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29 de dezembro de 2008

Cansado Cancioneiro

“... Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender!”
Quando alguém “puxa” a velha cançãozinha de fim de ano, fica fácil me localizar. Eu sou aquele do canto da foto, com olhos revirados e fingindo que canta, fingindo a maior animação.
Não, porque a música é péssima, a letra sem a menor sutileza poética, mas mesmo assim, um sucesso total (ei, quem falou em J Quest?).
Da minha parte acho um exagero.
“Algum dinheiro no bolso” estaria muito bom, até porque não anda tendo “muito dinheiro” para todo mundo pôr no bolso, né?
“Saúde”. Ponto. “Pra dar e vender” na minha idade já não tá dando. E depois, vou vender saúde como? Tirando da minha? Se é assim, deixa (eu já não estaria com “muito dinheiro no bolso”, mesmo? Pra quê mais?).
Chega de crítica.
Pra todos, então:
“Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo...”
(que coisa mais manjada!)

25 de dezembro de 2008

Repórter B_B_C_


Natal.
Até pra um simples blogueiro, essa obrigação. Incluir o Natal no assunto.
Então nos jornais, é assim: crime com Papai Noel, esportes natalinos, política, economia, tudo obrigatoriamente relacionada ao Natal.
Pra não fugir à regra (por quê?), dei uma garimpada em temas de saúde ligados ao Natal.
É de chorar.
Escolhi, então, uma notícia do site da BBC.
Não pela importância do tema, e sim pela cara de ... da repórter que, ao visitar uma típica família comendo uma típica ceia de Natal vai mostrando o quanto de sal a mais do que a recomendação diária se come à ceia.
Ceia devidamente atrapalhada pelo nutricionalmente correto, termina com a óbvia conclusão (cuja ficha só deve ter caído ao final da reportagem, mas daí vai assim mesmo):
“É claro que só se come assim uma vez por ano, mas serve para mostrarmos ...”
Ah, tá!...

(Felizes Festas a todos).

23 de dezembro de 2008

Rogai Por Nós


“Sssss... Tréssssss!”
Parece uma onomatopéia do bote de uma jararaca, ávida para despejar alguns ml do seu veneno na descuidada canela do visitante da mata, descuidado.
Talvez por isso o aportuguesamento (“estresse”) não pegou. É menos impactante. Dá menos sentido do estrago que promove.
Como já vimos, o cortisol é um hormônio que nos beneficia. É ele que provoca aquela “injeção de ânimo” que nos faz acordar dispostos para os desafios da vida. Isso pressupondo o viver num mundo equilibrado, com altos e baixos nos estímulos, preocupações, sufocos e demandas.
O estilo de vida atual (por motivos variados) bagunça este desejado equilíbrio. Deixa, por conseqüência, a glândula supra-renal (produtora do cortisol) mais perdida que ministro da economia (ela é, de certa forma, uma ministra da economia orgânica).
Aí é aquela coisa: tome cortisol no meio da madrugada (insônia, gastrite, dores de cabeça), e cadê cortisol no início do dia (depressão, desânimo, sonolência, mau humor, etc.). Seus níveis flutuantes, saudáveis, vão deixando de existir (inúmeras pesquisas recentes têm demonstrado).
Crianças: até naquelas em que os lares tenderiam a ser mais equilibrados (menos apertos financeiros, maiores facilidades sociais) há pragas modernas para afetar a produção do cortisol.
Exemplo?
Não me obriguem a falar. Vou dar apenas as letras iniciais (vídeo) e as finais (guêime)...

(quem gosta de temas adultos no cinema - meio raros nas locadoras – deve ver o filme “A Família Savage”, filme que aborda um problema pelo qual quase todos nós podemos ou devemos passar: o dilema de “quem-cuida-de-quem-quando–as-coisas-não-vão-mais-muito-bem” nas famílias. Assunto difícil, mas tratado com algum humor e muita sobriedade. No elenco, Philip Seymor Hoffman e Laura Linney. Não precisava mais ninguém. Sua locadora não tem? Então também não alugue Homem-Aranha!)

Dúvidas em relação à sexualidade do filhão? Calma, pode ser cedo demais...

