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17 de julho de 2009

Prefe-errência


Tem muita gente (boa) que evita usar broncodilatador (fenoterol - Berotec®, salbutamol - Aerolin®, terbutalina - Bricanyl®, etc.) para suas nebulizações com medo das reações adversas (que são conhecidas e controláveis nas dosagens corretas) e passam a usar somente brometo de ipratrópio* (Atrovent®) para as crises asmáticas.
Perdem, assim, um remédio vital para a recuperação da falta de ar (mas que deve ter seu uso preservado para momentos de maior necessidade – é como o dinheiro da poupança) e ganham, assim, um medicamento de ação muito discutível para estes mesmos momentos.
(Muitas mães, ao testarem elas mesmas a nebulização ou a “bombinha” que fariam para seus filhos “passam mal”, ou seja, experimentam as reações adversas – que muitas vezes seus próprios filhos não experimentariam, por serem organismos diferentes – e concluem: “Este remédio é muito perigoso!” e... Tchau, tchau, remédio ainda interessante nos dias de hoje!)
* O ipratrópio também pode ter suas reações adversas “perigosas” (inclusive, veja você, broncoespasmo, ou seja, piora da função respiratória em cerca de 10% dos pacientes). Mas, pela ausência quase sempre do efeito assustador da taquicardia, tem a preferência do “eleitorado”.
** Não adianta: historinhas como as da ilustração acima são mesmo mistificadoras da asma e dos medicamentos a ela associados. Por isso tanta gente tratada de forma inadequada. Por isso tantos tratamentos “naturais”, impedindo ou atrasando a melhora dos pacientes.

14 de julho de 2009

Só Dói Quando Respiro


Quando a dor torácica em crianças é motivo de preocupação?
Olha, preciso muito esforço de memória para lembrar alguma criança atendida por dor torácica que realmente fosse portadora de algum problema importante.
Como lembra o artigo do site Contemporary Pediatrics, dor no peito costuma aparecer com muita freqüência em crianças cujos parentes apresentaram recentemente alguma condição cardíaca (infarto ou cirurgia cardíaca, por exemplo).
Além disso, o próprio problema médico do parente faz com que a turma fique mais “ligada” nas queixas de dor da criança, quase que gerando um ciclo vicioso.
Dicas (também do mesmo site):
Dor com a criança bem, sem alteração da função respiratória, sem febre, costuma ser de causa psicogênica na grande maioria dos casos.
Dor aos esforços físicos provavelmente merece investigação cardiológica.
Dores em crianças cujos parentes próximos apresentaram morte súbita podem merecer avaliação. Acrescentaria aqui problemas cardiológicos precoces (mesmo não resultando em óbito) em parentes próximos.

Curiosidade:
Quer uma causa muito freqüente de dor torácica, tanto em crianças quanto em adultos?
Gases! (o que o homem simplório costuma chamar de “pum atravessado”).

10 de julho de 2009

Sem Bala Na Agulha


Volta e meia o assunto retorna à baila:
Um ou outro profissional não-médico (agora enfermeiros) deve prescrever medicamentos?
A proposta teria a intenção de aliviar a carga das emergências médicas. Enfermeiros fariam uma avaliação prévia e resolveriam casos menos sérios.
Particularmente sempre achei que mais vale um bom enfermeiro do que um mau médico, mas a possibilidade da prescrição tem que analisar últimas instâncias.
Então imagine uma criança que chega a uma emergência médica com alguma condição séria em que o(a) enfermeiro(a) falhou na avaliação da gravidade e a mandou para casa, vindo a mesma a falecer em seguida.
Quem seria responsabilizado (em última análise, quem arcaria com o valor indenizatório)?
A instituição? O médico plantonista chefe da equipe à qual o enfermeiro pertence?
Enfermeiros não usufruem do mesmo status do médico. Assim como também não usufruem dos mesmos proventos. Não conseguem, então, se atualizar na mesma medida, não terão autoridade - nem capacidade - para tomar decisões terapêuticas, não terão caixa para se responsabilizar em processos por erro “médico”.
Passemos assim para outra solução para emergências abarrotadas.

7 de julho de 2009

Numa Tacada


Numa época em que somos obrigados a engolir frações às vezes não desprezíveis de antibióticos no frango que comemos para evitar o colesterol da carne vermelha, em que tomamos resíduos de venenos agrícolas e - de novo - de antibióticos da indústria agropecuária na água mineral que deveria nos “salvar” de outras fontes menos cuidadas de água potável (o aguardado documentário Food, Inc. – um “Uma Verdade Incoveniente” da comida - versão para preguiçosos do livro de Michael Pollan deverá chamar a atenção mundial para estes assuntos), pelo menos deveríamos estar fazendo alguma força para pouparmos nossos queridos filhinhos dos antibióticos receitados inescrupulosamente (e o “receitados” aqui podem ser de um balconista de farmácia que, quando tem formação universitária, é de Pedagogia, mas no mais das vezes tem formação em Artes Marciais – cinematográfica, apenas) para gripes (não-A, não-B, gripes iletradas) e resfriados ou mesmo infecções bacterianas banais cujo organismo previamente são tira de letra!
Ufh!

3 de julho de 2009

Kalman! Take It Izzy!


Existe a ameaça ou a agressão de natureza grave. Pra essas, tratamento, denúncia, polícia.
Mas a maioria do que tem se definido como bullying é coisa pouca, provocação de gente imatura, que precisa desfazer do outro pra se sentir melhor.
E, ao contrário da onda recente de regulamentação do que são atitudes normais ou bullying, o psicólogo americano Izzy Kalman (ô nome bom pra psicólogo, hein?) orienta que seu filho aprenda a lidar com a coisa de forma inteligente.
Como?
A provocação, o bullying é um jogo, ensina ele, e nunca, em nenhum momento seu filho deve aceitar participar dele. Deve fazer todo esforço para não mostrar grandes incômodos, em hipótese alguma deve pedir socorro para pais ou professores, sob pena de mostrar a desejada fragilidade.
Além disso, deve ser ensinado a rir de si mesmo, característica que pode ser aprendida e que servirá para a vida inteira.
Aeroporto de mosquito? Tô cobrando passagem.
Se tinha pra homem? Quer um pro seu?
Rolha de poço!
Huum!... (essa doeu?) Não veio resposta? Então pelo menos engula. Saiba não reagir. Até concorde, tipo “sabe de algum poço aí nas imediações?” Tudo pra não entrar no jogo, que é o grande lance do provocador.
A vida é dura? Tem muita maldade nesse mundo? É uma das importantes lições que a escola tem pra ensinar.