Nossas variações de humor se assemelham ao uso de óculos
com lentes de cores diversas.
Para alguns, a lente se mantém quase o tempo todo escura,
muito escura, e com pouca variação entre um período e outro. São os deprimidos
“endógenos”, que necessitam tratamento para suavizar o tom (nem sempre
conseguem).
Para outros, a lente está quase sempre clara, como o
próprio cristal de que é feita. Ninguém a tem 100% do tempo clara, é evidente.
Mas há equilíbrio na gradação, e a recuperação da clareza se faz sem muita
demora. É o que acontece com a maioria dos que se convencionou chamar de humor
“normal”.
Há os ciclotímicos que, ainda que não sejam patológicos,
notam de forma nítida a variação periódica da cor de suas lentes, algumas vezes
em períodos curtos.
O bipolar é um exagero da situação anterior. Além disso,
tem lentes coloridas exclusivas, nas fases ditas maníacas (humor exaltado), ou
mesmo espalhafatosamente dégradé. As
viseiras escuras, entretanto, estão sempre à espreita, prontas para serem
colocadas. O tratamento medicamentoso visa neutralizar esta festa de cores,
mesmo que à custa de um tom “meio sem graça”.
Crianças também variam as cores de suas lentes. O
conhecimento a respeito é que é menos difundido, gerando confusão nas interpretações
de sintomas.
Quem não verbaliza, somatiza. Isso é notado em adultos. Mas as
crianças são o exemplo claro, notadamente em idades menores.
Não transformemos todos em doentes. Mas convém
prestar atenção em traços de personalidade, em variações ou alterações
importantes do humor. Principalmente nos que não falam ou falam pouco.