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14 de junho de 2019

Muitos G



A gente tende a assumir que "quanto mais recurso tecnológico", melhor o aprendizado.
Claro que em parte é verdade. Não fosse, não pensaríamos que é. Um ábaco e um astrolábio ainda são instrumentos muito interessantes, até pra que a gente não fique "se achando" de imaginar que a tecnologia existe é de Bill Gates pra cá. Mas vai-se mais longe com a calculadora e o telescópio.
Mas aí mesmo é que está: quem como aluno "pega tudo pronto" tende a ser extremamente superficial, justamente porque a tecnologia facilita. E se facilita, o cérebro diz "obrigado", e relaxa.
Mal comparando, veja as performances na direção de quem "ainda usou marcha" contra quem "já nasceu no automático". Ou no lidar com o computador, na geração DOS (ai!), por exemplo, contra a turma nascida com aplicativo. As diferenças se mostram principalmente no entendimento de "como se chegou lá", gerando a tal superficialidade no conhecimento, a falta do espírito crítico, o comandado teclando o comando, a ausência de criatividade, de imaginação, do pensar "além da máquina".

É por isso que em alguns bons centros, o pensamento é na "volta pra trás". Volta o livro, volta a lousa, volta o giz (sendo que muita gente nem foi! - que mundo desigual!...). Esnobe-se o notebook, o virtual, a quarta dimensão. Tudo isso, com cara de superior!

7 de junho de 2019

O Garganta


É muito interessante (mas tristemente ignorante) essa história de tratar uma criança pequena como possuidora de "uma garganta que toda hora infecciona".
Sinceramente, não acredito em "bons motivos" para essa crença: ou é ignorância ou é má vontade (ou, como acontece muito, ambos!).
Vamos morrer dizendo: crianças pequenas (principalmente abaixo dos 3 a 4 anos) rarissimamente tem infecção de garganta causada por bactéria (que necessitaria de antibiótico). Por outro lado, inflamação ("garganta vermelha", dolorida, associada a febre ou a outros sintomas gerais como tosse, coriza) é toda hora!
E é essa confusão/ignorância (desculpe se insisto, mas é!) o que faz crianças pequenas se encherem de antibiótico, de forma inadequada (e gerando potencialmente complicações para sua saúde mais para frente)!

31 de maio de 2019

Ivan Em Vão


"Há dois anos atrás, meu filho ficou muito mal, e foi muito mal atendido. O médico nem examinou direito, e foi logo prescrevendo a medicação..."
"É mesmo? Por curiosidade, quem foi esse médico?"
"Foi o Dr. Barbosa."
"Mas o Dr. Barbosa sou eu!".
"Ah, não claro. É o senhor. Foi o Dr... Agora não lembro o nome."
"Tá. E depois, como passou no resto desse tempo?"
"Mais ou menos. Precisou internar. Cinco dias. Na alta, o Dr. Barbosa..."
"Ahã. O Dr. Barbosa sou eu..."
"Ah, claro. Não. Foi o Dr... Um de cabelo loiro, meio baixinho."
"O Dr. Adalberto?"
"Isso!"
"O Dr. Adalberto é careca. E tem quase um metro e oitenta!"
"Será?"
"Bom, tudo bem. E a partir dessa internação as coisas normalizaram?"
"Sim. Desde então, só consultei mas uma vez. Com o Dr. Barbosa..."
"Oi. Eu. Barbosa!"
"Ah é! Não é Barbosa, é..."
"Dr. Ivan?"
"É. Dr. Ivan! O Dr. Ivan fez..."
"Só pra avisar: acabei de inventar um Dr. Ivan. Que eu saiba, não tem nenhum Dr. Ivan nas redondezas..."
"Não? O Sr. tem certeza, Dr. Jacinto?".

Pode parecer exagero (e deve ser), mas é muito comum essa situação do paciente trocar todas as bolas quando fala de algum profissional que o atendeu em outras ocasiões. E tanto pro bem quanto pro mal, algum outro leva a fama injustamente. 
Mas, curiosamente, a gente só costuma perceber isso quando se trata do nosso próprio nome... Imagina de quantos se "deixa passar" como verdade...

24 de maio de 2019

Nem Contra, Nem Favorável


Parece incrível que certos assuntos nunca se resolvam de forma definitiva (ou talvez seja o contrário: uma "definitiva definição" nunca deva ocorrer mesmo, para nada).
É novamente a questão do aborto. Governos com pontos de vista absolutamente antagônicos se sucederam, e agora está nas mãos do Supremo (ainda que com uma prometida consulta popular em breve) o que se deverá fazer. Proibir tudo? Liberar pra quase tudo? Criminalizar de vez? Descriminalizar?
Somos um país (ainda) religioso, propenso a fanatismos. E por isso, imagino que a caldeira vá ferver na discussão. Quase já vejo mortes em apaixonadas discussões sobre se se pode interferir com a evolução da vida. Assim somos.
Fato é que uma "liberação" como se quer (até 12a. semana de gestação) poderá gerar ainda mais liberalismos nos comportamentos sexuais, enquanto a nossa educação (geral e sexual) só faz piorar, no ciclo vicioso pobreza-deseducação.
Mas também é fato que "já que a coisa está tão ruim", talvez não devêssemos piorá-la, deixando o pessoal que não tem recursos continuar não tendo, abandonando mulheres à própria sorte "porque não queremos nenhuma participação nisso".
A decisão do "que se faz com o aborto" sempre vai ser difícil, e países mais desenvolvidos estão quase todos mais acolhedores ao aborto regrado, normatizado.
Acontece que - mais uma vez - temos uma pequena estria de desenvolvimento nesse nosso imenso mapa. E não vai dar pra fazer uma lei nacional apenas para ela.

17 de maio de 2019

Amazonida


Eu tenho teorias.
Sem falsa modéstia (toda modéstia é pelo menos ligeiramente falsa, é um pleonasmo), algumas são muito boas. As jogo ao vento para que, se alguém quiser, as colha, pois sou muito preguiçoso para prová-las.
Qual a do dia?
A de que, mais dia menos dia (aposto que menos!), aparecerá uma "big" da indústria farmacêutica a fazer o que a Amazon tem feito com grande parte do comércio: detonar o real em benefício do virtual, mas mais especificamente, em benefício do fim da concorrência, do monopólio total.
Sim, porque quando você abrir um megasite nos moldes da Amazon, com total confiança de que o que você compra ali é seguro, prático, de entrega rápida (mas não necessariamente mais barato), você provavelmente estará compartilhando dessa experiência com seu vizinho, com seu cunhado, com sua irmã que mora no exterior, ou mesmo com o papa.
E aí, sim, fim. Das farmácias. Grandes ou médias. Porque as pequenas já se foram, há quase uma década.
E o que você verá em todas as quadras serão fachadas. Fechadas. E lojas de artigos inúteis com cores berrantes, letreiros mais berrantes ainda.

E mais nada.