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20 de fevereiro de 2018

Raios!


O documentário "Que Raio de Saúde" ("What the Health", apenas mais um título infelizmente traduzido), na programação da Netflix, é também apenas mais um filme de "terrorismo alimentar".
Há coisas boas nele. Mas há tremenda desinformação. E, sobretudo, perigosas omissões, dando a entender que se trata mais de uma série do que de um filme.
Ê certo que devemos moderar (não zerar) o consumo de carne. A questão do leite, embora mais complexa, também tem tratamento duvidoso no filme (aviso: é um filme claramente "vegano"!). A ordem ali é: leite? Nem pensar! O problema é o que colocamos no lugar. "Leite" de soja? Água de coco? Refrigerante? Suco? Cerveja? Volta o leite, com moderação (porque não é mesmo muito interessante que abusemos dele, por vários motivos).
Alimentos embutidos? Precisamos de mais alguém para nos alertar de que não prestam (ainda que - nham, nham! - deliciosos!)?
As partes calamitosas:
Quando uma pessoa qualquer (leiga tanto na área médica quanto nutricional) faz um documentário pobre (em todos os sentidos), corremos o risco de ver informações nutricionais sendo dadas por um "cirurgião do peso", "weight surgeon"! Sério? Isso é uma especialidade? Falando tanta bobagem, dá pra imaginar que escapou das aulas de bioquímica pra se dedicar às habilidades com a faca. Açúcar não tem nada a ver com o acúmulo de gordura? Rasgarei todos os meus livros! Isso é informação que qualquer calouro de medicina sabe embasar.
Mostrar casos de doença específicos não soma nada para uma correta informação, tanto na piora quanto nos casos "milagrosos" de cura pela dieta. É preciso mais do que isso para que adotemos normas de tratamento e, acredite, elas são muito estudadas e muito polêmicas!
Agora... concluir um filme sobre alimentação saudável omitindo nossa "porcariada" do dia a dia (especialmente da infância) como doces, bolachas, pães e bolinhos industrializados, sucos, refris, bebidas alcoólicas (presentes cada vez mais cedo na vida dos adolescentes) e etc. é como contar a vida do Lobo Mau excluindo todos os três porquinhos. Não dá!
Siga a série. E se é pra criar polêmica, melhor chamar o Michael Moore.

16 de fevereiro de 2018

Terapia do Nada


Também eu, preciso dizer em minha acusação, que já fui vítima do "exame diagnóstico terapêutico".
É aquela situação em que você está sentindo um(ns) sintoma(s) e, ao ser submetido à exame(s) - principalmente exame caro ou algo "trabalhoso" - subitamente... cura!
É o princípio das - hoje em dia menos em voga - "cirurgias espirituais", quando os cirurgiões (especialidade: espírita) chegavam a mostrar algo de sangue (geralmente animal), bisturis, pseudotumores retirados, e o paciente após a "cirurgia"... melhorava!
Todos somos pelo menos um pouco influenciáveis. E portanto sujeitos à cura pela auto-indução. Mas principalmente quando não temos nada de muito sério, é bom que se diga. 

13 de fevereiro de 2018

Momo


Antigamente, quando pensava em Carnaval, a primeira musiquinha que me vinha à mente era "O teu cabelo não nega a mulata...", não sei exatamente o porquê.
Hoje em dia não pode. Nem "cantar pra dentro" pode. Nem reproduzir aqui acho que pode (por isso peço sua compreensão com a menção histórica, sem nenhum preconceito).
Nada mais pode, sempre em nome do politicamente correto.
No Carnaval, então, não se pode mais:
Voltar sóbrio para casa, principalmente se for dirigindo.
Guardar a urina para depositar no vaso de casa.
Respeitar o sossego de quem aproveita a data apenas como descanso.
Ver televisão com algum tema não-carnavalesco.
Não ver entrevista com Preta (é o nome dela!) Gil ou Cláudia Leite ou Anitta (?).
Trabalhar.
Ver algum político trabalhando.
Ô data chatinha!

9 de fevereiro de 2018

"Baby High"


Com muito menos "ibope" do que outros chamados neurotransmissores (substâncias químicas que comunicam nossas células nervosas) como a dopamina, a serotonina ou a própria adrenalina, a anandamida é responsável por muito da sensação prazerosa que a química cerebral pode gerar.

Ela age nos chamados receptores canabinóides, os mesmos responsáveis pelo "relax" da maconha.
E o interessante é que existe um remedinho bem básico na área pediátrica (mas não somente nela) que age inibindo a recaptação da anandamida nas sinapses, a junção de duas células nervosas (de maneira muito parecida com a ação dos antidepressivos como a fluoxetina): é o paracetamol!
Pais de todo o mundo (?) instintivamente já há muito tempo aprenderam que, ao usar paracetamol para seus bebezinhos "nervosos", deixam eles tranquilinhos, tranquilinhos!... (claro que há grandes diferenças individuais nesses efeitos, como em qualquer medicação desse tipo!).
Mas...

É evidente que não é para usar!!

6 de fevereiro de 2018

Alma do Negócio


Sendo filho de médico, desde criança sempre convivi com revistas médicas, nas quais um monte de propaganda de remédios se incluíam. 
Mas nunca consegui "engolir" aqueles rostos de pacientes satisfeitos, com tal ou tal medicação.
Sempre achei que o rosto satisfeito devia ser o de quem passava longe dos remédios, na medida do possível.
E pensando hoje sobre isso, me dou conta de que muitas daquelas medicações de pacientes sorridentes e satisfeitos, ou não se usam mais ou, pior, acabaram condenadas como medicações "perigosas" ou ineficazes.

Claro, não há de se querer que uma indústria com tanto investimento não propague seus produtos. A questão é que quase a toda hora esse tipo de publicidade pisa na ética, "esquecendo" de efeitos colaterais, maquiando dados, convencendo pacientes ignorantes no assunto de que o que eles precisam é justamente daquilo.