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4 de fevereiro de 2014

Olho no Leite!


Devagar, o precioso, paciencioso trabalho de educação, convencimento, explicação, apoio (inclusive institucional) para a promoção do aleitamento materno vai se perdendo. Cabe um enorme infelizmente aqui.
Décadas de trabalho com nenhum outro objetivo que a saúde infantil foram sendo espertamente substituídas pelos (sempre eles) interesses das indústrias, que não nos querem mais saudáveis, apenas mais consumidores de "bobagens" alimentares e medicamentos.
Médicos têm saído das faculdades com o foco no peso das crianças pequenas, como se mais peso significasse saúde (exatamente como as avós deles, apenas que por outros motivos - as avós viveram épocas de carestia). Nesse intervalo geracional muitos médicos novos e alguns avós "velhos" juntam-se para "demonizar" o sagrado leite materno, que "deixa as criancinhas tão magrinhas, tadinhas!..".
Tadinhas das próximas gerações, se não abrirmos os olhos.

31 de janeiro de 2014

Coqueluche do Momento


Já escrevi aqui por esses dias, mas devido à importância, retomo:
Novos casos de coqueluche têm aparecido. 
E o que era uma doença "de se ouvir falar" (mais ou menos como o sarampo ou a difteria, estas virtualmente "sumidas" do mapa), volta a preocupar.
Crianças (principalmente as muito pequenas) com tosse extenuante de duração prolongada (principalmente aquelas que não têm história de bronquite ou asma), independente da presença de febre, devem ter o diagnóstico de coqueluche ("tosse comprida") cogitado.
Sempre de forma resumida (não tenho a pretensão de transformar esse espaço em mais um compêndio):
Coqueluche tem o seu diagnóstico fortemente sugerido pelo padrão de tosse (uma dica é filmar a criança no acesso) e pelo hemograma (exame de sangue).
Na suspeita (mesmo em vacinados) o início de antibióticos macrolídeos (não do grupo da amoxicilina!) diminui os riscos (ainda que não totalmente).
Casos graves devem ser hospitalizados (os muito graves em UTI, sempre que possível).
Importante, então, se informar (sem pânico) e estar atento.

28 de janeiro de 2014

MM


Quantos Marlboro Men existiram?
Quantos morreram por doenças causadas pelo próprio produto do qual fizeram propaganda?
Ontem, dia 27, caiu a quinta vítima. Este pouco mais velho, aos 72.
A Philip Morris, indústria fabricante do famoso cigarro, alega que existiram mais do que cinco em 55 anos de comerciais (comerciais que marcaram época ao convencerem homens-machos de que fumar cigarro com filtro não era coisa só de "mulherzinha" - e deu muito certo). Estariam os cinco, então, dentro da estatística "normal", visto que os MM foram envelhecendo, e de alguma coisa tinham que morrer.
Foram quantos, então? Dez? Se foram dez, metade morreu da mesma arma. Quinze? Ainda, um terço.
Tony, o tigre da Kellogg's (também nascido nos anos 1950) não é um bicho de verdade. Se fosse e se tivesse morrido de diabete, seria forçado dizer que morreu pelo consumo dos seus próprios cereais.
Os MM eram todos viciados. Um deles fumava inclusive pelo buraco da traqueostomia na fase final de um câncer de laringe. A maioria morreu culpando o cigarro (mas, há que se culpar alguma coisa, não é mesmo?).
Mas chega a ser inacreditável. Não que ainda se faça propaganda. Até porque as propagandas estão mais raras - ou mais sutis, como nos personagens de filmes. O inacreditável é ainda existir cigarro!

24 de janeiro de 2014

Um Poço


Ansiedade.
Já me dá só de pensar.
Pensar no que?
Pensar que nas recomendações oficiais das Sociedades Disso e Sociedades Daquilo (que ditam normas para a atuação médica no mundo inteiro - sobretudo as americanas) o tratamento infantil e juvenil da ansiedade já é basicamente medicamentoso.
Tá na cara. Que outras opções esperaríamos?
Tratar ansiedade de forma não medicamentosa no adulto já é complicado. 
Ansiedade faz parte da vida, exceto quando se torna um transtorno, definido pela presença dela ali, o tempo todo, atrapalhando qualquer atividade que o indivíduo possa exercer.
Um ansioso é não raro percebido do berço. E nem sempre as consequências para ele vão ser só ruins. Ansiosos são na maioria, "espertos", "ligeiros". Ruim? Não. Ansiosos se contrapõem aos "calminhos" para criar ambientes equilibrados, diversos. Além do mais, ansiosos vivem fases "calminhas" enquanto "calminhos" vivem fases ansiosas (no caso de perda de um emprego, por exemplo).
Remédio para todos eles?
O mundo corporativo, fonte da qual médicos bebem, diz que sim, adultos e crianças incluídos.


Há opções, nenhuma delas muito rápida - ou fácil. A maturidade, por exemplo, nos faz menos ansiosos. Só não sei se estamos dispostos a esperar.

21 de janeiro de 2014

Pros Ossos e Pra Tudo Mais


Esse é um assunto chato (nesse blog chato, escrito por um cara... legal!), mas vamos lá:
A polêmica da vitamina D não termina!
O resumo sempre é: criança pequena deve tomar (cuidado com a dose!), exposição ao sol providencia a quantidade necessária, por isso a criança que não toma ainda assim está tão saudável quanto aquela que toma.
A partir daí, só confusão!
Pesquisadores do International Prevention Research Institute da França argumentam que níveis baixos de vitamina D são mais a consequência de uma saúde decadente do que a causa dela. E a grande quantidade de estudos em que se suplementam pacientes com problemas de saúde sem se obter resultados mostra que deve ser mesmo verdade.
Um outro motivo que causa desconfiança é o nível considerado ideal na dosagem de vitamina D (75nmol/L), valor que coloca 90% da população mundial em estado de carência (inclusive a maioria dos surfistas!).
É mais uma daquelas pílulas (ou gotas) milagrosas que uns e outros inventam para fazer "toda a diferença" na nossa saúde (tem pouco disso hoje em dia)...