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20 de junho de 2008

Reserva Técnica


Se você não é médico, provavelmente nem sabe o que é um apêndice vermiforme.
Então: é aquele mini-intestino, uma espécie de... apêndice mesmo, situado logo após a transição entre o intestino delgado e o intestino grosso.
Mas... para que serve o apêndice?
Se você respondeu: para ter apendicite, acertou metade da resposta.
E para que mais serve?
Claro, dirá você, para contribuir com o soldo dos cirurgiões.
Também correta. Sem o apêndice para inflamar, dois terços dos cirurgiões gerais do planeta teriam casas sem cozinha e área de serviço.
Mas há uma outra teoria, publicada em artigo recente de biologia e noticiado no New York Times dessa semana.
Segundo os pesquisadores, o apêndice, afastado do fluxo intestinal carregado de bactérias “do mal” provenientes dos alimentos por apenas um minúsculo buraquinho, seria uma reserva de bactérias intestinais “do bem”. Estas bactérias assumiriam o papel de invadir o intestino e se multiplicarem quando o equilíbrio boas bactérias vs. más bactérias fosse ameaçado.
Verdadeiro? Falso? Ainda uma incógnita. Difícil de comprovar. E talvez desnecessário.

Falando em desnecessário, ainda na série “Coisas imbecis que a indústria quer que acreditemos”, há poucos comerciais mais patéticos do que os do sabonete Protex “antibacteriano” (mais patéticos, talvez, apenas seus crédulos consumidores).
Então nestas décadas todas, lavávamos as mãos pra nos livrarmos do quê mesmo? Dos mini-Godzillas?

24 de junho de 2008

Mão na Massa

Ainda falando em apêndice, conheci um cirurgião (não se preocupem, já aposentado) que o retirava “preventivamente” do corpo da vítima, digo, do paciente, operado por outro motivo qualquer – sem prévia anuência, claro – já que “aquilo lá só ia lhe incomodar”!
Ainda que fosse o apêndice, fico a imaginá-lo tomando outras decisões similares:

- Meu amigo, sua cirurgia do estômago foi um sucesso!
- Obrigado, doutor. Correu tudo bem?
- Mais do que bem. De carona, aproveitando a anestesia, retirei suas amídalas. Afinal, não era você que se queixava de que viviam incomodando?
- Sim, doutor, mas é que...
- Ah, e sua vesícula...
- O que é que tem minha vesícula?
- Sua, não! Agora pertence ao nosso patologista, rá, rá! Sabe como é. Daqui a pouco você está com quarenta, não sabe o incômodo que eu lhe livrei, daquelas terríveis dores no abdome.
- Mas, doutor, não vai fazer falta?
- Nada! E mais: seu baço, sabe pra que serve um baço?
- Ãh...
- Pois é. Pra nada, nada mesmo! Saquei-o, OK?
- Ai!
- Ah!...
- O quê, doutor, o quê?
- Andava transando ultimamente?

10 de outubro de 2008

No Nosso


-E aí, doutor, é menino ou menina?
-Nem um nem outro. Dessa vez foi só uma vesícula.

O que poderia parecer piada é a nova modalidade cirúrgica que está provocando salivação nas grandes indústrias de materiais endoscópicos (a poderosa japonesa Olympus é uma delas) e nos cirurgiões ávidos por novidades – nem sempre em benefício do paciente.
Ainda em fase experimental, a cirurgia chamada de transluminal por orifícios naturais (NOTES, sigla em inglês) quer reparar (ou retirar) quase todos nossos problemas através dos nossos, digamos, “buracos” (boca, ânus e – acredite – vagina!).
Já há relatos de biópsia de fígado, retirada do baço, de apêndice, de ovário e de vesícula em animais (cães). Claro que um ou outro morreu logo em seguida. Detalhe. Até agora nenhuma família canina processou os médicos envolvidos.
Mas (pasmem!): seres humanos têm se submetido. Awilda Sanches, fisioterapeuta americana teve sua vesícula biliar retirada via vaginal (difícil imaginar por que caminhos, não é?) com a nobre finalidade de “usar um biquíni sem ter que se preocupar com a cicatriz”(!).
Gente, é claro que a nova modalidade deverá ser útil (por exemplo, em pacientes muito obesos, nos quais os cortes e cicatrizes são um grande atrapalho para cirurgias convencionais).
Mas cirurgias convencionais são feitas pelo menos desde os tempos napoleônicos e, embora devamos nos modernizar, procedimentos cirúrgicos envolvem riscos. Neste caso, riscos novos e desconhecidos (e pior, não estudados).
Portanto, você que me lê neste momento, seria muito sensato em não se submeter a nada parecido neste seu resto de vida.

