dificuldades técnicas e logísticas (apenas poucos centros de referência os fazem, principalmente em crianças muito pequenas), e são referenciados aos especialistas, gastroenterologistas pediátricos.