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3 de julho de 2009

Kalman! Take It Izzy!


Existe a ameaça ou a agressão de natureza grave. Pra essas, tratamento, denúncia, polícia.
Mas a maioria do que tem se definido como bullying é coisa pouca, provocação de gente imatura, que precisa desfazer do outro pra se sentir melhor.
E, ao contrário da onda recente de regulamentação do que são atitudes normais ou bullying, o psicólogo americano Izzy Kalman (ô nome bom pra psicólogo, hein?) orienta que seu filho aprenda a lidar com a coisa de forma inteligente.
Como?
A provocação, o bullying é um jogo, ensina ele, e nunca, em nenhum momento seu filho deve aceitar participar dele. Deve fazer todo esforço para não mostrar grandes incômodos, em hipótese alguma deve pedir socorro para pais ou professores, sob pena de mostrar a desejada fragilidade.
Além disso, deve ser ensinado a rir de si mesmo, característica que pode ser aprendida e que servirá para a vida inteira.
Aeroporto de mosquito? Tô cobrando passagem.
Se tinha pra homem? Quer um pro seu?
Rolha de poço!
Huum!... (essa doeu?) Não veio resposta? Então pelo menos engula. Saiba não reagir. Até concorde, tipo “sabe de algum poço aí nas imediações?” Tudo pra não entrar no jogo, que é o grande lance do provocador.
A vida é dura? Tem muita maldade nesse mundo? É uma das importantes lições que a escola tem pra ensinar.

30 de junho de 2009

Contando Carneirinhos


Também vou brincar de

Pergunte ao Doutor:

“Meu filho pequeno tem tido dificuldades para dormir à noite. Eu e meu marido chegamos em casa do trabalho cansados nesse período e o pestinha não quer saber de dormir!...”

Maria da Conceição – Cafundó

Embora a Maria acima não exista realmente – pelo menos não em Cafundó – a situação é muito comum.
E, em primeiro lugar, me pergunto por que é que pais tão ocupados e trabalhadores que não terão tempo para seus filhos têm filhos, para depois se queixarem dos incômodos do mesmo! (claro que a maioria dos filhos de um casal ainda é fruto de “escape”).
Bom, o pestinha já existe mesmo, e agora, faz o que?
Não tem jeito. Ou se tenta fazer pouca baderna no horário noturno (televisão ausente ou com baixo volume, pouca luminosidade nos ambientes, menos gritos, menos “festa” pro filhinho) ou vai se pagar o preço de acendê-lo no horário.
Os próprios pais é que devem decidir.

*Uma pequena lembrança, no entanto: algumas crianças com muitas dificuldades para conciliar o sono já podem estar dando mostras precoces de transtornos psiquiátricos que irão aparecer de forma completa na adolescência ou idade adulta.

Abraço Dona Maria!

26 de junho de 2009

Gripping

“As escolas em que haja casos de gripe A devem ser fechadas? Deve-se chamar o SAMU em casos suspeitos? As pessoas afetadas devem ser sistematicamente hospitalizadas?” pergunta o jornal francês Le Fígaro desta semana, mostrando a barafunda em que se encontra a política de saúde pública frente à nova epidemia.
Algumas respostas:
Esta “nova gripe” não é mais letal do que outras gripes de todos os anos (média de 4 óbitos por 1000 afetados), apenas tem se mostrado mais contagiosa. Então a grande mortalidade mundial pode se dever à facilidade de transmissão, e não à maior gravidade da doença.
Uma coisa é pensar em epidemia no mundo atual, pesadamente informado. Outra é a prática, com exígua capacidade hospitalar, médicos despreparados, medicamentos insuficientes – e possivelmente ineficazes a partir de certo momento.
Então está assim: continuamos esperando claras políticas públicas no mundo inteiro, continuamos torcendo para que essa epidemia ainda seja um exagero de cobertura jornalística.

(tristeza de antigos fãs à parte, já paira uma dúvida para o funeral de Michael Jackson: “Wear Black or White? Yeah, yeah, yeah...”)

23 de junho de 2009

1,2,3 e... Espere!


Estudos recentes têm mostrado que uma característica comportamental da infância possivelmente vai refletir em quanto a criança ganha de peso.
É a dificuldade do controle dos impulsos.
Crianças tão pequenas quanto as de 3 anos já costumam mostrar diferenças nesta capacidade e serão as mais impulsivas (com maior dificuldade de se controlarem) que terão maior tendência a se tornarem mais gordinhas.
É meio óbvio (e provavelmente por motivos mais orgânicos do que propriamente por motivos puramente comportamentais).
Quando estamos com conhecidos à mesa, quem costuma “atacar” a comida primeiro (sem nem mesmo rezar um “Pai-nosso”*), gordos ou magros?
Mas... é culpa deles serem assim?
A avidez pela comida já se mostra ao seio materno. Normalmente bebês mais fofinhos e que têm ganho de peso acima da média.
Alguém vai querer ensiná-los a se controlarem?
Também aqui, passemos para os próximos capítulos na tentativa de buscarmos a “cura”.

(*Mas, olha, uma das sugestões – é sério! – seria voltarmos a adotar a oração diante dos pratos deliciosamente fumegantes com as crianças. Talvez menos por motivos religiosos, mas mais por motivos didáticos, ensinando-as a “retardar” a gratificação, a comerem com menos pressa).

19 de junho de 2009

Ritalina Spray


Que o esporte – e o futebol, particularmente – nos ensina muitas coisas para a vida, não é novidade: o saber perder, o espírito de equipe, a obstinação para se conseguir resultados, etc.
Agora, na atual Copa das Confederações da África do Sul – sede da próxima Copa do Mundo – um ensinamento vem de fora do campo, mais especificamente da torcida africana.
Lá, quase que a regra é fazer festa o tempo todo. Não como no Brasil ou em outras partes do mundo. Eles pulam, tocam cornetas barulhentas, dançam de costas para o jogo, se abraçam, vibram com tudo (menos com o próprio jogo!).
E aí o ensinamento:
Comparado com torcedores europeus, sul-americanos e mesmo com os já exóticos asiáticos, poderia essa torcida ser rotulada pelo resto do mundo como “hiperativos em massa”.
Tratamento pra eles: Ritalina em spray, jateada diretamente na arquibancada!
Sossega gente! Senta aí e presta atenção, que coisa, isso lá é jeito de se comportar?
Pessoas são diferentes. Raças são diferentes. Torcedores têm – embora possamos não gostar – o direito de fazer a festa que quiserem. Mas que incomodam quem é acostumado a ficar sentado bonitinho assistindo um espetáculo, incomodam.
Nas salas de aula é a mesma coisa.
(A propósito, o Jornal Nacional de ontem noticiou: nos últimos oito anos, a prescrição de Ritalina no Brasil aumentou 1.600%, muito por conta duma noção do que deve ser um comportamento “adequado” em salas de aula – numa re-edição do que já acontece em larga escala nos Estados Unidos. Sugestão: leva esses estudantes todos pra África do Sul!).