19 de dezembro de 2008

Vara-Paus e Pedras


Pedras da indústria alimentícia e dos irados endocrinologistas picaretas devem ser endereçados ao site do British Medical Journal, não ao meu.
Em editorial recente, o nutricionista da Universidade de Glasgow de nome sugestivo (Lean, "magro" em inglês) chama novamente atenção para o fato de que a indústria propaga e vende (e vende muito) alimentos que teriam a propriedade de nos tornar “mais saudáveis” tirando isto ou colocando aquilo nas suas composições nutricionais.
Enquanto isso, vemos mais pessoas supostamente mais bem informadas, obesas e doentes.
“Efetivo e seguro” (veja bem “... e ...”!) para perda de peso – lembra o autor do artigo – “somente exercícios físicos, alguma restrição calórica e, em termos de medicação (ai, lá vai!), orlistat e sibutramina. Para os casos severos, a cirurgia bariátrica como último recurso”.


Verão chegando, prancha de surf à mão, tanguinha de crochêt (já passou da moda?) e uma triste constatação:
Nessa minha idade, quem não passa pela faca tem duas alternativas:
O viço da pelanca ou os penduricalhos da gravidade.

16 de dezembro de 2008

Carguinha Pesada


Um artigo recente no jornal francês Le Monde mostra que lá - assim como aqui – costumamos cavar nossos próprios buracos e depois nos queixamos da dificuldade de sair deles.
O artigo cita outro publicado por duas pediatras nos arquivos franceses de Pediatria dando conta da “clientela” dos serviços de urgências pediátricas.
São casos e mais casos de consultas “de rotina” (“falsas urgências”, então), que param nas emergências por vários motivos:
◊ desconhecimento da população do que é realmente uma emergência médica
◊ esgotamento dos serviços médicos habituais
◊ trabalho materno (o que facilita o acompanhamento das mães no horário noturno, “emergencial”)
◊ medicalização da puericultura: pais que, por buscarem seus pediatras nos menores problemas, sentem-se incapacitados para lidar com qualquer situação diferenciada
◊ facilidade de acesso ao serviço (residência próxima ao hospital)
◊ “impulsividade”: pais que tentaram isto ou aquilo (remédios caseiros, medidas aconselhadas por parentes, etc.) e que, de uma hora para outra, precisam resolver o problema da criança
◊ incapacidade das famílias de lidar com pressões e angústias, por menores que possam ser (típica dos tempos modernos)
◊ “consumismo”, que também se manifesta em serviços médicos
E aí é aquela coisa: pediatras esgotados (nem que seja por terem que repetir as mesmas informações) e mal-humorados, pacientes insatisfeitos (e algumas vezes agressivos), queixas administrativas (faltam profissionais que se candidatem ao trabalho, por motivos óbvios).
O que fazer? (é o que também pergunta o artigo)
Aguardamos as respostas.

Du Capeta

“Não mexa com o Machado”, avisou Mainardi. Quase que ia concordando. Mas a Globo mostrou que dá pra
relê-lo, modificá-lo. Claro que dá. Michel Melamed lançou vôo pro estrelato. Elephant Gun, a música, caiu como uma luva.

Sapatas Voadoras

Péra. Não me diga que o Bush não andou
treinando (a gestão inteira, ao que parece). Ninguém desvia tão bem do apreço popular dum dia pro outro.
Lula, vai
tu também treinando!

12 de dezembro de 2008

Pés No Chão

Num país composto majoritariamente por analfabetos (funcionais ou não), aculturados, preguiçosos intelectuais e telespectadores preferenciais (mas tá melhorando, devagarinho tá melhorando...), imagina a dificuldade de se fazer compreender.
Acontece conosco, médicos, como acontece em várias outras áreas.
O busílis é que muitas das vezes nem nos damos conta de que não estamos sendo compreendidos (ou, algumas vezes pior, estamos sendo mal compreendidos).
Quando, ainda por cima, os assuntos médicos mexem com a esfera íntima, sexual, então, aí a coisa fica feia.
Rótulo de sabonete íntimo, por exemplo. Tá lá no modo de usar (claro, é bom se certificar do modo de usar): aplique na região genital externa...
Cuma?
“Região genital externa”? Isso fica onde, minha filha?
Nunca me esqueço dum episódio ilustrativo do nosso abismo cultural no tempo de faculdade.
Durante a aula prática da matéria Sexualidade Humana (é, tinha aula prática disso, mas não era, como a princípio pensávamos, nenhuma sacanagem), uma de minhas colegas, algo pudica aparentemente, pergunta para a simplória paciente:
-Quantas vezes a senhora faz amor por semana?
-Como?
-Amor. Faz quantas vezes por semana?
-Hein?
A aluna olha para os lados, meio envergonhada.
-Quantas vezes a senhora transa por semana?
-Como assim?
Inconformada com o alheamento da pobre paciente, ela manda:
-Trepa, minha senhora! Manda ver, dá uma raquetada, espanta a coelhinha!...

