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16 de agosto de 2016

Mico Phelps


Phelps é "só" o maior atleta olímpico de todos os tempos. É dele a mansão no ponto mais alto do Olimpo, o monte onde os deuses se abrigam (comparativamente, Zeus mora num quarto e sala). 
O que dá o direito a ele de fazer bobagem o resto do tempo, quando não está nas piscinas.
Aí ele é humano.
Fuma uma ervinha pra relaxar, bate o carro, enche a cara, resolve parar ainda no meio da carreira e... faz uso de "chupa-pele" pra melhorar das dores!
Chamou a atenção (como se precisasse!) com suas manchas violáceas provocadas pelo cupping (nome globalizado para o uso de ventosas) durante as provas de natação. 
Não foi só ele. Outros atletas seguiram o exemplo (só não é mais popular que morder medalhas ao subir no pódio ou dar entrevistas). Acontece que ele publiciza o método milenar chinês!
Como funciona a ventosaterapia?
"Chupando" as "toxinas" (ah, essas "toxinas"!) para fora da pele com a força da sucção aplicada pelos copinhos com pressão negativa.
Ãhãm!! (como muita coisa da medicina chinesa...).
Fácil assim!
Aí vem a provocação:
Funciona em mordida de cobra? (já que "chupa toxinas"...)
Funciona em pneumonias? (já que...).
Suspende os soros antiofídicos! Suspende antibióticos! Suspende (para Phelps e seus colegas micos) repouso, gelo e antiinflamatórios. 
Não devem ser só os atletas chineses (com seu segundo lugar garantido no quadro geral de medalhas) que estão sorrindo à toa!


A muito bem-sacada música do extinto Casseta e Planeta:

"Se o Brasil é assim, imagine a Jamaica
Se o Detran daqui é assim, imagine o da Jamaica
Se o Whisky Paraguaio daqui é assim, imagine o da Jamaica
Se a minha sogra aqui é assim, imagina na Jamaica"...

"Se o cinema nacional daqui é assim, imagine na Jamaica
Se a meningite daqui é assim, imagine na Jamaica
Se os Argentinos daqui são assim, imagine os da Jamaica
Se o Botafogo daqui é assim, imagine o da Jamaica"...

não levava em conta que teríamos uma inveja danada do corredor deles.

Seria o caso deles inverterem:

"Se o Usain Bolt daqui é assim, imagina o do Brasil!"


Snif! Não temos!

12 de agosto de 2016

Cheirinho de Corpo


De quando em vez (só lembrando que "de quando em vez" é o mesmo que "de vez em quando", só que mais chic, porque ninguém, que eu saiba, usa) uma ou outra mãe se queixa que seu filho pequeno "cheira meio mal"! E aí, a pergunta: "Isso é normal?"
Diria que em quase todos os casos, filhos pequenos "meio fedidinhos" são o resultado ou de mães neuróticas (que ficam cheirando seus filhos, com provável receio de que sejam os outros que digam isso das suas crias, até que começam a perceber que aqui e ali, sim, há "algo cheirando meio estranho"), ou de uma era em que se valoriza a higiene pessoal às vezes de forma até demasiada (basta ver as assaduras provocadas pelas próprias mães ao "pegar pesado" em lenços umedecidos), ou ainda porque, sim, é meio normal que uma criança ou outra tenha algum cheirinho sem que isso signifique nada de anormal (diferenças raciais, alimentares e das próprias concepções familiares do que é uma "higiene adequada" podem explicar o "problema").
Quem gosta de ter cachorro dentro de casa, por exemplo (não me levem a mal), não costuma perceber "cheiro de cachorro" no ambiente, assim como quem não tem costuma sentir logo ao entrar o cheiro do bicho. Imagina uma criança que dorme num cobertor sujinho. O cheiro que a mãe sente "vem" da criança ou do seu cobertor?



Só lembrando que cheiro axilar, "de chulé", etc. ligados à puberdade têm causa hormonal associada e é outra história (e aí, sim, muitas mães vão ter verdadeiros motivos para reclamar!...)

