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15 de julho de 2011

Consulta com o Dr. Dunóting - Pais Exagerados com Doenças

Liga a mãe para o consultório do Dr. Dunóting (consulta telefônica é aquela que rende muito – para a companhia telefônica):
Paciente:
- Doutor, meu filho está bem. A única coisa que está incomodando é uma coriza, que já dura três dias. Dificulta muito para dormir.
Dunóting:
- Olha, não dê remédio. No máximo, use um soro fisiológico no nariz para melhorar a obstrução nasal, principalmente à noite.
Paciente:
- Nem um descongestionante?
Dunóting:
- Não. Descongestionante não resolve nada. E ainda por cima pode ser perigoso, com reações adversas.
Paciente:
- E a tosse?
Dunóting:
- Que tosse?
Paciente:
- A tosse do meu filho.
Dunóting:
- Tinha tosse?
Paciente:
- Tem tosse. O que é que eu faço?
Dunóting:
- Se é pouca tosse, há pouco tempo, faz nada, não.
Paciente:
- Deixa tossir?
Dunóting:
- É. Deixa tossir.
Paciente:
- Não tem que dar xarope?
Dunóting:
- Quem disse? Quem disse que toda tosse tem que dar xarope?
Paciente:
- Ãhh... Não tem?
Dunóting:
- Não. Até certo ponto, a tosse é benéfica. Significa defesa, limpeza de secreção...
Paciente:
- Então não dou nada?
Dunóting:
- É. Quer dizer, nada, não. Um analgésico simples. Um soro fisiológico nasal, se necessário.
Paciente:
- E a febre?
Dunóting:
- Espera. Mas tem febre?
Paciente:
- Não. Mas, se tiver?
Dunóting:
- O mesmo analgésico.
Paciente:
- Nada de antiinflamatório? Antibiótico?
Dunóting:
- Não! Não era só coriza e um pouco de tosse?
Paciente:
- É, mas...
Dunóting:
- Então. Relaxa!
Paciente:
- Tá. E se der dor de cabeça, espirro, dor no ouvido? Coceira, catarro amarelo, conjuntivite? Pontada, grosseirão, anemia? Calombo, falta de ar, amarelo? Bicho de pé, zumbido, micose?...

12 de julho de 2011

(Sinto Muito) Seu Filho Não é Nenhum Gênio - Filhos Superdotados

Até muito, mas muito pouco tempo atrás, escolas ainda estufavam o peito para propagar seus “laboratórios de informática”.
Pais embevecidos mostravam-se orgulhosos (e ainda se mostram) com a capacidade dos seus bem pequenos filhos lidarem com gadgets.
E aí (já) hoje percebemos o quanto essas atitudes foram ridículas em termos de educação.
Aparelhos como computadores, celulares, I-qualquer coisa, foram feitos para uso fácil, intuitivo. Saber lidar com eles é cada vez menos uma coisa “espantosa”, “inacreditável”, mesmo para crianças de 2 ou 3 anos de idade (afinal, elas – diferentemente de muitos adultos ou idosos – tentam, sem medo de errar).
O que é e sempre foi difícil é fazer uma formação completa, com capacidades bem desenvolvidas de leitura, compreensão e raciocínio lógico.
Mas esse tipo de coisa não acende luzinha, não toca musiquinha e, por incrível que pareça é, na totalidade, algo bem mais caro.

8 de julho de 2011

O Primeiro Vício - Uso de Chupeta


A terna relação entre a chupeta e seu usuário fala ao coração de quem presencia as cenas de intimidade.
Principalmente quando o chupeteiro em questão é pequeno e os espectadores são seus pais.
Em muitos casos a chupeta passa a ser como um apêndice, passa a ter quase o valor de um narizinho (ou pelo menos de uma marca na bochecha) daquele que a utiliza, na visão dos que viram a criança desde os primeiros dias com aquela geringonça plástica na boca.
Talvez por isso seja tão difícil tanto para os pais, avós, titios e titias quanto para a criança a abertura do alçapão definitivo para o estragador de dentes, de sorrisos - e até de faces.
Não sou um ACR (um Anti-Chupeta Radical), como muitos dos meus colegas, até porque tento não ser hipócrita. São poucos os pais que suportam toda uma infância de seus filhos sem algum precioso consolo oral. Glória aos que conseguem!
A implicância é com os que nunca se resolvem a dizer adeus.
O progressivo desapego à chupeta é um interessante indicador da maturidade infantil bem como dos cuidados parentais.
Não é a criança quem deve decidir o momento de largar, são seus pais! São eles que devem mostrar à criança a firme decisão, o real propósito de não voltar atrás na primeira choradeira, nos momentos de carência ou de ansiedade.
A proposta é que em crianças um pouco maiores se faça a “festa de jogada fora” da chupeta (coisa pequena, mas emblemática, como um verdadeiro evento, para que a criança se lembre do momento como algo definitivo).

