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18 de dezembro de 2015

Mar de Exames


"Médicos que pedem mais exames têm menos chances de serem processados".
Por que a notícia deveria ser novidade? Novidade se fosse o contrário!
E por que eu fico nessa de defender menos exames?
Por chatura. Por teimosia. Por saudosismo de uma época em que o que valia era a pessoa, o todo, e não uma batelada de papel com números complicados.
Bobagem, digo à mim mesmo. Quando levo meu complicado carro à oficina não quero mais o mecânico entendedor, com pedaço de estopa no bolso do macacão, coçando a cabeça, olhando para dentro do capô. Quero o cientificismo do computador, da análise detalhada, da técnica indiscutível. A mesma técnica indiscutível que criou o carro, que dê um jeito quando algo pifa (ou melhor ainda, quando ameaça pifar). 
Não somos carros. Não somos nós, médicos, que criamos o ser humano. E com milhares de dados à mão podemos ainda assim estar compreendendo muito pouco do que pifa (ou do que ameaça pifar), e talvez seja muito bom parar um pouco à frente do paciente (sem estopa no avental) fazendo considerações à respeito dele, só evitando de coçar a cabeça.
Não é o que povo quer. Seu conceito em relação ao "médico moderno" debandou para o lado moderno, algumas vezes pseudocientífico, com cara de complicado, mais desumano e mesmo totalmente irracional.
Manchetes como as de cima convencem facilmente. Médicos e juízes (vejam que não se trata de serem "condenados", e sim "processados" o que pode ser bem diferente). Pedir "todos os exames possíveis" é sempre sinal de que "todo o possível está sendo feito", ainda que assim se tenha menos tempo para olhar o dono das amostras com mais cuidado.
Já vi grande quantidade de exames possibilitar diagnóstico difícil prontamente. Pacientes que se beneficiaram não querem discussão. No caso oposto (que, aposto, seja muito mais frequente), culpa-se tudo, menos a falha desse sistema. 
Finitude de recursos? Poupança? Impedir desnecessários sofrimentos (notadamente nas crianças)? Não têm sido bons argumentos. 

Paremos, então, de chorar. Que venham as agulhas!