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5 de fevereiro de 2010

Bola de Cristal


“Posso ver aqui pelo seu exame de sangue uma pequena infecção, localizada no terço médio da sua orelha esquerda. Há ainda um indício de uma sinusite e uma tumoração ao nível da 4ª. vértebra torácica – tuberculosa, se não me engano. Posso notar também que o vinho que você tomou ontem à noite – bacalhau a Gomes de Sá era o prato principal? – não era de boa safra, 1987, seus glóbulos vermelhos me indicaram. Essa celulazinha aqui mostra a presença de mau-hálito, periodontite mal-curada, consulte seu dentista a respeito.
Ah, e... chulé!”

Parece exagero?
Mas é mais ou menos o que muitos pais desinformados esperam do “exame de sangue”.
Quando pais insistem para que os médicos solicitem exame de sangue – moda, atualmente - estão quase sempre esperando um pedido de hemograma (ou seria uma dosagem de α-1-glicoproteína ácida?).
E hemograma informa muito (mas muito!) menos do que os pais imaginam, principalmente em crianças saudáveis e sorridentes.
Então, o que se pode ver num hemograma:
◦ anemia (anemia tem diagnóstico clínico, ao exame físico, e com freqüência é diagnosticada erroneamente em crianças, pois os valores são diferentes dos adultos).
◦ infecção (de novo, como adjuvante do exame clínico e da história de doença do paciente)
E muito pouca coisa a mais! (pode-se ver indícios – apenas indícios quase sempre - de alergia, doenças inflamatórias, alguns tipos de câncer e/ou problemas nutricionais).
O que não se pode ver num hemograma:
◦ se a saúde – de uma forma geral – vai bem
◦ se há alguma deficiência nutricional
◦ não se pode prever doença com hemograma
E, principalmente, tem muito menos valor do que um bom exame clínico do médico que acompanha o paciente!
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