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16 de março de 2007

Dãr...


Isso é que dá fazer pesquisa partindo das premissas erradas.
Um grupo de investigadores japoneses fez a seguinte (e óbvia) constatação:
Lactentes em pleno sono costumam ter a área frontal de seus pequenos cérebros ativada de forma mais intensa quando ouvem seus pais falarem com eles em “tom de bebê” (aquela conversa carinhosa que, se travada entre dois adultos, faria diagnóstico de sérios problemas mentais – exceto quando entre recém-namorados).
Com esse resultado, querem mostrar que os cérebros dos bebês são mais receptivos a conversas deste tipo (e que devemos, sim, continuar com este tipo de papo).
Penso de outra maneira:
Quando as criancinhas, mesmo dormindo (deixa elas dormirem em paz, oras!), ouvem adultos em tom formal, mantém-se “desligadas” da conversa – como fariam muitas vezes ao estarem acordadas.
Já quando ouvem o seu “idioma”, naturalmente pensam: “Opa, o papo agora é comigo mesmo!”
Grande coisa!
(Meu pai, quando dormia na sala de casa, ao ouvir assuntos que o desagradava, costuma irromper à discussão aos gritos. Não estava dormindo, o “praga”? – era a nossa pergunta. Seria o mesmo fenômeno?)

12 de março de 2007

Mestre Cuca


Tenho, muito modestamente, quebrado a cabeça para entender os motivos para o comportamento de jovens como as que apareceram no Globo Repórter (sobre obesidade infantil) da semana passada.
Uma das respostas que (até agora) me parece mais coerente é a de que quando jovens “enchem a cara” de doces e guloseimas (bem como quando os mais velhos “enchem a cara” de bebida – mesmo aqueles que particularmente parecem não desfrutar de grande prazer na ingestão alcoólica), estão inconscientemente sabendo que estão usufruindo de um prazer imediato, de duração muito curta. E, principalmente, sabem que qualquer outro ser humano, por mais “debilóide” que seja, tem a mesma capacidade de desfrutar do mesmo prazer (o mesmo vale, por exemplo, para o ato de assistir passivamente a algum programa na televisão).
São ações, portanto, que, por mais que se repitam ao longo do dia, parecem nunca trazer grande satisfação. Pior: deixam, após, um gosto amargo de derrota pessoal quando cometidos em exagero, o que faz buscar a repetição do ato com a finalidade de aliviar a ansiedade criada.
Já em outros tipos de atividade, naquelas construtoras da identidade (o que a psicologia chama de self) como a leitura de um livro, uma atividade física ou intelectual com algum claro objetivo (como entender o que está sendo lido, ou vencer um oponente num jogo), atividades, enfim, que exijam certas habilidades físicas ou mentais, o indivíduo costuma esquecer do tempo, desviando a atenção dos excessos de comida, bebida, televisão, etc.
Voltando ao caso das meninas mostradas no programa: há uma clara necessidade de envolvimento dessas crianças em atividades mais construtivas, que façam com que ocupem suas cabecinhas de forma ao mesmo tempo lúdica e concentrada, que façam com que se sintam mais importantes, capazes, para que deixem de ser “experts” apenas em encher a pança com alimentos altamente calóricos e pouco nutritivos.
Estes comportamentos, assim como muitos outros comportamentos destrutivos, funcionam como uma espécie de grito de socorro para seus pais. Cabe a eles ouvi-lo.

No Fim do Túnel

Cientistas da Universidade de Sheffield na Grã-Bretanha estão trabalhando na criação de um kit que permite identificar espécies diferentes de bactérias pela emissão de... luz! Moléculas criadas em laboratório unem-se às bactérias, emitindo raios luminosos que poderão ser detectados por lâmpadas fluorescentes.
Então, já sabe: no futuro, médicos provavelmente farão diagnóstico de nossas infecções nos apontando uma lanterna.

