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16 de junho de 2015

No Tapa, Então



Eu acreditava numa posição oficial da Sociedade Brasileira de Pediatria (quem mandou?), e recomendava para os pacientes:
Piretróides? À princípio, seguro. 
Agora, não param de aparecer novas preocupações ("bobagem", neurotoxicidade, só!) com o uso dos piretróides, que são base de tudo quanto é produto comercial contra "bichinhos" (do inseticida "de parede" ao produto para matar piolhos, passando pelos venenos utilizados na agricultura para frutas e legumes).



E o pior: por não serem muito voláteis (ou seja, não evaporam facilmente), tendem a ficar nos tapetes e carpetes onde a criança brinca (e põe a mão na boca, e lambe, etc)!
Os piretróides são mais uns daqueles produtos que são "naturais" na origem. Vêm dos crisântemos, curiosamente as flores usadas em funerais (não sei se pelo efeito anti-moscas ou anti-mosquitos). O que não quer dizer, claro, que não fazem mal (cocaína vem do que?), mas acabam dando a "aura" de inofensivos.
Não é. 
Ficou complicado recomendar algo pra matar mosquito.
Tapa (!)?

12 de junho de 2015

Ainda Impopulares


Olha, pra mim que sou descrente de quase tudo, considero uma vingança certos empecilhos que os tais remédios biológicos enfrentam.
Remédios biológicos têm em comum o fato de:
Precisarem de alta tecnologia para serem produzidos,
Ainda não poderem ser copiados (genéricos), justamente pela complexidade na produção,
Serem extremamente caros,
Terem uma quantidade grande de efeitos colaterais (alguns deles muito piores do que a doença que propõem tratar), fato "varrido pra baixo do tapete" pela indústria, pela mídia - tanto leiga quanto especializada - e, principalmente, por boa parte dos médicos que obtêm vantagens ao prescrevê-los,
Darem um ar up-to-date aos profissionais que os prescrevem (em comparação ao ar démodé dos que prescrevem os "baratinhos, mas ainda eficientes, e com efeitos colaterais já conhecidos de longa data"),
Contarem com uma tremenda verba (comparável aos seus custos) para intermediar liberações apressadas de órgãos governamentais, fraudar resultados de trabalhos científicos, gerar reportagens em que se decantam seus grandes benefícios,
Terem nomes muito mais impronunciáveis do que os remédios mais antigos, e etc.
Então: como escrevi no início, esses próprios estratagemas que a indústria se vê obrigada a fazer para popularizá-los, e o seu (graças à Deus?) altíssimo custo fez com que (ainda!) não caíssem no gosto e uso popular.
Mas já há muita gente arrebentando patrimônios. Há muita gente sendo cobaia para efeitos colaterais ainda desconhecidos. Há muita gente pagando duas férias anuais de médicos na Grécia e em remotas ilhas da Europa.

(a notícia da semana? jogue fora suas estatinas do tratamento do colesterol elevado! já temos maravilhosos biológicos aprovados!) Grrr!!

Vou sempre terminar essas postagens com a frase:
Eu ponho a boca no trombone! Mas eu não sou ninguém!...

9 de junho de 2015

Ácido Fólico: Pra Quem e Por Que?


O que a gente precisa saber sobre o ácido fólico?
Pouco.
Que é uma espécie de vitamina (ou é uma vitamina).
Que tem grande importância na gestação, visto que já há algum tempo que se provou que recém-nascidos de gestantes carentes do ácido fólico têm maior incidência de defeitos congênitos do sistema nervoso, e que a suplementação evita esses defeitos.
E quase que só.
Um pouquinho mais?
Recém-nascidos muito prematuros também devem precisar de um reforço.
Pra que serve? O ácido fólico participa decisivamente da divisão celular, por isso sua carência pode levar a defeitos na formação de órgãos (embrião) ou anemia no organismo já formado.
Fontes alimentares?
Um monte. Principalmente em alimentos ditos "saudáveis" (vegetais verdes, frutas, cogumelos, algumas carnes, etc.). Talvez aí resida algum perigo recente para a infância, devido à bobajada que as crianças têm comido.
E precisa suplementar as crianças pequenas, não prematuras?
Aí mais uma polêmica:
Vou citar uma frase famosa de um estudo científico:
"Não se conhece nenhuma informação sobre sintomas clínicos de deficiência de ácido fólico em crianças nascidas a termo que foram exclusivamente amamentadas ao seio".
Pronto. Fim de papo!
Mas começaram a aparecer recomendações, que (como vimos acima) podem ser consideradas "furadas". E só para variar, não se sabe com certeza dos efeitos deletérios da superdosagem de ácido fólico, ou da suplementação nos casos em que a dieta já é suficiente.
Já foi coisa demais, né?


Parei, então.

5 de junho de 2015

Besticeler


Entreouvido numa farmácia:
"Qual a fluoxetina mais barata (vagabunda) que você tem aí?" ...
... "Minha esposa acha que tem depressão".

Taí uma compra sensata! Se é pra comprar um placebo (falso medicamento, com efeito psicológico), melhor não gastar muito!
Nem tanto assim, claro. Até pelos perigos de um remédio de qualidade mais baixa. 
Mas há muito medicamento no comércio farmacêutico (muitos deles campeões de venda) que funcionam assim: baratinhos, baratinhos... Mas com efeito apenas placebo. Quase sem efeito colateral, mas com nenhum efeito benéfico, também. 
A pergunta que eu ouço: "Então pra que vendem?"
Porque vende! E se alguém compra, vão continuar vendendo. A não ser que um bom samaritano de órgão governamental resolva um dia implicar com o "medicamento" (o que vai ser muito difícil). O outro caminho? Pacientes se tornarem esclarecidos o suficiente para acabar com o sucesso. Ainda também muito difícil...

2 de junho de 2015

Um Simples Grão?


Às vezes, levamos bronca por tabela.
A bronca que levei a alguns dias atrás foi em relação à dieta sem glúten de um pequeno paciente com doença celíaca
O especialista questionou a mãe sobre a possibilidade de contaminação cruzada na dieta do filho.
O que é a contaminação cruzada? É mais ou menos o que acontece com a contaminação por germe: se o germe é muito agressivo, a mínima "bobeada", pode significar um grande risco para o paciente. No caso da doença celíaca um mínimo grão (de recipiente, prato, talheres, etc.) de um cereal proibido contamina a dieta sem glúten, interferindo na evolução do celíaco.
Achava - na minha ignorância - que "a coisa não era bem assim"... Que mesmo naqueles que não cumprem tão à risca a dieta, também não vão subitamente "explodir", como um alimento estufado, fora da data de validade. Uma preocupação minha era a de não criar um transtorno alimentar pelo pânico, tanto da mãe quanto da própria criança.
E não explodem, mesmo. Mas segundo os próprios especialistas, o cuidado extremo não é um exagero. Vai minando o restante dos esforços, com possíveis consequências nefastas.
Tomou bronca a mãe. Considerei a bronca pra mim, também.
Deve valer pra ela. Valeu pra mim.