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15 de julho de 2008

Tapa na Cara

Uma doença causada por vírus que ainda não atrai tanta atenção da mídia (pelo menos não até que se descubra a vacina para ela, quando então passará ser a nova “queridinha” da mídia) é o eritema infeccioso.
Há picos de incidência a cada 4 a 7 anos, e este ano parece ser um deles.
É uma virose muito comum (60% dos adultos têm anticorpos contra o parvovírus B-19, o causador da doença) e, na grande maioria das vezes, com sintomas semelhantes a qualquer outra.
O que tem de diferente?
Apresenta um sinal interessante nas crianças, o sinal do “tapa na cara”, entre o 3º. e o 7º. dia: as bochechas ficam caracteristicamente avermelhadas, com a área ao redor da boca mais pálida.
Em 10% das crianças afetadas aparece dor nas articulações, que podem durar até perto de 2 meses.
Outro detalhe é o risco de transmissão à gestante. Porém neste caso o problema maior é o susto e a confusão com a rubéola, pois os sintomas na gestante são parecidos (febre, lesão de pele, dores nas articulações), o que faz médicos e pacientes desavisados se preocuparem à toa (a rubéola traz grande risco à gravidez nos primeiros meses, enquanto que o eritema infeccioso é pouco perigoso).

11 de julho de 2008

Um Problema E-Cocô, Lógico

Fraldas.
Um típico problema que só costuma dar as caras (caras?) depois do aparecimento dos filhos. Até então (e após os 2 anos) ninguém costuma pensar muito nelas.
Mas é um baita problema ecológico (claro, mais um deles): uma criança típica costuma usar de 5 a 10 mil fraldas descartáveis, uma mercadoria moderna, surgida apenas nos anos 70. Isso representa a utilização de 4,5 árvores para cada criança, somente para a parte degradável.
E o plástico?
Pois é. Aquela beleza de detrito fedorento levará – segundo estimativas, mas ninguém vive o suficiente para medir – cerca de 500 anos para se degradar.
Fraldas de pano não são grande alternativa: fale para alguma mãe com tripla jornada (trabalho-esposa-mãe) que ela deve abrir mão das fraldas descartáveis para o bem do meio ambiente. Além disso, perto de 60% das crianças que as utilizam apresentarão assaduras, comparáveis a apenas 7% das que usam descartáveis. Sem falar no gasto da água para lavá-las, outro item com implicações ecológicas cada vez maiores.
Alternativas terão que aparecer. A que parece mais viável é a g-diaper, composta de um “recheio” removível dentro da parte plástica reutilizável, facilmente lavável (a g-diaper é, na verdade, apenas o próprio recheio, que se degrada num prazo máximo de 2 a 3 meses - ou então “flushable” – palavra em inglês que designa aquilo que você pode mandar pela latrina sem muito peso na consciência, como o próprio cocô).
(Para entender melhor, clique nas flechinhas do site oficial. Obs.: não recebo nada por isso!)

“Fraldologistas”. Assim nós, pediatras, fomos denominados por um insensato e grosseiro ginecologista.
Sério!
Logo ele, PhD em absorventes higiênicos...

8 de julho de 2008

Não Tem Remédio


Mais uma daquelas situações em que não sabemos se é pra rir ou pra chorar:
Acaba de ser lançado nos Estados Unidos o Obecalp®, um remédio com gosto de remédio, cheiro de remédio, cara de remédio, mas que é apenas – como o nome de trás pra frente confirma – um placebo.
É isso aí: pra que ficar perdendo dinheiro com medicações que não funcionam ou que têm mais problemas do que a doença que tratam?
Pelo menos neste caso, o fabricante – ironicamente chamado de Efficacy Brands, “Selo Eficácia” - é mais honesto. É placebo, sim, tá pensando o quê, vai encarar, é?
O objetivo declarado ao se criar o “remédio” é enganar o cérebro das criancinhas (é, foi criado para se usar em inocentes criancinhas). Ao tomarem a medicação que os dedicados pais oferecem a elas, começam a melhorar tão-somente pelo efeito psicológico.
Ficamos a imaginar algumas engraçadas situações:
-Me vê um Obecalp.
-10 ou 20 mg?
Ou então, um pedido para entrega em casa no meio da noite:
-Por favor, é urgente!
-Pois não. O que vai ser? Analgésico, antibiótico, anti-hipertensivo?
-Não, um Obecalp. Mas traz ligeiro, que é caso de vida ou morte!
E a bula?
Indicações: enganar trouxas. Efeitos colaterais: Rélooou! É placebo, idiota! Em caso de superdosagem, da próxima vez compre um pacote de M&M.