9 de agosto de 2016

Para Ser Esquecido


Como eu não queria que fosse, mas a bronquiolite tem sido a vedete do nosso inverno.
Bronquiolite é aquela doencinha que de uma hora pra outra faz a criança pequena (mesmo o lactente de um ou dois meses) começar a "chiar", tossir, ter uma ansiedade muitas vezes visível para se manter apenas... respirando. 
Péssimo. 
Angustia porque provocada por vírus (algumas vezes vírus "porcaria" como um simples adenovírus, que no adulto causa uma mera coriza passageira), porque não responde a quase nada do que se tenta fazer com medicamentos, porque pode durar muitos e muitos dias (ou semanas, ou até meses).
Além disso, vêm os difíceis diagnósticos diferenciais (difíceis de ser, inclusive, testados): aspiração de corpo estranho, grave alergia, infecção bacteriana associada, anomalias de vias aéreas, coqueluche.
E mais: pelo desconhecimento dos pais, a ansiedade quanto aos possíveis "culpados": "descuidou", "saiu no frio", "pegou vento"...
E... Como assim, uma doença algumas vezes grave em que o que temos de melhor a fazer é muitas vezes não medicar? (equivale a dizer: quase que ficar olhando a criança sofrer!). A internação com administração de oxigênio é a solução para algumas.

Felizmente, a maioria evolui para melhora. Mas até que ela venha (significa: até que a severa reação inflamatória que os vírus provocam nos pequenos ramos das vias aéreas dos bebês cedam, e a cicatrização se faça - durante esse tempo todo com sintomas mais ou menos intensos), costuma ser um inverno "para ser esquecido". 

5 de agosto de 2016

Olimpíada? Ou Carnaval?


Não sei se é brincadeira, ou excesso de preocupação. Ou os dois.
Imagino que seja um pouco dos dois, mesmo.
A belíssima goleira Hope Solo, da seleção americana de futebol feminino, postou suas precauções para vir ao Brasil, com medo da zika. Ou de uma guerra nuclear, a se julgar pelos apetrechos todos que a moça reuniu.
É assim com países desenvolvidos. Imaginam que vão encontrar tudo de ruim nos países chamados "em desenvolvimento". Mosquitos enormes, macacos, crianças famintas na beira de valetas, doenças...
Parte dessas mazelas existem, mesmo. E as estamos dividindo bem com o resto do mundo - se não mazelas nativas, mazelas importadas, como no caso dos imigrantes chegando à Europa aos milhares.
E não é nada demais se precaver com um país tão violento, ainda cheio de doença vergonhosa, e etc.
O que pega, o que chega a ser engraçado é o exagero quando se trata de prevenção de qualquer coisa. 
Paga mico. Como já pagamos nós alguns anos atrás, nas ruas vazias com medo da gripe. 
Ou no caso das mães (pobres mães), que põem trocentas camadas de roupa no filho quando caem uns pingos de chuva. Ou quando querem fazer exames de sangue nos próprios "para saber se está tudo bem".


Não riamos tanto assim da moça, então. Ela é ridícula (mas linda) como todos nós.

2 de agosto de 2016

Feio? Bobo?


Num certo sentido, gosto do Trump.
Gosto do Trump porque sou pediatra. E o Trump é uma criança. E é difícil pra um pediatra não gostar de  crianças.
Trump fala o que pensa. Ou, na maioria das vezes, fala sem pensar (se é que pensa).
Trump não tem medo do ridículo, diferente da maioria dos adultos. Se tiver que fazer, vai lá e faz. Desafie o Trump. Peça, por exemplo, para ele plantar bananeira em meio a uma convenção. Se achar que vai ganhar votos, que vai pegar bem, por que não?
Não é lindinho? Não é fofo?
Trump pinta o cabelo de cores duvidosas. E daí? Outros da idade dele também fazem! E pegam a tesoura da mamãe (aquela usada para trabalhos manuais) e cortam o próprio cabelo, com um lado da franja maior do que o outro. Por que só ele não pode?
Trump quer tudo pra ele. Só pra ele. Claro! Pra que dividir com aqueles meninos fedidos ("São fedidos, mesmo, eu falo!") da vizinhança? Pau neles!
Trump vê as meninas com uma certa desconfiança. Prefere brincar só com meninos. Mas aceita, vai, uma menina ou outra!... Velha, não! Vovó Hillary que vá plantar batata! ("Falo, mesmo! Vá plantar batatas!").
Trump, às vezes, chega a ser mal educado. Como toda criança. (Deixa de castigo, ué?! Tira o microfone! Deixa ele falando as bobagens dele assim, só mexendo a boca, sem ninguém pra ouvir. Vê se ele não pede desculpa!)
Não gosto quando dizem que o Trump é feio. Ou bobo. Gente, ele é só imaturo! Quando crescer, ele aprende. Dá votinho pra ele, dá!


Assim como eu, boa parte da população americana admira uma criança. E perdoa as bobagens que as crianças falam. Acreditam nelas. Até o dia em que acordam e vêem aquela criança crescida com uma faca na mão e um olhar estranho no rosto. Pode ser tarde.