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17 de maio de 2011

Caixinha de Surpresa



Recomeça inverno, recomeçam preocupações com doenças infecciosas típicas dessa época, dentre outras a famosa meningite.
Além da costumeira progressão rápida para doença grave, o que causa tanto medo é que diferente de outras doenças infecciosas da infância, no caso de dúvida – meningite ou não meningite – muitas vezes não há outra solução: tem que ser feito o temido exame da punção lombar (“exame do líquido da espinha”).
Ouvido se vê, garganta se vê, pulmões se ausculta, mas os meandros do sistema nervoso não são visíveis ao exame físico rotineiro (já pus na caixa de sugestões do nosso onGodsman que faça nossa caixa craniana transparente – ou então com tampa, para que vejamos o “líquido da espinha” se transformando do habitual incolor para o inflamado amarelo lá dentro).
E às vezes quando se tem sintomas inequívocos da inflamação meníngea (como diz aquela operadora de telemarketing) “pode estar sendo meio tarde demais”!



(Sempre aproveitando para lembrar: o que chama atenção para o diagnóstico de meningite não é febre - comum a muitas e muitas doenças - mas sim a súbita e prolongada alteração de consciência. Aquela coisa da criança doente que fica "olhando pra ontem" sem motivo aparente)



13 de maio de 2011

Satélites



Não é bem um fiiilme...
E, também, não é pra se ver com sono.
É mais uma interessante experiência no setor escolar.
Uma professora de uma escola maternal na França propõe ensinar Filosofia para seus alunos, todos eles na faixa dos 4 anos de idade.
O filme (ainda sem versão brasileira) chama-se “Ce N’Est Qu’un Debut” (“Apenas um Começo”) e nos espanta pela capacidade desses pequenos compreenderem o mundo que os cerca.
Cada aula apresenta um tema. Amor, Amizade, Morte, etc.
Difícil dizer que o que sai dali seja muito diferente do que sairia de um grupo de adolescentes, ou mesmo de adultos.
A gravidade das expressões nos temas mais “sérios”, a malícia com que abordam certos temas “picantes”, a lembrança sobre os assuntos abordados em classe quando chegam em casa, tudo nos faz pensar o quanto erramos quando ameaçamos tratá-los como “bobinhos”.
Pelo menos nos dias de hoje...


10 de maio de 2011

Frutos Novos de Árvore Velha



Sem dúvida que a gravidez precoce é um problema mais sério (e que perpetua o ciclo “estrangulamento de perspectivas – deseducação – pobreza – novas gravidezes”).
Mas a gravidez de mulheres a partir de certa idade também costuma gerar problemas.
Mulheres dos 35 pra cima deveriam portar uma inscrição (uma tabuleta?) na entrada (no sentido de quem eventualmente entra) ou na saída (no sentido de quem, finalmente, sai) dos seus órgãos de reprodução, interditando o acesso!
Não falo dos óbvios riscos para a sua saúde, nem dos riscos para o bebê.
Falo das mamães-avós, aquelas mulheres em que tudo é medo, tudo é “ai, meu Deus”, portadoras de um constante ar de tardio arrependimento da coisa.
Falta nelas aquelas saudável irresponsabilidade das jovens, do deixa que as coisas se ajeitam, do permitir que os filhos respirem.
Para quem me lê, pode parecer uma generalização grosseira (também nos dois sentidos) e é, muitas vezes, fato genuinamente desejado ou - ainda nos dias de hoje - “acidental”.
Mas é um recado (ou um aviso) que pouca gente dá...



6 de maio de 2011

Bicho Raro



Já há 20 anos, quem anunciava que ia fazer pediatria ouvia um:
“Ce tem certeza?” ou um: “Quer ficar pobre?”
O dinheiro nunca foi um motivador para os que se decidiam a ser pediatras.
O genuíno prazer da lida com as crianças e o gosto pela ciência médica eram e deveriam continuar sendo os verdadeiros motivos da escolha.
Acontece que no dia a dia a coisa às vezes se desvirtua.
Há bocas para sustentar (no fogão aqui de casa são seis!).
Há a enorme pressão diária que a reportagem recente do Fantástico muito bem revelou.
Há a inevitável comparação com o ganho dos demais colegas de profissão.
Tem havido ainda uma gradativa desvalorização pela “medicina de especialidade”, a “medicina de shopping”, que faz com que pacientes decidam – na maioria das vezes erradamente – o que deve ser bom pra eles.
Vai ter volta?
Ainda acredito – acho que quero acreditar – na revalorização profissional, daqueles que ainda trabalham orientados mais pelo coração que pelo bolso.
Mas que o pediatra vai se tornando raro, isso vai.



3 de maio de 2011

Tira a Touca



Vento e dor de ouvido. Qual a relação?

Algumas pessoas (poucas) quando apresentam algum processo inflamatório no ouvido (seja no conduto ou na membrana timpânica - otites externas ou otites médias) e "saem no vento" em dias muito frios apresentam dor (ou, mais exatamente, acentuam a sensação dolorosa).

Nada de partículas etéreas - ou eólicas, neste caso - maldosas, que entrariam pelo ouvidinho do seu querido bebê, fazendo muito mal a eles.

O início da história é viral ou bacteriano. Ou mesmo traumático, no conduto.

Sem inflamação prévia, sem dor de ouvido.

E não há furacão que a provoque.