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9 de dezembro de 2008

Fraco Apoio


Doença reumática. “Reumatismo” (termo vago, mas citado na pergunta dos pais) é a dúvida em muitas crianças que se apresentam com dores em membros (pernas, sobretudo), dores tão comuns.
Mais do que a história do paciente e o exame clínico, o que parece fazer diferença na aceitação do diagnóstico pelos pais é o exame laboratorial.
Acontece que – como bem mostra comentário recente no jornal americano de reumatologia pediátrica – os dois exames mais utilizados para diagnóstico da doença reumática em adultos (fator reumatóide e anticorpo anti-nuclear) não servem para as crianças.
No caso do ANA (anticorpo anti-nuclear), por exemplo, é comum o resultado positivo em crianças perfeitamente saudáveis. Além disso, a maioria das crianças com artrite idiopática juvenil não apresenta fator reumatóide positivo (ao contrário dos adultos).
Daí é aquela coisa: confiança na palavra do médico (baseado nos dados de história e exame) e... ponto final.
Isso nessa época de super-valorização de exames!

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Para uma criança pequena, um mero
pum pode ser uma experiência assustadora.

E aí, mudando inteiramente de assunto:

Quando um
gigante cai, o barulho é enorme.

2 de dezembro de 2008

Ramadão do Cartão


E, por falar em compras, você, no último sábado, aproveitou seu dia com as crianças e se meteu num shopping para a gastança do fim de ano, não foi?
Então perdeu a oportunidade (não chore, ano que vem tem mais!) de participar dum movimento crescente - mas ainda muito tímido – iniciado na França a cerca de 2 anos, o “Dia Sem Compras”.
Seus criadores têm a intenção de aproveitar a crise econômica mundial para criar uma nova consciência (contra tudo e contra todos): começa a haver menos recursos planetários, os grandes consumidores somos apenas 20% da população e, o pior da história, se de um lado esse consumismo todo escraviza países inteiros (218 milhões de pessoas abaixo dos quinze anos ajudam – e muito – a alimentar esta triste indústria), do outro, não tem servido para nos tornar mais felizes.
Você, que quer continuar com sua meia gorda neste Natal, dirá:
-De que adianta? Compraremos tudo no domingo, no dia seguinte...
É isso aí. Por enquanto é assim. E mesmo no sábado estacionamentos de shoppings e supermercados estiveram cheios.
Porém, tudo tem um começo.

28 de novembro de 2008

Caia Em Mais Esta


O que é que os fabricantes de aparelhos de ginástica estavam esperando?
Pais já se sentiam culpados há muito tempo. Vendo seus filhos se transformarem em peças do mobiliário, em frente à TV ou ao computador. Comprando tudo quanto é bobagem para eles comerem, à disposição, fácil, na despensa. Com muito pouco tempo para o parque, a praça, o passeio, com ou sem cachorro.
Então estava tudo montado para a nova atração a ser colocada na sala de ginástica:
Os aparelhos de fitness para criancinhas!
Chega de ar livre. Chega de sol. Ao inferno com imprevistos como caca de cachorro ou semáforos demorados.
Agora você não precisa mais disso.
Ajuste seu pequeno na geringonça, aperte bem os cintos e...
vá trabalhar tranqüilo, certo de que você é um(a) excelente pai (mãe).

25 de novembro de 2008

Viação Uru Bus


Olha a idéia de certos burocratas em cargos de direção escolar:
Alguns pais de uma determinada escola da região começaram a aparecer com pedidos de tipagem sangüínea.
Para quê?
Porque (segundo os pais foram informados pela direção) seus filhos irão fazer uma excursão escolar e, no caso de algum acidente com o ônibus que os levará, já estarão todas as futuras vítimas ali, devidamente fichadas, tipadas, esperando pela provável transfusão sangüínea, que deverá salvar suas vidas.
Não sei quanto a você, mas eu já por precaução não deixaria meus filhos irem.
Se nem em viagens internacionais para destinos tão perigosos quanto, sei lá, o Iraque por exemplo, se pede coisa assim...
É muita urubulinização!
Ou falta do que fazer.
Só para esclarecer:
Tipagem sangüínea não serve para nada “de véspera”.
Em caso de uma fatalidade como a que a escola já foi preparando os pais (“ribanceira abaixo, mas devidamente tipado” poderia ser o mote da viagem) as vítimas devem ser tipadas na hora (se há laboratório para transfusão de sangue há também para a tipagem e a prova cruzada: a verificação de compatibilidade entre sangue de doador e de receptor), mas...
Quanto pessimismo para uma excursão, hein?
Já pensou se a moda pega?
(Uma outra idéia seria a de cada aluno já levar sua bolsa de sangue de casa, na lancheira).

Qual a semelhança (e a diferença) entre o pediatra e o psiquiatra?
Os dois, de vez em quando, apanham de seus pacientes.
Só que no caso do pediatra, a surra costuma ser menor.

20 de novembro de 2008

Foie Gras "Voluntário"


Ouvimos, muitas vezes, sobre “doenças novas”.
Claro que na maioria das vezes as doenças não são propriamente novas. Já existiam. Apenas o conhecimento apareceu com o desenvolvimento científico.
Não é o que ocorre com uma condição (não necessariamente uma doença) chamada esteatose hepática.
A esteatose hepática – ou fígado gorduroso - é o resultado “visível” da ingestão excessiva de alimentos, típica da vida moderna.
Curiosamente, é o equivalente humano do famoso patê foie gras, obtido pela cruel engorda forçada do ganso, como explica o endocrinologista Henrique Suplicy na página da ABESO.
O fígado é um órgão essencial para o metabolismo humano. É mais importante do que se costuma imaginar para várias das funções orgânicas. Então, como se pode deduzir, muitos desses fígados transformados em verdadeiros patês vão deixando de funcionar, com conseqüências que vão da piora da diabete tipo 2 – associada aos indivíduos obesos - ao grave câncer do fígado.
E, ainda que possa parecer uma entidade rara, apenas mais uma curiosidade, o número de pessoas afetadas poderia chegar a alarmantes 30% da população adulta. Os fatores complicadores são o diagnóstico difícil (não há um exame único específico para a esteatose e os sintomas iniciais são muito vagos) e o tratamento controverso e igualmente difícil (visto que é uma condição justamente “nova”).
Obs.: já há na literatura médica relatos freqüentes da esteatose mesmo em crianças.