9 de março de 2007

O Mau Negócio


O que faz de nós “maus sujeitos”? Onde está a raiz psíquica da maldade?
Foi tema de reportagem de um psiquiatra americano no New York Times desta semana.
Transtornos de personalidade: diagnósticos que são amplos o suficiente para justificar quase qualquer variedade de mau comportamento, segundo o próprio psiquiatra, vem à tona quando a maldade invade relacionamentos e trabalho de forma cotidiana.
O autor do artigo, porém, mostra-se atônito ao perceber que, em muitos dos seus pacientes, após tratamento das condições psiquiátricas que possivelmente justificariam sua maldade, ela continua ali, intacta.
Aí a estupefação passou a ser minha. Apesar dos anos de excelência na sua área, apenas após muito meditar foi que o nobre (acho que nobre mesmo, pois escreve no NYT) colega começou a perceber que a maldade – como de resto qualquer traço de caráter – pode ser mais do que um diagnóstico d’alguma condição psiquiátrica.
Pode ser (e como temos visto!) o fruto podre de um meio mais podre ainda. Pode ser, também, resultado de uma paupérrima escala de valores (novamente fruto do meio). Pode ser até - e para quem acredita é mesmo - karma. Sem menosprezo às próprias até hoje pouco tratáveis mazelas psiquiátricas.
Como na mais famosa citação (que, aliás, nunca foi escrita, pode checar!) do clássico do escritor escocês Robert Stevenson, “O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde” (O Médico e o Monstro):
“Em cada um de nós, duas naturezas estão em guerra: o bem e o mal. Durante toda nossa vida, a luta entre elas continua, e uma delas deve ser a vencedora. Está em nossas mãos o poder de escolha – o que mais queremos ser, seremos”.

6 de março de 2007

Mercado, Ria!


Quando se trata de dinheiro, o americano não tem limites para a sua criatividade.
Está em funcionamento nos Estados Unidos um serviço que tem por finalidade ser o “vigia do vigia” nos gastos com saúde.
Funciona mais ou menos da seguinte forma:
Você tem que fazer uma determinada cirurgia, pela qual seu médico quer cobrar, digamos, mil reais.
O pessoal desta companhia vai, então, até o seu médico e pergunta:
-Tem certeza, doutor? Milzinho? Olha, tem muita gente boa por aí fazendo por quinhentinho... Não dá pra baixar, não?
Ao que o cirurgião responde:
-Ai, meu saquinho! Tá bom, faço por seiscentos. E não se fala mais nisso!
Você, então, é operado (de boa vontade? Com a mesma dedicação?) por seiscentos. Da economia de 4oo reais, a companhia responsável pela negociação com o médico embolsa 35%, ou seja, 140 reais.
O mesmo tipo de negociação envolve problemas clínicos, internações, etc. Vale para despesas médicas particulares e em planos em que o paciente é responsável por parte das despesas (cada vez mais comuns, tanto por aqui quanto por lá).
Você pode estar se perguntando: não seria melhor eu mesmo ser responsável pela negociação e embolsar toda a diferença?
A companhia alega que seus 35% são cobrados pela sua expertise, além de aliviá-lo do incômodo.
Vale a pena?
Provavelmente logo saberemos, pois provavelmente empresas semelhantes deverão aportar por aqui.

2 de março de 2007

Ao Bafo



Convide-os para assistirem a uma aula. Irão correndo. Programe um fim de semana num acampamento. Certamente não recusarão. Quartel, albergues? É com eles mesmo.
Só não convide piolhos para programa que envolva vento.
Windsurf, asa delta, então, estão fora.
Foi o que constatou uma pesquisa recente publicada no Pediatrics, em que crianças piolhentas foram divididas em grupos e submetidas a diversos tratamentos envolvendo ar quente direto sobre a “fonte” dos piolhos, ou seja, suas cabeças, por um período que variou de meia a uma hora.
Quase todos os métodos de “entrega” do ar quente foram relativamente efetivos em matar tanto lêndeas quanto piolhos por dessecamento, principalmente na revisão das cabeças uma semana depois.
O campeão, no entanto, foi um suspeito aparelho de nome LouseBuster (“Matador de Piolho”, veja figuras, provavelmente inspirado no filme dos caçadores de fantasmas), que nada mais é do que uma variação ordinária de um simples secador de cabelos (aparelho que tem dentre os responsáveis pelo projeto, vejam vocês, os próprios realizadores da pesquisa. Segundo eles, “não se deve tentar com secadores normais de cabelos, pois não há volume de ar suficiente para funcionar”). Será?