Falando em eficácia: Ótima, mas não totalmente eficaz a implementação do “bafômetro zero”. Com a medida, acidentes de trânsito caíram em média 30%.
E por que não foi 100%?
Nos 70% restantes, motoristas ébrios entregaram seus carros para suas mulheres dirigirem!

E a idéia da colocação dos cones com espaço estreito para triar bêbados?
Também furada. Muita gente passa no bafômetro. Já no barbeirímetro, a coisa tá mais complicada...

4 de julho de 2008

Contornos


Conheço uma cidade em que o prefeito, para fazer com que os visitantes se demorassem alguns minutos a mais nela, atravessou uma praça na via de saída para a cidade vizinha (talvez – deve ter imaginado o esperto prefeito – muitos dos que quisessem ir embora, ao perderem mais uns minutinhos, pensariam duas vezes e se esquecessem de pegar a estrada).
Não deu certo. A cidade é uma lástima turística.
Com o ouvido acontece mais ou menos a mesma coisa (mas aí não vou criticar o “prefeito”, claro): tem mais “cabo” passando por ali do que estúdio de televisão.
O ouvido é passagem para nervos que vêm da garganta, dos dentes (por isso muita criança que tem infecção dentária ou de garganta vem se queixando de dor no ouvido) e até do tórax (já percebeu que muita gente tosse quando cutuca o ouvido com cotonete? Até mesmo um infarto agudo do miocárdio pode apresentar como queixa inicial a de dor de ouvido! – a chamada “dor referida”: dói ali, mas o problema é na verdade !).

1 de julho de 2008

Ócio Curativo


Acredito sinceramente que a meditação ainda vai ser meio que obrigatória para grande parte da humanidade.
Pelo fato de ser algo cercado de idéias pré-concebidas – e erradas – mais fácil é falar sobre o que a meditação não é:
Não é algo “agradável de se fazer” (seria melhor definida como uma experiência “potencialmente transformadora”).
Não é um “relaxamento” (ainda que seja um dos muitos objetivos).
Não é algo “zen” ou “místico” num sentido pejorativo (até eu descobri-la, eu mesmo pensava assim).
Não é um exercício necessariamente vinculado a um modo de vida oriental – embora, devagar, o praticante vá se sentindo de forma automática um pouco menos “ocidentalizado”.
A meditação pode ser comparada ao assistir um bom – mas complicado – filme:
Muitos – provavelmente a grande maioria - não vão conseguir ir em frente (pode ser muito mais fácil desistir da empreitada de cara). Outros vão achá-lo extremamente chato, aborrecido, ou não vão “ver nada demais” naquilo.
Os que insistem, entretanto (ainda que com dificuldades, muitos tendo que assistir novamente para uma melhor compreensão), podem – e devem – sair no mínimo com uma experiência de alguma forma enriquecedora.
Cuidado, porém!
A meditação, por ser algo associado com mudanças, com promessas de curas, etc., dá margem a muito charlatanismo (há muito mais besteiras publicadas a respeito do que publicações sérias).
Um bom autor para se conhecer com mais profundidade a respeito é Jon Kabat-Zinn. Há dois livros excelentes: A Mente Alerta (infelizmente, meio difícil de encontrar) e Full Catastrophe Living (apenas em inglês, não se assuste com o título...).

E mais: se você sente que precisa fazer algo com seu ritmo de vida mas tem preguiça de algo tão, digamos assim, exótico ou “transformador”, uma boa opção é o novo movimento – mais simples – chamado de nadismo (isto mesmo, nadismo!), que devagar como o próprio ritmo que prega, está conquistando novos seguidores.