Procure por assunto (ex.: vacinas, febre, etc.) no ícone da "lupinha" no canto superior esquerdo

16 de junho de 2009

Muleta de Bebê


Todos os dias, pediatras do mundo inteiro brigam com pais e avós por causa do tal do andador.
Andador queima etapa de desenvolvimento. O bebê deve aprender (minimamente, pelo menos) a engatinhar. É engatinhando, nas “quatro patas” que ele aprende os movimentos de membros alternados – complicado para o cerebrozinho imaturo - com equilíbrio suficiente para se sentir seguro, pois já está no chão (“do chão não passa”, lembra dessa?).
Quer dar “muletinhas” para que ele aprenda a andar, economize seu rico dinheiro: coloque os próprios móveis da casa na sua proximidade para que ele se levante e se apóie quando sentir necessidade (se ele ainda não faz isso é porque seu cérebro ainda não maturou o suficiente para fazê-lo, espere!*).
Andadores são campeoníssimos em acidentes. Uma beleza quando acham qualquer obstáculo no chão (mesmo pequenas mudanças de nível). Conto sempre a história dum paciente (com fiel anjo da guarda, felizmente) que “desceu” um andar inteiro do prédio pelas escadas, rolando, enquanto seu pai fechava a porta do apartamento. Esteja com a câmera ligada para as videocassetadas.

* Crianças cujos pais apressam o aprendizado do andar costumam ser extremamente desajeitados, andam com pernas muito abertas, em suma, estão pouco à vontade com a missão a eles precocemente outorgada.

12 de junho de 2009

Alimentus Vulgaris


A pergunta que a gente ouve há pelo menos vinte anos:
-Afinal, a alimentação interfere ou não interfere na presença das “espinhas” (acne)?
Do jeito que a alimentação é importante, eu não me surpreenderia que influenciasse em tudo na gente, da cor dos cabelos à maneira que amarramos nosso cadarço.
Então parece que a resposta é sim.
E de que maneira?
Mais provavelmente pelo estímulo da secreção da insulina pelo pâncreas em resposta a uma alimentação mais rica em carboidratos de “tiro curto”, rapidamente metabolizados (alimentação ocidental padrão, manja?).
Mais insulina, maior estímulo à ação dos hormônios androgênicos (testosterona), que fazem “brotar” espinhas com facilidade.

9 de junho de 2009

O Nanismo É Pecado?


Não provoca o aparecimento de pêlos nas mãos, como já pudemos extensamente constatar (escapamos de termos mãos de lobisomem!).
Mas jovens que passam muito tempo fechados em quartos e banheiros sonhando com a Luana Piovani têm, aparentemente, maior risco de câncer de próstata – pelo menos enquanto jovens.
A explicação seria o excesso do hormônio testosterona que, além do maior impulso sexual, seria um indutor de crescimento celular (tumor maligno é basicamente provocado por crescimento celular exagerado e todo hormônio anabolizante por natureza – aquele que te deixa maior, mais forte, com a pele mais bonita pela renovação celular mais eficiente, e etc. – também estimula células a multiplicarem-se mais do que devem).
Já nos homens acima dos 50 anos, por algum motivo, o efeito seria protetor (embora o exagero nos maduros seja uma freqüência muito menor do que nos jovens).
Conselho dos cientistas responsáveis pela pesquisa: exercite-se, mas com alguma moderação.
(Curiosamente não foi o ato sexual em si o diferencial na incidência dos tumores prostáticos, e sim o “vício solitário”, como os padres do meu antigo colégio interno costumavam se referir).

5 de junho de 2009

Baixa Imunidade = Alta Ignorância?


Todo inverno é a mesma lengalenga (mas pediatra é pago pra ouvir lengalengas sem direito a subir nas tamancas):
O filhote pequeno toma antibiótico a torto e à direita, toma antibiótico até pra espirro, e aí, duma hora pra outra, vem a conversa:
“Tá com baixa imunidade!”.
Já falamos aqui que essa história de baixa imunidade não é (nada) assim. Não é peixe pequeno. É baleia, coisa séria. E rara, felizmente.
Essa tal ““baixa imunidade”” (cheia de aspas, notou, né?) costuma significar um pequeno coitado por demais exposto às banais infecções da infância (olha a creche aí, gente!) somado ao uso desnecessário de antibióticos e pais ansiosos para que o médico lhes diga que aquele menino (realmente) tem algo de anormal, não é possível!
Pronto: criadas as condições para o uso “heróico” de medicamentos sem nenhuma comprovação científica, os tais “imunomoduladores” (também, com um nome pomposo desses dá até vontade de passar agora mesmo na farmácia mais próxima!...)

2 de junho de 2009

Simples Como Um Ponto


Mães ansiosas com a correta alimentação dos seus filhos (quase todas), respondam:
Qual é o melhor exame (laboratorial ou outro qualquer) que indica que seu filho está bem nutrido?
Exame de sangue (hemograma)?
Não. No máximo, o hemograma pode diagnosticar anemias por deficiências específicas como a anemia por deficiência alimentar do ferro ou outras anemias que, ao aparecerem como conseqüência da má-nutrição, várias outras pistas de uma nutrição incorreta já apareceram.
Dosagem de algum nutriente? Albumina? Proteínas outras, como as globulinas?
Não. Também porque ao prestar alguma informação nutricional (serviria apenas para uma desnutrição instalada), o paciente já deu muitas informações ao exame físico de que não anda lá muito bem nutrido.
Sei lá... Algum exame de imagem, então?
Até daria. Por exemplo, uma tomografia. Não fosse, primeiro, exagerado, segundo, muito caro, e, terceiro, não isento de riscos.
Então diga logo, vai!
Quando o pediatra (ou mesmo a agente de saúde) plota (localiza o ponto no gráfico) a altura (muito mais do que o peso, mais sujeito a variações de curto prazo) do seu filho, a grande, a principal informação que ele está obtendo é sobre a adequada nutrição do seu filho.
Significa o seguinte:
Esse danadinho - mesmo aquele que come muito pouco, segundo os padrões esperados pelos pais - está crescendo o suficiente com o que come, levando-se em conta o padrão de crescimento familiar?
Se a resposta é sim, taí! Não há melhor exame (simples, barato, indolor, etc.) para desencucar pais e parentes quanto à adequada nutrição!
No entanto, sempre vai ter alguém que vai querer mesmo é uma “boa” tomografia, uma interessante dosagem de albumina, etc.

Obs.: avaliação de crescimento sempre tem que levar em consideração tamanho ao nascimento e estatura familiar.