8 de julho de 2011

O Primeiro Vício - Uso de Chupeta


A terna relação entre a chupeta e seu usuário fala ao coração de quem presencia as cenas de intimidade.
Principalmente quando o chupeteiro em questão é pequeno e os espectadores são seus pais.
Em muitos casos a chupeta passa a ser como um apêndice, passa a ter quase o valor de um narizinho (ou pelo menos de uma marca na bochecha) daquele que a utiliza, na visão dos que viram a criança desde os primeiros dias com aquela geringonça plástica na boca.
Talvez por isso seja tão difícil tanto para os pais, avós, titios e titias quanto para a criança a abertura do alçapão definitivo para o estragador de dentes, de sorrisos - e até de faces.
Não sou um ACR (um Anti-Chupeta Radical), como muitos dos meus colegas, até porque tento não ser hipócrita. São poucos os pais que suportam toda uma infância de seus filhos sem algum precioso consolo oral. Glória aos que conseguem!
A implicância é com os que nunca se resolvem a dizer adeus.
O progressivo desapego à chupeta é um interessante indicador da maturidade infantil bem como dos cuidados parentais.
Não é a criança quem deve decidir o momento de largar, são seus pais! São eles que devem mostrar à criança a firme decisão, o real propósito de não voltar atrás na primeira choradeira, nos momentos de carência ou de ansiedade.
A proposta é que em crianças um pouco maiores se faça a “festa de jogada fora” da chupeta (coisa pequena, mas emblemática, como um verdadeiro evento, para que a criança se lembre do momento como algo definitivo).

A esse propósito, vemos muito o “não foi ainda o coelhinho da Páscoa que levou, vai ser o Papai Noel”, depois: “ainda não foi o Papai Noel, vai ser o coelhinho...”.
(e porque não pode ser outro o vetor? O gnomo das chupetas – que não tem data certa - por exemplo?)

10 de junho de 2011

O Penoso Processo do Crescimento - Dor do Crescimento



Crescer dói.
Inclusive metaforicamente.
(Para que cresçamos como pessoa, muitas vezes temos que tomar algumas bordoadas e isso, naturalmente, dói!).
Mas a tal “dor do crescimento” das crianças (dores nas pernas) é motivo freqüente de questionamento por parte dos pais.
De forma curiosa, a queixa quase sempre vem como um apêndice, um adendo nas consultas: “Ah, e tem também dor nas pernas!”, quando já se estava “fechando” todos os assuntos (aparentemente pela própria percepção dos pais de que o problema não deve ser assim tão sério - tanto que muitos já vão dando o diagnóstico: “deve ser do crescimento, né?”).
As razões da dor vão além do fato do osso crescer (ou crescer muito). Outros ossos também crescem, e quase nunca doem!
Há a sensibilidade individual para dor. Há algumas vezes situações domésticas conflituosas, como briga dos pais ou nascimento de irmãos. Além disso, algumas crianças sobrecarregam membros inferiores em atividades físicas (como pular da cama, rollers - os bisnetos dos patins, etc.). Tudo isso pode se somar para contribuir para os processos dolorosos.
Na maioria das vezes, no entanto, com algumas poucas questões o pediatra consegue perceber quando pode se tratar de algo diferente, que merece investigação mais aprofundada.

Repaginada

Eu, como você pôde ver, fiz algumas alterações de leiautch no Olho (não no meu, no blog! – os meus já não têm mais jeito...). Fi-lo (ui!) principalmente porque queria um visual ao mesmo tempo mais clean e letras mais legíveis (não para você, amado(a) leitor(a), mas para que aquela senhorinha sentada ali na cadeira de balanço no fundo da sala também possa tirar algum proveito dos nossos escritos).

Ficou bom? Odiou? A cor ficou com cara de quarto de criança?
Bom, não se pode agradar a todos...
(Ai! No processo meu contador de visitas voltou umas 80.000 casinhas pra trás, fazer o que?)

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