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16 de janeiro de 2009

Pare, Mas Não Fique Passivo


Quando aquela incômoda (e, em graus variáveis, incapacitante) dor de cabeça da enxaqueca vem, é importante saber o que fazer e - o que não fazer - com ela.
Dentre outras coisas, é importante reconhecer a dor de cabeça como crise enxaquecosa. Principalmente em crianças, os pais têm a tendência a não reconhecer este diagnóstico, impedindo dessa forma os benefícios do tratamento (buscando, por exemplo, diagnósticos mirabolantes, com desperdícios de energia e criando temores desnecessários na criança).
Outras medidas que beneficiam são:
◦ buscar ambiente calmo, com pouca ou nenhuma luz e silencioso (sugeriria um cartaz para afixar na porta do quarto do enxaquecoso: “Não perturbe, enxaquecoso repousando!”)
◦ não deixar de comer, mesmo se a náusea estiver incomodando, pois principalmente em crianças o jejum é fator precipitante importante
◦ não pensar catastroficamente em relação ao significado das dores (estilo: “estou com dor, é muito ruim, mas o meu mundo não vai acabar por causa disso”). Pais (principalmente mães) têm um papel importante aqui
◦ não deixar de usar analgésicos (pouco potentes e mais seguros, de preferência) ao perceber início de crise. Um erro comum é quase nunca querer usá-los “para não acostumar” o organismo. Bem usados, abortam ou diminuem crises mais intensas e dão confiança na melhora para as crianças.
◦ reconhecer os fatores precipitantes, principalmente em períodos mais susceptíveis

13 de janeiro de 2009

Maçante


Nigella parece nome de país africano. Mas é como se chama a bela gourmet rechonchuda apresentadora do programa de receitas do GNT, canal fechado, talvez você já tenha visto.
Não sei se viu também sua luta para perder peso num outro recente programa do mesmo canal.
Nele, a moça mostrava a tentativa frustrada de perder peso numa dieta que se constituía basicamente de frutas, numa das táticas a que mais se recorre para emagrecer (se você já quis perder peso também já deve ter feito).
Numa das cenas mais emblemáticas, Nigella, prato de maçãs verdes à sua frente (como único alimento da refeição) diz:
- “Bem, comendo este prato aqui, vou ficar sem fome por aproximadamente... 12 minutos!”
É isso aí. Refeição nada apetitosa, constituída por apenas um tipo de alimento, sem acompanhamento, sem nada, e ainda constituída basicamente por carboidrato. Um verdadeiro exército de um homem só*.
Sem gordura, sem proteína, com pouquíssima capacidade de saciedade duradoura. Sensação de estômago vazio vem logo (insulina faz um pico sangüíneo, “consome” todo o alimento rapidinho e ainda – por conta do próprio pico de insulina – provoca nova sensação de fome).
Nada mais tolinho.

* Referência ao divertido livrete de Moacyr Scliar. Se ainda não leu, recomendo.

9 de janeiro de 2009

Verdemais


Diferentes pessoas passando pela mesma rua vão notar coisas diferentes: um vê determinada casa, outro percebe mais a arborização do local. Outro pode não notar quase nada.
Imaginando que todos tenham boa visão, a diferença na percepção de cada um tem origem mais na capacidade de perceber (estado emocional, imersão nos próprios problemas, pressa, hábitos, etc.) do que no órgão responsável pela percepção (no caso, os olhos).
Embora muitas vezes não nos demos conta, o mesmo fenômeno ocorre em relação à dor.
Existe em cada um de nós um verdadeiro exército liliputiano de mensageiros (receptores) de dor, tentando mandar mensagens (leves, na maioria), nas 24 horas do dia: “Ei, dói aqui!”, “Ei, aqui também!”, “Ei, não esqueça que aqui dói um pouco menos, uma dor meio diferente, mas também dói!”.
Locais: na gengiva, por exemplo, por uma pequena retração. Ou no intestino grosso, pela distensão provocada por gases ou fezes. Ou, ainda, na coluna vertebral, pela sua má postura (lendo agora este pequeno texto), etc.
A percepção (o notar ou não estas pequenas mensagens) vai ser então muito diferente entre diferentes pessoas, entre diferentes estados emocionais (depressão, ansiedade, neuroses, etc.), em quem está cheio de outras idéias ou afazeres ou em quem está simplesmente “de bobeira”.
Do mesmo modo que uma maior sensibilidade ao estilo arquitetônico de determinadas casas não poder ser detectada pelos oftalmologistas (sua capacidade visual deve ser a mesma daqueles que “passam batido” pelas mesmas casas), também muitos dos que sentem dores vão apresentar vários exames (e, para alguns deles, haja exames!) absolutamente normais. Ou, o que é pior, alguns exames (se muitos forem pedidos) podem mostrar alterações que “não tem nada a ver”.
Apenas que no caso da diferença de percepção estética (ou visual), sentimo-nos conformados com o fato. Quando somos – ou estamos – mais sensíveis para as dores, temos muito mais dificuldade de nos conformar (“Não é possível, devo ter alguma coisa!”).
Nunca vi, por exemplo, ninguém solicitar tomografia do olho de quem se incomoda com a cor “demasiadamente verde” de determinada casa (pelo menos não até hoje, mas é bom não dar idéia...)