(liberdade de imprensa é isso: qualquer coisa que eu escreva pra esse blog, o pessoal do conselho editorial aceita!)

9 de dezembro de 2008

Fraco Apoio


Doença reumática. “Reumatismo” (termo vago, mas citado na pergunta dos pais) é a dúvida em muitas crianças que se apresentam com dores em membros (pernas, sobretudo), dores tão comuns.
Mais do que a história do paciente e o exame clínico, o que parece fazer diferença na aceitação do diagnóstico pelos pais é o exame laboratorial.
Acontece que – como bem mostra comentário recente no jornal americano de reumatologia pediátrica – os dois exames mais utilizados para diagnóstico da doença reumática em adultos (fator reumatóide e anticorpo anti-nuclear) não servem para as crianças.
No caso do ANA (anticorpo anti-nuclear), por exemplo, é comum o resultado positivo em crianças perfeitamente saudáveis. Além disso, a maioria das crianças com artrite idiopática juvenil não apresenta fator reumatóide positivo (ao contrário dos adultos).
Daí é aquela coisa: confiança na palavra do médico (baseado nos dados de história e exame) e... ponto final.
Isso nessa época de super-valorização de exames!

Aumente o volume

Para uma criança pequena, um mero
pum pode ser uma experiência assustadora.

E aí, mudando inteiramente de assunto:

Quando um
gigante cai, o barulho é enorme.

5 de dezembro de 2008

Estatuto Errado?


Então:
Como fazer com que nossas inocentes crianças consigam escapar das afiadas garras desse ubíquo monstro chamado consumismo?
Parte da inglória tarefa deveria caber ao governo, através da legislação contra a propaganda direcionada às cabecinhas imaturas.
Digo deveria porque – como bem mostra a edição da revista Psique, nas bancas, merchandising gratuito, claro – leis que proíbem a veiculação de certas práticas publicitárias até que existem. Apenas que (adivinhem!) são freqüentemente burladas ou mesmo ignoradas. Até porque leis costumam ter dificuldades para lidar com os dribles e as sutilezas da indústria da propaganda. A turma, como se diz, não é fraca.
São elas:
No Código de Defesa do Consumidor: ainda em tramitação (até onde eu saiba), que de tão completa está com toda a cara de que “não vai pegar”.
No Estatuto da Criança e do Adolescente: artigo 76 (não no 37, como cita a revista). Vago. Vaguíssimo, na verdade.
Na Constituição Federal: artigo 227. Mais vago ainda.

2 de dezembro de 2008

Ramadão do Cartão


E, por falar em compras, você, no último sábado, aproveitou seu dia com as crianças e se meteu num shopping para a gastança do fim de ano, não foi?
Então perdeu a oportunidade (não chore, ano que vem tem mais!) de participar dum movimento crescente - mas ainda muito tímido – iniciado na França a cerca de 2 anos, o “Dia Sem Compras”.
Seus criadores têm a intenção de aproveitar a crise econômica mundial para criar uma nova consciência (contra tudo e contra todos): começa a haver menos recursos planetários, os grandes consumidores somos apenas 20% da população e, o pior da história, se de um lado esse consumismo todo escraviza países inteiros (218 milhões de pessoas abaixo dos quinze anos ajudam – e muito – a alimentar esta triste indústria), do outro, não tem servido para nos tornar mais felizes.
Você, que quer continuar com sua meia gorda neste Natal, dirá:
-De que adianta? Compraremos tudo no domingo, no dia seguinte...
É isso aí. Por enquanto é assim. E mesmo no sábado estacionamentos de shoppings e supermercados estiveram cheios.
Porém, tudo tem um começo.