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26 de maio de 2006

Freio de Mão


Todos nós já percebemos como as crianças são guiadas por estímulos no primeiro ano de vida: o estímulo mais forte passa por cima dos outros. Por exemplo, quando o bebê chora de fome (1º. estímulo) e ouve um barulho forte (2º. estímulo), muitas vezes pára de chorar.
À medida que as crianças crescem, tornam-se mais focadas. Assim, quando querem um determinado brinquedo, vão persistir até terem seu desejo atendido (é a fase das “birras”).
A partir de alguns anos de vida, começam a planejar, pensar a longo prazo e levar em consideração o desejo dos outros.
O que muda para que existam estas diferentes fases?
O lobo pré-frontal do cérebro vai se tornando cada vez mais desenvolvido.
O lobo pré-frontal (uma fina camada na parte do cérebro localizada atrás da testa) é a última a se desenvolver completamente no ser humano (só se desenvolve plenamente ao final da adolescência). É esta parte do cérebro a responsável pela chamada função executiva.
Função executiva: a capacidade de decidir (“vou construir um castelo de brinquedo”), planejar (“para isto, preciso deste e daquele material”), executar (o próprio ato da construção) e avaliar (“ih, não deu certo, vou tentar de outro jeito”).
Por isto, não esperemos que crianças e adolescentes tomem decisões plenamente “conscientes” (muitas vezes pais e responsáveis precisam “pensar por eles” - claro que respeitando sua autonomia em formação).

27 de janeiro de 2009

Viver Pelo Prazer


“...E não há tempo que volte, amor,
Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir...”
(Tempos Modernos – Lulu Santos)

Sexo compulsivo, drogas, álcool, direção perigosa, “altos” sons. O que têm em comum?
Dão prazeres imediatos. São “patadas de cavalo” no cérebro, do mais puro prazer. E de efeito de curta duração. E que geram, após, duas sensações bem conhecidas nos jovens: certo mal estar e necessidade de mais (até para afastar a sensação de mal estar).
Não adianta espernear. A maioria dos jovens tende mesmo a buscar “sensações”. É da idade. É da vida. Até por – como já vimos (jovens têm seu lobo pré-frontal ainda em formação) – questões anatômicas e funcionais. Simplesmente se recusam a acreditar em conseqüências, em conceitos de poupança, em finitude (por este motivo, adolescentes muito certinhos nos dão a impressão de que não são lá muito “normais”).
Além disso, a liberação de uma determinada substância no cérebro, a dopamina, comum a todos estes prazeres, é mesmo “viciante”. E quando há maiores ou menores desequilíbrios em outros neurotransmissores (a dopamina, assim como a serotonina – o “defeito” acusado como principal responsável pela depressão – é um neurotransmissor), é como se a dopamina passasse a ser ainda mais potente em seus efeitos “high”.
Logicamente não devemos apenas nos conformar com a assunção de riscos. Uma palavrinha nos vem à mente quando se trata de contrabalançá-los: valores.
Há jovens que já os têm. Há outros que precisarão aprendê-los a duras penas. Há, ainda, outros, que parecem que são renitentes.
Paciência com estes.
(obs.: há teorias de que pessoas – de qualquer idade – que destroem suas vidas em busca de sensações possam ter níveis baixos de dopamina no cérebro – seriam os que viciam muito mais facilmente)

21 de julho de 2006

Não Faz Isso, Filhão!


Comportamentos de risco em adolescentes não costumam ter, ao contrário do que se pensa, origem na desinformação.
Os adolescentes de hoje são, na média, muito mais informados que os de épocas passadas.
Por que, então, se colocam em situações de risco com tanta freqüência?
Em parte pelo fenômeno denominado otimismo não-realista, que nada mais é do que a “velha” maneira de pensar: coisas ruins acontecem com outros, não comigo (muitos adultos também pensam assim). É um mecanismo de defesa psicológico, talvez para que não vivamos em pânico.
Outro motivo é o de que a balança: prazeres imediatos X conseqüências a longo prazo costuma pender muito mais para o lado da primeira, também natural nesta fase em que parecem ter toda uma vida pela frente. *
Ainda: o desenvolvimento da autonomia, próprio da fase, se afirma justamente no desafio das autoridades (pais, professores, autoridades legais).
Além disso, a influência do grupo costuma ser importante (e tanto mais quanto maior for a ligação com o grupo).
Mudanças de tais comportamentos (sejam eles sexuais, de conduta, etc.) exigem que os pais exerçam autoridade sim, porém com respeito aos valores dos adolescentes e à sua autonomia, ainda que esta deva ser limitada pela razão.
(nota: muitos dos jovens que levam a vida perigosamente são portadores de problemas psiquiátricos – às vezes não diagnosticados – como TDAH, transtorno bipolar, transtornos de personalidade e de conduta).
* lembremos que estas características são dependentes da incompleta formação do lobo pré-frontal.