A esse propósito, vemos muito o “não foi ainda o coelhinho da Páscoa que levou, vai ser o Papai Noel”, depois: “ainda não foi o Papai Noel, vai ser o coelhinho...”.
(e porque não pode ser outro o vetor? O gnomo das chupetas – que não tem data certa - por exemplo?)

5 de julho de 2011

Lixinho Calórico - Prevenção de Obesidade pela Amamentação

Você já viu alguma mãe que amamenta olhar para os peitos após a mamada e dizer:
- Não foi o suficiente, filhote. Toma mais aí!
Nem eu.
Com mamadeira a coisa costuma ser muito diferente.
A começar pelo volume no momento do preparo. Quem manda é a mãe. Ou a recomendação da lata, no caso do leite em pó.
A recusa do volume preparado costuma ser encarado com reações que vão do “tudo bem” ao “toma o resto aí!”.
Talvez por isso (ou provavelmente por isso) o estudo recente do jornal Pediatrics (que não se pode dizer isento nos interesses, é bom que se frise) mostre que em crianças amamentadas até mais que 4 meses a incidência de obesidade no terceiro ano de vida é a metade dos não amamentados (ou amamentados por menos que 4 meses).
Além disso, a introdução dos alimentos sólidos antes do 4º. mês (que é um absurdo, já vou logo dizendo!) aumentou em muito a incidência da obesidade nos que já não eram mais amamentados.
Uma explicação plausível é a de que o próprio bebê auto-regule sua necessidade calórica (ou seja, completa as calorias diárias na medida exata da fome, e não do quanto os outros querem que mame).

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Da porta do consultório, a mãe já vem perguntando:
- O doutor trata piolho?
- Depende. Se tiver menos de 13 anos...
(explicação 1: “piolho-criança”. explicação 2: faixa etária do pediatra).
Rá, rá...

1 de julho de 2011

Fera Ferida - Uso Excessivo de Antibióticos

A criação do supergerme (aquele que pode dar um pau inesperado nas nossas defesas) é silenciosa e assintomática.
É onde a feliz expressão “cutucar a onça com vara curta” vem bem a propósito.
Cada utilização de antibiótico, cada infecção tratada (necessaria ou desnecessariamente) é uma potencial cutucada na fera adormecida no âmago da nossa flora bacteriana (roncando perigosamente em nossas gargantas, intestinos e aparelhos urinários).
Por isso o critério da escadinha é tão importante – só progredir na utilização de antibióticos mais potentes se a gravidade da infecção realmente exigir.
Um bom exemplo?
Nossas populares “infecções de garganta”.
Começa que em crianças pequenas na grande maioria das vezes nem precisam de antibióticos, pois são infecções virais, que não necessitam de antibióticos (receitados muitas vezes por ansiedade ou dificuldades no acompanhamento).
Rareando, então, o uso – no indivíduo e/ou na comunidade – a “simples” amoxicilina trata com facilidade infecções desse tipo (de novo, quando são realmente infecções bacterianas, minoria).
O que fazem os desavisados?
Pegam pesado! Partem de cara, por exemplo, para a associação da amoxicilina com clavulanato, que torna a potência antibiótica muito maior (até quando? não sabemos...). Antibiótico que até pouco tempo poderia ser reservado tranquilamente para infecções mais graves como certas pneumonias!
Assim caminha, incauta, a humanidade.
Para um apocalíptico dia em que o chicote e o banquinho farão o bicho cair na gargalhada.

"Antigamente, temendo loucura, vivia calado comigo. Hoje em dia, me sabendo são, não paro de me tagarelar".