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15 de junho de 2010

Olhos Pra Que?


Certos tipos de problemas infantis de origem emocional – e como os há – muitas vezes não se resolvem (criando uma série de despesas, incômodos, dores, etc.) simplesmente porque pais e familiares insistem em buscar soluções e tratamentos nos outros (ou dos outros) ao invés de tentarem buscar neles próprios o que pode estar havendo de errado.
Por exemplo: vejo com alguma freqüência em crianças mais velhas com intestino preso (às vezes com a associação vexatória do escape fecal, que é a perda do controle da evacuação) uma via sacra dos pais em médicos, psicólogos, laboratórios e encaminhamentos, quando na verdade faltaria se olharem, se questionarem em relação aos papéis que cada membro da família tem representado para o problema da criança.
Não raramente observamos pais autoritários, mães impacientes, vovós superprotetoras e menos raramente ainda a combinação disso tudo.

Se nesses dias de Copa, você, pobre mulher, quiser falar com algum representante do sexo masculino, é só esperar acabarem os jogos. E os “bate-bolas”. E as “mesas redondas”. E as “redondas na mesa”. E os “bola-dentro”. E os “bola-fora”. E os “bolas na mesa” e os “bolas quadradas”, e os “pisada na bola”...
Olha, vai direto na carteira e faz a linguagem de gestos que é melhor!

-E aí, Kaká, tá bem pra jogar?
-Olha, fiz de tudo pra tá bem e...
-Mas você tá em condições, mesmo?
-Tô, tô...
-Jura por Deus?
-Ih, f...deu!

11 de junho de 2010

Palpites Infelizes


Copa do Mundo aí, é hora de falar da grande paixão do brasileiro:
Futebol?
Não. Falar mal dos filhos dos outros!
Porque é impressionante o que os pais ouvem de comentários (cornetagens) de parentes, vizinhos e até de desconhecidos sobre o seus filhos!
-Tá magrinho!
-É tão pequenininho!
-Nossa, como tá pálido, tadinho!
Ora, vão à...
Bom, devemos tentar ser educados. Mas é que às vezes a paciência enche, mesmo.
Há dois grandes responsáveis diretos pelo bem-estar das crianças: seus pais (“os donos” delas, podemos assim dizer) e seus médicos, que são as pessoas com suposta competência técnica para opinar (ainda que estes últimos vez ou outra também falem grandes bobagens, infelizmente...).
Então, é bola pra frente! E rolhas no ouvido, um conselho que não canso de dar para novos papais.

8 de junho de 2010

Fragilidade Oculta


Existem poucas situações em que a Medicina se perde tanto quanto na questão do pré-adolescente e do adolescente obesos.
São pacientes mal tratados em todos os sentidos.
São normalmente vistos com preconceito por todos: colegas de escola (improváveis paqueras incluídos), familiares (pais incluídos com muita freqüência – exceto os familiares que “tomam suas dores”, às vezes com prejuízo ainda maior pela superproteção) e, ainda, médicos e nutricionistas em geral.
Há muita culpa, muita auto-estima afetada, muita dinâmica familiar torta, muito caminhar no sentido contrário em termos de orientação terapêutica (como por exemplo, e principalmente, tentar proibir o paciente de fazer aquilo que ele mais gosta – seja por alterações herdadas, ambientais ou por ansiedade em relação à sua própria condição de vida: comer!).
Há poucas situações médicas em que a noção de primo non nocere (“inicialmente não causar dano”, expressão latina usada para frear o ímpeto do tratamento que possa fazer mais mal do que bem) deva ser tão cuidadosamente aplicada.

4 de junho de 2010

Chupetudas e Chupetudos


É expressionante (expressionante, como você já deve saber, é algo impressionante só que mais expressivo, mais voltado pra fora) como para satisfazerem prazeres instantâneos de seus pimpolhinhos pais relegam as conseqüências de longo prazo.
Tô falando da chupeta. Mas poderia estar falando de certos tipos de alimentos, do abuso de video games, da frouxidão nos horários, etc.
Não sou dos pediatras radicais em relação ao uso da chupeta. É mais ou menos como se esperar que um adolescente nunca tome um porre na vida, por exemplo. Há certa hipocrisia nessa conduta, pois a grande maioria dos filhos de pediatras as usam ou usaram.
Entretanto, o que os pais devem lembrar é que para muitas crianças “chupetudas” as conseqüências podem ser nefastas como alterações faciais, de fala, problemas dentários, problemas psicológicos (até relacionados com os anteriores).
Então vale mais certa peninha na hora de retirar a chupeta de vez do que arcar com penas maiores no futuro.

1 de junho de 2010

Se Ficar o Bicho Pega...


Coisas boas e coisas ruins sobre a toxoplasmose na gravidez:
Coisas boas:
● Apenas na minoria dos casos em que a mãe pega a toxoplasmose durante a gravidez ela tem o seu filho infectado (cerca de 1/3 dos casos, o que mesmo assim não é um número desprezível).
● A incidência da toxoplasmose tem diminuído de forma consistente nas últimas décadas (não se sabe exatamente por que).
Coisas ruins:
● Há controvérsias, mas aparentemente o tratamento da gestante ajuda nada ou quase nada na prevenção de problemas fetais!
● O exame ecográfico também ajuda muito pouco no diagnóstico dos problemas fetais!
Por essas e por outras, o diagnóstico e tratamento gestacional têm muito pouco efeito na “loteria” da toxoplasmose congênita, infelizmente.
Resta então, a gestante ficar atenta à prevenção:
Se ela tem o exame (IgG, feito no início da gravidez) negativo, significa que tem chances de pegar toxoplasmose durante a gravidez, com riscos para o feto. Então deve:
◊ Evitar comer carnes (vaca, porco, carneiro) que não sejam bem cozidas (evitar grelhados e defumados)
◊ Evitar comer verduras ou vegetais que não sejam muito bem lavados ou cozidos
◊ Nem pensar em mexer com jardinagem!
◊ Talvez, livrar-se de gatos (gatos e gestantes não combinam – ainda que hajam estudos mostrando que ter gato dentro de casa não aumenta a chance da dona ser afetada na gestação)!

Desmascarado

Não sei donde essa pequena gente tira isso, mas o menino de 3 anos recém feitos, adentra no meu consultório (pela primeira vez) após a mãe ter entrado, faz cara de mau para a minha pessoa e manda:
- Olha aqui, você não me engana!