* (pra te poupar o Aurélio) Liliputiano: de Lilipute, país imaginário do romance “Viagens de Gulliver”, do escritor inglês Jonathan Swift, no qual os habitantes tinham apenas seis polegadas de altura.

6 de janeiro de 2009

Do Cóio


Ainda na série “amenidades”, que ninguém é de ferro, pôxa, inda tamo meio que de férias:

Poderosos transdutores de ondas eletromagnéticas cerebrais imaturas foram acoplados à superfície craniana de um pequeno lactente durante uma consulta rotineira ao temível pediatra. Eis a transcrição:

Ei! Já teve qui!
O Caia da Babicha. Casa coi-de-osa! Já teve. Não bão... Uhááá!!
Como faia: mãe, pai, Caia da Babicha. Mãe, pai, mãe, Babicha, pai, mãe de novo. Chega, gente. Vô... Uhááá!!
Não vem! Não vem! Veio, o Babicha. Sai de péito. Sai! Sai! Não pega. Sai... Sai óia, tô faando... Uhááá!!
Pai tá bobo (mai que sempi). Babicha pega. Pega muito. Bobo, também. Bobo e séio. Séio e bobo. Pega aqui. Pega ali... Como pega! Sóta, Babicha! Vô... Não! (deu peguiça!)
Deitado: Deitado, não bão. Abe falda. Abe falda, bão. Mai pica. Hoje pica? Não sabe. Babicha pica, não pica? Não sabe. Não sabe, então... Uhááá!!
Pai segúia. Mãe segúia. Faco, mai segúia. Uhááá!! Babicha não pica. Até agóia. Mai feio. Feio e babicha. Sai, Babicha! Coisa!

Babô!
Pai pega. Baiança eu. Janéia. Vento!... Babicha longe. Faia Babicha. Faia, faia, faia... Mãe qué faiá. Babicha não dêxa.
Babicha esquéve. Qué esquevê, qué esquevê! Qués’quevê!! Uhááá!!
Babicha dá caneta! Babicha bom. Bom e bobo.
Bom!... Bobo!... Bom!... Bobo!...
Tó caneta. Num quéio, tó!
Imbóia! Imbóia, mãe. Imbóia, pai, imbóia! Uhááá!! Imbóia!!
Tchau, tchau! Imbóia! Imbóia, bom! Tchau, Babicha! Babicha bom? (Pica?) Tchatchau!...
(Bão!...)

2 de janeiro de 2009

Babosa


Continuando na linha “amenidades de início de ano”:
Uma das coisas mais perigosas que a mídia nos ensina (bombardeia), principalmente em épocas como estas, é o tal do “Corra atrás do seu sonho”.
Ouvimos a baboseira a toda hora.
Tem uma turma que ainda mistura estações:
“Ah, eu corri atrás do meu sonho com unhas e dentes!”
(?)
Correr atrás do sonho é uma empreitada com sérias conseqüências pra muita gente, provavelmente para a maioria que o faz.
Meu caso, por exemplo.
Como muito menino, sonhava em ser jogador de futebol. Sonho até hoje na verdade. Maracanã cheio, vibrando com as minhas jogadas.
Devia ter ido adiante?
Com a minha habilidade, estaria hoje no máximo estampando as figurinhas do Bangu dos anos 80. Insuficiente pra sustentar as bocas lá de casa.
Aí é que está. Sonho impulsiona, anima. Dentro de expectativas realistas. Mas não “enche a pança”, fracassa, quando significa desvario.
Agora me dá licença que eu vou pegar a caipirinha.
Bons sonhos pra você.