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4 de novembro de 2011

Biodesagradável

A grelina, você já deve saber, é o hormônio produzido pelo estômago que avisa ao organismo que é hora de buscar comida, que a pança está querendo ficar vazia (mais grelina, mais fome).
Pesquisas recentes mostram que pacientes (pacientes ratos nesse caso, mas pacientes ainda assim) em que se eliminou o H. pylori (a bactéria sentada no banco dos réus na maioria dos casos de gastrite e úlceras do estômago) com o uso de antibióticos mantêm seus níveis de grelina sempre mais elevados, com ou sem comida na pança (ou seja, os ratinhos ficam quase que perpetuamente com fome). A tal bactéria teria, então, alguma função importante na regulação dos níveis de hormônio produzidos pelo estômago.
Ainda não se sabe ao certo, mas pacientes humanos que se utilizam de antibióticos com mais freqüência podem também ter seus níveis de “avisadores de fome” desregulados – talvez para sempre – o que implicaria de certa forma numa causa “infecciosa” (ou, mais propriamente “desinfecciosa”) para os níveis atuais de obesidade.
De forma simplista, podemos entender o fenômeno da seguinte forma: nossas bactérias comensais também se nutrem das nossas calorias - pois comensais. Quando as eliminamos, nutrimo-nos (ou supernutrimo-nos) nós!
De novo, o “perigo” da coisa: a comercialização (sem nenhuma prova de que funcione) das bactérias “probióticas” para explorar ainda mais os fofos e fofas.

1 de novembro de 2011

Arditos ®

Intestino preso.
Não é meu problema. Meu intestino é mais solto que telhado de barraco.
Mas confesso que vivi uma experiência que me fez entender porque boa parte das crianças atualmente são constipadas.
Culpa dessa dieta moderna repleta de coisinhas à base de milho.
Numa noite de plantão tive um ataque de fome de Doritos no meio da madrugada (atenção: isso não é um merchandising, é mais um anti-merchandising!).
Mais de 36 horas depois, quando as coisas foram inevitavelmente acumulando à montante, você pode imaginar (não vou ficar aqui descrevendo meu suplício!).
Então.
No mundo inteiro – mas principalmente nos países subdesenvolvidos – crianças se entopem de Doritos, Cheetos, Baconzitos (originais e, principalmente, genéricos). Fonte barata de caloria, com quase zero de fibra.
Haja fiofó!

28 de outubro de 2011

Agnosticismo ou Agnosia? Limites da Atuação Médica


Você já parou pra pensar:

Por que a Medicina leva os créditos de curar o que é curável e é absolvida de não conseguir curar o que é incurável?

E pensando bem, não é assim com quase tudo (na religião, por exemplo)?

Então:

Já não era hora de se pôr menos fé – mas principalmente menos dinheiro - na atuação médica? (da religião nem falo!).

Não deve chegar um momento em que devemos nos conformar com fatores como (sei lá!) sorte, azar, ou como queiramos chamar (você pode chamar de fé, ou como quiser)?
(Não se trata da ingênua negação do avanço da ciência, nem da apologia ao entreguismo à doença. Falo da nossa pretensa indestrutibilidade moderna, do achar que tudo podemos prevenir ou tratar).

A quem interessa isso, senão a quem nos vende (literalmente) essas idéias?

“Há certos momentos em que não há mais nada a dizer. Em momentos assim, tussa!” (tussis excusis)

25 de outubro de 2011

Techno - Excessos da Tecnologia

Lembra de quando existiam árvores?
Não, quando existiam não, pois elas ainda existem.
Falo de quando nas nossas viagens olhávamos para elas.
Sem nossas internets, sem nossos Facebooks a nos distrair, nos subtrair as paisagens.
À época dos MP3 nos restavam os olhos. Que foram sendo afastados para as telas dos GPS (por que tanta sigla, meu Deus?).
Aí vieram as telinhas de DVD (olha elas, as siglas, aí de novo!). Mas éramos um pouco imunes, já tínhamos visto e revisto filmes e shows (até aí sem muita novidade).
Ainda preferíamos as árvores, no mais das vezes.
Carros auto-guiados, que luxo! Câmera de ré. Sensores. Até que chega essa coisa na frente do motorista. Um motorista do motorista. Que assim se intitula somente porque se senta no banco esquerdo da frente (Lembrei de marcha. Lembra?).
Então.
Agora, conectados, plugados, assistimos ao mundo em movimento. Não o da nossa frente, o de trás ou o dos lados. O mundo real, o mundo virtual de outrora.
Chegamos onde nunca havíamos pensado. Como se nunca tivéssemos saído do lugar.
Mas, espera...
Já chegamos?

Aqui em casa, estamos tão lotados de gadgets tecnológicos que – fôssemos uma família de língua inglesa – estaria chamando minha esposa de “my wi-fi”, e ela, “my husbanda larga” (modéstia à parte!).

21 de outubro de 2011

O Preço da "Passagem" - Cólicas do Recém-Nascido

Qualquer um afortunado o suficiente para portar um cartão de crédito já viveu a experiência de passar do ponto (em tempo, não no cartão!) dentro de um shopping.
Horas de ambientes excessivamente iluminados, com apelos visuais, auditivos e até olfativos são uma sobrecarga garantida pros órgãos do sentido.
E, para a maioria de nós – principalmente os mais “ligados” – o fim do dia chega mais cedo. Pacotes na mão ou não, pança mais ou menos cheia, cansados, muitas vezes irritados (não sabemos muito bem com o que) estamos prontos para ir pra cama.
O bebê nos seus primeiros meses vive num shopping: é luz, cor, barulho, vozes, gente o tempo todo pra cima dele.
Há os que não se incomodam, até porque são mais desligados, calmos.
Mas há aqueles para os quais essa travessia do silencioso (ou pelo menos monocórdico) mundo intra-uterino para nossa bagunça paga um esganiçado preço: botam a boca no mundo.
E, como vamos aprendendo, não sem razão.