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31 de agosto de 2020

Pros "Homens", Especialmente

HPV - YouTube

 Há alguns anos escrevi aqui que tudo o que se podia ter em relação à vacina contra o HPV era a grande esperança de que ela realmente funcionasse (ou seja, que realmente mostrasse resultados de diminuição na incidência de câncer passado alguns anos - já que o câncer leva anos para aparecer, e que a vacina somente poderia ser louvada se essas incidências diminuíssem, coisa que até então não havia como provar).

O tempo passou. 

E o melhor aconteceu.

Em países como a Austrália (com altos índices de vacinação, e onde os dados costumam ser confiáveis), há a comprovação real da queda nos números do câncer (e eles são até meio impressionantes).

Comprovados os efeitos, o que resta é convencer o mundo de que deu certo.

E lembrar que não é só o câncer cervical vaginal que ela evita.

Evita muitos cânceres de canal anal, muitos cânceres de orofaringe. Todos eles muito vinculados ao HPV.

E agora temos que convencer os meninos (que obviamente não têm vagina, mas têm ânus e boca, e são muito mais infectados pelo HPV) a seguir direitinho as normas vacinais.

Comentários?

23 de agosto de 2020

Slow Selfie

A gente está acostumando a perceber que selfies publicadas quase que só podem ser de momentos felizes, e isso tem deixado muita gente triste. Seja porque não se possui tantos momentos felizes assim ou, mais frequentemente, por acharmos que a vida dos outros é mais feliz do que a nossa (mesmo sabendo que pode não ser verdade, nossos neurônios teimam em ser enganados).
Curiosamente, no entanto, esse fenômeno está longe de ser novidade.
Pegue o famoso quadro da rainha decapitada da França no século XVIII, a Maria Antonieta, por exemplo.

Nessa "selfie da época", fez questão de parecer uma cuidadosa mãe de família (fortemente inspirada, dizem, no retrato da Santa Maria, de Leonardo da Vinci, abaixo), o que era o padrão da mulher feliz (pelo menos para os outros) naquele tempo.


Os desavisados (ou "as desavisadas") deveriam morrer de inveja dessa felicidade toda, contribuindo para suas infelicidades.
Nada mais enganoso, no entanto.
Os mais próximos sabiam o quanto a rainha era negligente com os seus filhos. Largava fácil a prole por uma mesa de jogos ou por seus amantes (ambos somados, melhor ainda!).
Dentre várias infelicidades retratadas na "foto", o berço que foi originalmente pintado com seu quarto filho recém-nato, esvaziou-se durante a realização da obra, porque a criança não durou muito em vida. Seu irmão com a mãozinha esquerda apontando pro nada, originalmente estava com esse dedo indicador à frente da boca, pedindo silêncio para o bebê. O mesmo irmão que também viria a falecer não muito tempo depois, possivelmente de tuberculose, pouco antes da decapitação dos próprios pais.
Como se percebe, nada para se morrer (literalmente) de inveja.
Ou, também como hoje, talvez contribuindo para que na hora apropriada os infelizes colaborassem para a queda das lâminas. 


17 de agosto de 2020

Em Busca do Lego Perdido



A história que correu o mundo nessa semana, do menino que reencontrou uma peça de Lego no nariz dois anos após tê-la colocada lá, é muito boa, mas tanto não é muito novidade (crianças pequenas testam buracos, seus e os dos outros, a todo momento), quanto tem um elemento um pouco estranho.
A estranheza do corpo estranho? 
Corpos estranhos nasais, pelas características da flora dessa região, tendem a fazer com que a secreção vá mudando, dentre outros motivos pelo menor arejamento da fossa nasal. E normalmente, em curto tempo, o odor que dali se propaga, faz com que a gente faça diagnóstico quase que da sala de espera (imagina para os que convivem!).
Dois anos, dá quase para "corroer" um castelo de Lego!
O menino? A legou inocência... (fraca!).

E história curiosa por história curiosa, tenho outra (posso falar porque o menino já é adulto há muito tempo):
Ao tentar retirar o ignorado corpo estranho do nariz do pequeno paciente (pais não sabiam do que se tratava), literalmente pulou fora um material com características, digamos, "elástica": uma camisinha! Aparentemente, ainda pronta para o uso! O curioso foi notar a vergonha da mamãe...



14 de agosto de 2020

Brutamontinho

Você, caro leitor (a), certamente lembra de quando tinha a tenra idade de 8 anos (não vale dizer: "foi esses dias"!).
Se lembra, deve lembrar mais ou menos como raciocinava, com sentia, como esperava que o futuro fosse, etc. Além disso, talvez possa lembrar de que quando fazia algo, qualquer coisa, fazia essencialmente (ou mesmo integralmente) visando a atenção dos outros. Mais especificamente, de alguns adultos. Mais especificamente ainda, de pais e "autoridades".
De nada disso parecem lembrar as autoridades policiais americanas. Pelo menos aqueles que protagonizaram a cena patética de tentar colocar algemas "de verdade" (não "de mentirinha", não de plástico, verde-limão, acolchoadas) nos punhos de uma criança esmirrada, aos prantos.

 
Pra todos nós, ignorantes da área judicial, a medida parece bizarra. 
Eu, no meu desconhecimento (mas entendendo sobre a completa inimputabilidade de um menino franzino), fosse um policial-urso daqueles, bem ao estilo americano, teria satisfeito meu dever falando (um pouco) grosso:
"Aiaiai, não quero ter que falar com você de novo, hein? Tá, toma um pirulito, e se arranca daqui!" (ainda que com esse "se arranca" poderia me meter em complicações posteriormente - "chispa daqui!", talvez fosse mais adequado).
O crime do "meliante"? Aparentemente, "bateu na professora"!
Aquela "pulguinha"? Que tamanho tem essa professora? 
Sabemos o quanto um "oitene" (garoto de 8 anos, não procure no dicionário) pode ser um "diabinho". Mas é isso aí, faz parte. Vai crescer, vai desenvolver capacidades, vai até tomar uns tapas, em casa (que ninguém os veja!). E não deve mesmo maltratar professores, sabem disso. É muito pra isso que estão em escola. 
Não para saírem presos, algemados.

10 de agosto de 2020

"Faz Isso"

 

"Então a senhora faz isso: toma esse medicamento, e amanhã a gente volta a se comunicar"
"Não é sério?"
"Não, fique tranquila"
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""Dona ... , tô ligando pra te avisar. É grave, pode até matar!"
"Até matar? Meu Deus!"
"Sim, e não saia de casa, pra não pôr em risco as outras pessoas"
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"Boa noite, Dona... Como vai? Tudo bem?"
"Não, né? Tô assustada!"
"Mas por que? Muito pouca gente fica doente por isso de verdade. E só tomar alguns cuidados..."
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"Dona..., vamos pedir novos exames. Estamos muito preocupados com a sua situação! Não venha sozinha, peça para alguém trazê-la"
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"Boa tarde, Dona... Mas o que é que a senhora está fazendo aqui? Tanta gente mais doente, podia ter ficado em casa"


A manchete: "Restaurantes abrem em São Paulo, mas ficam vazios". Sério? Mas por que será? 
Nada como medidas consistentes para trazer a tranquilidade para um paciente. Para uma inteira população, então, nem se fala.