Não me entendam mal, não estou convocando ninguém a
escapar da vacina BCG, mas se tem uma vacininha vagabunda no calendário vacinal
infantil, essa aí senta facilmente no pódio – e isso há mais de 90 anos, tempo
em que as ruas do país eram povoadas por carroças (ou carroçadas pelo povo).
Pouca gente pára pra se perguntar:
-Espera, se eu faço uma vacina contra tuberculose ao
nascimento, não era pra tuberculose quase não mais existir?
Aí é que está: a BCG é uma vacina que não passa nos
mínimos critérios científicos atuais para prevenção de doença por imunização.
É até por isso que muitos e muitos países não a adotam,
mesmo que ainda não disponham de nada melhor.
E as estimativas são assombrosas: cerca de 2
bilhões (isso mesmo: bi!) de pessoas no mundo podem estar expostas a um dos
germes mais traiçoeiros da humanidade (porque lento, silencioso e de difícil
diagnóstico, até que já tenha feito muito estrago), com cerca de 9 milhões de
casos/ano e 1,5 milhão de mortes/ano.
Laboratórios farmacêuticos têm trabalhado em algo muito
melhor, e a tarefa não é nada fácil, pois as populações são muito heterogêneas
nas suas necessidades e estruturas.
Mas as três letrinhas (e as feiosas “casquinhas”) precisam
urgentemente ser deixadas para trás.
-Pra que serve essa meleca, então?
Teoricamente, para tentar prevenir a tuberculose em
crianças novas, com relativamente pouco êxito.
A cada vez que eu vou ao Correio, penso que o nome, assim
como as cartas, está ultrapassado. Pela lerdeza no atendimento, a instituição, hoje,
deveria ser chamada de Devagareio – ou mesmo Pareio.