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26 de agosto de 2014

Erguendo a Barra


Novo estudo com registro de meio milhão de crianças (é gente! - pequena, mas é gente!) que apresentaram icterícia (o "amarelão") no período neonatal mostrou que dos 0,0086% (um pingo no oceano) que apresentaram valores de bilirrubina (a medida do "amarelo") acima de 30 mg/dl (valor realmente muito alto) somente 4 dos 47 pacientes no universo de meio milhão tiveram lesão do sistema nervoso central.
O que isso significa (e o que eu, especificamente, quero dizer)?
De novo, que talvez estejamos criando mais uma "neura", a "neura amarela" com bebês que em grande porcentagem ficam vestidas de seleção brasileira ("canarinhos"), mas que estão bem, mamando bem, e muito (mas muito!) dificilmente vão ter qualquer consequência nas suas icterícias.

(Obs.: isso não vale para crianças muito prematuras, onde outros fatores de risco se somam para lesar o cérebro)

11 de fevereiro de 2011

Sai do Sol!


Lá das terras de onde eu venho...
...há outra prática que tem se tornado comum, sem nenhuma base científica para tal. E – como sói acontecer – com riscos para as crianças submetidas.
É o aconselhamento (algumas vezes até por médicos) do banho de sol para tratar recém-nascidos com icterícia.
Não há e nunca houve qualquer recomendação formal nesse sentido.
A radiação solar tem comprimentos de onda que são provavelmente - digo provavelmente porque nenhum estudo sério até hoje foi feito – totalmente ineficazes para a diminuição do nível sangüíneo da bilirrubina, substância acumulada no organismo responsável pela cor amarela da pele e pela possível toxicidade cerebral (ainda que rara).
Já o comprimento de onda das luzes de fototerapia (“banho de luz”), sim, baixa de maneira efetiva a bilirrubina dos bebês.
Portanto, o que cabe definir são os níveis perigosos a cada momento (principalmente nos primeiros dias de vida e nas crianças com maior risco, como os prematuros) e, se necessário, administrar a fototerapia em ambiente hospitalar.
Aliás, a esse respeito, já um estudo de mais de 10 anos indaga por que mamães ainda levam seus filhotes pro sol, visto que o risco de câncer de pele em exposições precoces é maior do que a possibilidade de absorção de vitamina D (vitamina D essa que pode ser facilmente administrada de forma medicamentosa – e aí sim, com uma indicação mais coerente, ainda que “ultrapassada”).

19 de maio de 2009

Tá Na "Cara"


Quando o bebê fica muito amarelo (ictérico) nos primeiros dias ou semanas de vida, três são as preocupações principais, a saber:
1) se o nível de bilirrubina (o pigmento responsável pela cor amarela) está ou vai ser alto demais, a ponto de poder afetar o cérebro (pouco comum em crianças a termo e que de resto estão bem),
2) se há alguma doença (relativamente incomum), como as infecções congênitas e
3) se a criança é portadora da temida (por necessitar de diagnóstico precoce e apresentar um prognóstico reservado) atresia das vias biliares.
Neste último caso, os pais podem aprender a fazer a triagem nas suas próprias casas, sem a necessidade - a priori – de exames laboratoriais, a não ser quando há alterações.
Como saber?
Com uma simples olhada diária no cocô dos seus filhos, comparando com o stool card (“cartão do cocô”).
Se você tem um recém-nascido, vá lá. Pegue a fralda do seu pimpolho e compare: as cores de número 4 a 7 são normais.
No caso das três primeiras, se o seu bebê estiver ictérico (amarelo), leve-o logo ao pediatra para um exame de sangue.

6 de março de 2006

Páginas Amarelas


É meio complicadinho, mas vamos lá:
As células vermelhas (hemácias ou eritrócitos) podem ser definidas como um “saco cheio de moléculas de hemoglobina”.
As hemácias duram em torno de 120 dias e, após este período, morrem, liberando a hemoglobina. A hemoglobina liberada se transforma no sangue em bilirrubina (como se fosse um “resto” molecular da hemoglobina, que vai ser jogado fora). Esta bilirrubina (chamada de indireta é, em altas concentrações, tóxica para o cérebro).
Através do sangue, a bilirrubina indireta chega ao fígado e é transformada em bilirrubina direta (pronta para ser eliminada pelo fígado para os intestinos: é a bilirrubina direta que vai dar o tom amarelado das fezes).
No recém-nascido, a icterícia (cor amarelada da pele) pode ser provocada pelo aumento da:
Bilirrubina indireta (mais comum) como na:
• maior quantidade de hemácias (normal ao nascimento), que é, então, destruída em excesso
• vida mais curta das hemácias (normal, até certo ponto)
• imaturidade do fígado do recém-nascido (também normal)
• presença de substâncias no leite materno que aumentam a produção de bilirrubina (icterícia de início após a primeira semana, benigna, mas que muitas vezes eleva muito a contagem da bilirrubina, podendo durar meses)
• incompatibilidade sangüínea (ABO ou Rh): anticorpos da mãe reagem contra o tipo sangüíneo diferente do filho, causando uma maior destruição de hemácias do que o normal (é a causa mais freqüente de tratamento hospitalar da icterícia).
• etc (são muitos – mas raros – os “etc”.)
Ou da Bilirrubina direta:
Causada por infecções no recém-nascido (que faz com que o fígado fique “paralisado” na eliminação da bilirrubina), hepatites neonatais, defeitos congênitos nas chamadas vias biliares (sistema de canais que drenam a bilirrubina para ser eliminada para os intestinos), etc. (também são muitos e raros estes “etc”.)
Complicado, né? Eu falei, eu falei...