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5 de outubro de 2010

Regra do Gotozinho


Não precisamos ser experts em nutrição. Não precisamos deixar de nos alimentar com coisas gostosas aqui e ali.
Mas alguns pais e avós quando pensam em alimentar seus filhotes e netos seguem apenas uma regra:
A regra do gotozinho.
É gotozinho, dá! De preferência, de montão.
Não importa a idade da criança. Não importa o mínimo balanço de nutrientes. Não importa se é industrializado, acrescido de mil e um ingredientes artificiais, se é excessivamente colorido, gorduroso ou açucarado.
Ah, é tão gotozinho!...
O problema é que as conseqüências não são imediatas.
Ninguém explode comendo gotozinho.
Ninguém fica verde, como o Hulk (pelo menos não na mesma hora).
Não cresce a cabeça, não cai cabelo – mas com alguma freqüência incha alguma orelha!
Diabete, doença celíaca, hipertensão, osteopenia. São indubitavelmente provocados – entre outras causas – por excesso de gotozinho, numa infância ou numa vida inteira.
Ah, mas a vida é curta!...
Sem dúvida.
Curta e repleta de coisa gotozinha.

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1 de outubro de 2010

Trem se Espera na Estação


Retardo de Crescimento Intra-Uterino (ou RCIU).
É o termo médico para dizer que o bebê parou de crescer o quanto dele se esperava a partir de certo momento da gestação.
E é uma das mais citadas justificativas para se interromper a gestação antes do tempo (através normalmente de cesarianas).
Ocorre que nos últimos anos, com todo o acompanhamento de ultrassonografias e medidas do fluxo sangüíneo umbilical (através do Doppler), constatou-se que o melhor – para a grande maioria das crianças – é “deixar como está”.
Bebês retirados precocemente porque “não têm espaço para crescerem” (ou qualquer outra justificativa que se dê) ganhariam muito mais esperando um maior amadurecimento intra-útero do que fora dele (especialmente em crianças com menos de 7 meses de idade gestacional, em que os riscos da prematuridade somam-se aos do pequeno crescimento).
Não há o que se faça aqui fora que se compare com o tratamento que a natureza oferece dentro das suas originais casinhas.
O duro, muitas vezes, é ir contra a palavra do obstetra. Ou da sua agenda.

(entenda-se: o RCIU já é, certamente, um problema. O que não dá o direito de ser piorado pela prematuridade)

28 de setembro de 2010

No Olho do Vulcão


O livro Freakonomics é uma interessante análise original mais social do que econômica, tanto é que a continuação já foi lançada.
Sobre a influência da televisão no nível educacional das crianças, cita um dado interessante:

Na Finlândia, um dos países com melhor nível educacional, a maioria das crianças não vai pra escola antes dos 7 anos de idade, mas eles freqüentemente aprendem a ler assistindo aos programas de televisão americanos legendados em finlandês.”

Como no caso da brincadeira com armas, a questão é onde essa criança está inserida.
Na maioria dos lares brasileiros, é televisão de montão e depois... nada mais (diferente da Finlândia*)!
Quem sabe deveríamos ter mais programas legendados?

O que me faz lembrar que mesmo entre universitários brasileiros a maioria dos alunos nas salas de aulas exige que, ao se exibir algum filme com finalidades didáticas, o professor escolha a opção “dublado” (por pura preguiça mental de ler legenda)!
Chegará o dia em que os alunos dirão: “Mestre, manda o original, sem legenda?”

* Finlândia é aquele país que exporta fumaça de vulcão pro mundo. São tão letrados que o próprio nome do vulcão é uma aula de ortografia: Eyjafjallajoekull !

24 de setembro de 2010

Realidade (Apenas) Virtual


Supostamente nós, adultos, cheios de bagagem de vida (ai!) percebemos a diferença de algo real e algo totalmente fantasioso, não é mesmo?
Tenho sérias dúvidas...
Mas crianças e adolescentes podem ser muito mais facilmente fisgados pelo que enxergam – e principalmente pelo que fantasiam. É próprio da idade (ainda que o mundo adulto esteja progressivamente se infantilizando).
Esse papo todo é pra falar das propostas mundo afora (a Inglaterra e a Austrália estão na vanguarda) de se colocar um freio nas fotochopagens (Photoshop, você sabe, é o processo digital de transformar a Fera na Bela num clique de mouse, eliminando barrigas, culotes, estrias, celulites e joanetes).
Psiquiatras britânicos afirmam que a exposição a imagens perfeitas da mídia levam com freqüência a alterações do humor, relacionadas a insatisfações com o próprio corpo, o que nas pessoas predispostas pode acarretar transtornos alimentares.
A alteração das imagens virou moeda corrente em jornais e revistas. E não é somente na área da estética feminina. Personagens e paisagens são acrescentados e suprimidos, proporções são modificadas, cores são realçadas. Não há volta.
O que se pede é pelo menos alguma espécie de “selo de autenticidade” das fotos, para que possamos ter certeza que aquilo que se vê não é a realidade.

21 de setembro de 2010

Alimentos que... Emburrecem!


Daquelas coisas que muito irritam, mas que a gente vê na TV todos os dias (e ontem foi só mais um dia, assim como anteontem):
- Açaí baixa o colesterol.
- Duas maçãs por dia evitam o diabete.
- O tomate...
Enche, não enche?
Como é que um determinado alimento vai mostrar esses efeitos?
Pega-se um turma com colesterol alto (ou com glicemia alta, ou com qualquer outro parâmetro alto ou baixo) e diz-se:
-Aí galera, a partir de agora, pra vocês, é só melancia, OK? Por 6 meses!
E mesmo que isso fosse possível, e mesmo que fizesse realmente baixar o colesterol (ou a glicemia, ou o que quer que seja), como ter certeza que foi a melancia (ou o açaí, ou a maçã) que fez a moçada melhorar?
Há centenas de outras variáveis envolvidas na melhora ou não dos parâmetros. Há quase sempre uma ridícula margem estatística de melhora para se tentar justificar a tal fruta (ou o legume ou a castanha-do-pará)!
Grupos testados já são previamente mais ou menos saudáveis e sujeitos a melhores ou piores respostas (haverá certamente grupos que melhorarão seu colesterol com Sonhos de Valsa).
A gente já sabe que um abacate deve ser mais saudável que um Danoninho. Imagina-se que uma pêra provoque menos problemas para o colesterol do que um hambúrguer. Mangas devem ser na melhor das hipóteses inofensivas (exceto quando caem nas nossas cabeças).
Mas se alguém espera ficar mais saudável numa dieta de mangas (ou de pêras ou de abacates) já sofre de pelo menos dois problemas:
Credulidade e ignorância.