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31 de março de 2006

Vô Varrendo, Vô Varrendo...

A cada movimento respiratório, partículas de poeira e outros contaminantes das vias aéreas chegam até a traquéia e os brônquios.
Felizmente essa região é “atapetada” por pequenos cílios que só têm uma direção: de baixo para cima.
Então é assim: a parede dos brônquios e da traquéia “produz” catarro para nossa proteção (umidificação, aprisionamento de agressores), esse catarrinho básico é levado até a laringe (a fronteira entre a via respiratória e a via digestiva) onde, sem percebermos, o engolimos diária e ciclicamente (acho que ouvi alguém dizendo: Ui, que nojo!).
Por este motivo, em situações comuns, não precisamos de grandes ajudas. Resfriados, gripes leves, aumentam a produção de catarro (alguns tipos de vírus induzem o organismo a produzir mais catarro do que outros), mas o organismo dá conta do recado: o movimento ciliar é aumentado*, substâncias irritantes provocam o mecanismo de tosse e, passados poucos dias, o problema está resolvido.
*Em idosos, portadores de fibrose cística, discinesia ciliar e condições genéticas como a Síndrome de Down, a função destes cílios é prejudicada. Fumantes (ativos ou passivos) em especial também têm cílios malfuncionantes.

30 de março de 2006

Cowboy


Muitas crianças pequenas, quando andam, parecem que apearam do cavalo.
É o genu varo, deformidade em que as pernas ficam arqueadas, com os joelhos mais afastados.
Costuma desaparecer espontaneamente por volta dos 18 meses de idade. O limite máximo aceitável situa-se próximo aos 3 anos.
Em alguns casos, há a necessidade de se afastar o raquitismo como causa, além de algumas doenças, mais raras, como a doença de Blount.
De causa desconhecida, a doença de Blount apresenta como sintomas uma rápida progressão da deformidade ou assimetria (deformidade diferente em cada perna) ou deformidade apenas abaixo dos joelhos. É às vezes associada com obesidade ou deambulação precoce (crianças que andam muito cedo, causando sobrecarga da articulação do joelho).
Afastadas estas doenças (e outras bem mais raras como a intoxicação por chumbo ou as displasias ósseas), o prognóstico quase sempre é muito bom, com melhora da deformidade com o crescimento.


Espacialização Global

Parabéns, Marcos César Pontes.
Pegamos a primeira carona espacial. Por um preço razoável, dez milhões de dólares do nosso rico dinheirinho.
Junto com a corrida espacial, tecnológica, no entanto, há outra corrida: a social, humana. O argumento vigente é o de quem não participa da primeira não colherá futuros frutos pra segunda.
Serão os países pobres tecnologicamente desdenhados num futuro em que o planeta esteja no ponto de virar inabitável?
Tanta evolução científica verá mais segregação, menos harmonia entre nações em diferentes estágios de desenvolvimento?
Então, tá, obrigado, fico aqui por baixo mesmo.
E devolve meus dez centavos.

29 de março de 2006

Em Bicas


Seu filho pequeno anda suando mais que geladeira velha e ele não é, assim, nenhuma Brastemp? Principalmente quando dorme?
Pois saiba que isso é normal para a grande maioria das crianças.
Dentre outros possíveis motivos, porque elas têm normalmente maior quantidade de água corpórea (por este mesmo motivo podem desidratar mais facilmente quando acometidas por vômitos ou diarréia), imaturidade do controle dos vasos sangüíneos (que controlam a perda líquida através da dilatação destes vasos) e passam a maior parte do sono em fases que estimulam a sudorese (sono mais profundo).
Aproveite para dar uma lambidinha*. Esta é a base do chamado “teste do suor”, que serve para o diagnóstico da fibrose cística (mucoviscidose), doença herdada que apresenta anormalidade nas secreções corporais (pulmonar e pancreática, principalmente), que faz com que o suor torne-se excessivamente salgado.
* Só no seu filho, é claro!

28 de março de 2006

Maratona Absortiva


Por mais que pareça existir, a relação entre a constipação (intestino preso) e a obesidade não está comprovada.
A explicação de que a passagem mais lenta dos nutrientes pelo intestino possa fazer com que os mesmos sejam mais intensamente absorvidos (com ganho de peso como conseqüência) é tentadora, mas todos os estudos até hoje (tanto com crianças quanto com adultos) simplesmente não “fecham”.
Além disso, parece um simplismo extremo valorizar este único aspecto numa condição que é reconhecidamente multifatorial.
Nem mesmo o único dado tido como evidente até o momento (a presença mais freqüente da constipação em obesos, como mostra o estudo do Pediatrics de 2005, mas negado por vários outros estudos) comprovaria a relação causa-efeito.
Por este motivo, medicações laxantes não costumam produzir nenhum efeito interessante no tratamento de pessoas obesas.

27 de março de 2006

Dipirona 2: A Missão


Gente, “cês pode não creditá”, mas eu não tenho nenhum vínculo com qualquer laboratório que fabrica dipirona!
O problema é que a gente tem que falar a verdade pra vocês.
Mas, ainda, insistindo na questão do conflito de interesses:
Quem “inventou”a dipirona?
Um laboratório alemão, que lucrou muito (muito mesmo!) com as vendas (até hoje continua lucrando, apesar da quantidade de laboratórios que a fabrica).
Quais são os concorrentes da dipirona?
Paracetamol e, mais recentemente, o ibuprofeno.
Dois medicamentos “criados” onde? Onde?
Claro, nos Estados Unidos!
Então...
Não há dúvida que órgãos governamentais têm interesse, sim, em proteger cidadãos dos malefícios dos remédios. Mas também não sejamos ingênuos, por favor! Mesmo porque o maior interesse da indústria nunca vai ser a sua saúde (dura, a realidade!), e sim, a proteção dela contra uma avalanche de processos ou do esmagamento promovido pela mídia.
Desde o banimento da dipirona (apelidada depreciativamente de “aspirina mexicana”, pelo fato de ser contrabandeada pela fronteira mexicana pelos “latinos”) pelo FDA, as vendas de paracetamol e ibuprofeno não pararam mais de crescer
(isso também contando com nossa “gloriosa”ajuda).
Bom pra eles, né?...

(PS.: há um excelente editorial da Dra. Isabela Benseñor, professora de Clínica Médica do Hospital de Clínicas de São Paulo, no São Paulo Medical Journal de 2001, que vale a pena ser lido).